Evelson de Freitas/Estadão
Evelson de Freitas/Estadão

Nos muros de São Paulo, grafiteiros retratam a Copa do Mundo

Desenhos sobre o Mundial, que ocorre no Brasil, variam entre críticas e a euforia do futebol

Vanderson Pimentel, O Estado de S. Paulo

23 de maio de 2014 | 05h00

SÃO PAULO - Não é só na cabeça dos brasileiros que a Copa do Mundo de 2014 causa discussões. Nas ruas de São Paulo, grafiteiros utilizam suas latas de spray para deixarem seus pensamentos sobre o Mundial através da arte. Entre as linhas Patriarca e Corinthians-Itaquera do metrô, está sendo finalizado o maior grafite da América Latina. 

O projeto com tamanho de 4 km é baseado em desenhos que falam sobre a torcida brasileira, a seleção canarinho e a cidade de São Paulo.

Morador de Itaquera, o grafiteiro Leandro dos Santos, acredita que o projeto, que possui 4 km de desenho, será um legado importante à região. "A zona leste quase nao tem espaço cultural, e isso é um museu a céu aberto".

Nos seus 50 metros disponíveis de muro, o artista, que desenhou a palavra Brasil em libras e retratou pessoas de diversas etnias, afirmou que sua obra deve ser vista por todos. "A nossa iniciativa é deixar a cidade mais colorida, mais divertida não só para estrangeiros, mas também para o brasileiro", disse o grafiteiro conhecido como Sino.

Apesar disso, os retratos positivos do Mundial não necessariamente representam a opinião dos artistas. Leonardo Godoy dos Santos, conhecido como Dogh, acredita que mesmo sem a realização da Copa no Brasil, pouca coisa mudaria na vida dos brasileiros. "Eu separo o artista da minha opinião pessoal. É uma grande oportunidade pela arte. Mas acredito acredito que pouca coisa mudaria em relação às políticas do País com ou sem Copa", disse.

E nem só de futebol é feito os muros da cidade com desenhos sobre a Copa. O artista Paulo Ito vem fazendo sucesso nas redes sociais após divulgar seu grafite que representa um menino negro chorando ao ver uma bola em cima de seu prato de comida.

Há 14 anos trabalhando com o grafite, o artista diz que não esperava tanta repercussão, mas aproveita a oportunidade. "Vejo como uma boa oportunida de expor os problemas para o resto do mundo e quem sabe, constranger a nossa apática classe política". Sobre o projeto na zona leste, o grafiteiro afirmou também que não se inscreveu de forma intencional. "Não julgo quem se inscreveu, mas por ideologia e coerência ao meu trabalho, não faço", finalizou.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.