Nos pênaltis, Alemanha bate Argentina e vai às semifinais

Num jogo cheio de emoção e alternativas, a Alemanha bateu a Argentina por 4 a 2, nos pênaltis, após empate por 1 a 1 no tempo normal e na prorrogação, e se classificou para as semifinais da Copa do Mundo. Agora, os anfitriões jogam contra o vencedor de Itália x Ucrânia, que se enfrentam às 16 horas (de Brasília) desta sexta-feira, em Hamburgo. A primeira semifinal da Copa será disputada na terça, em Dortmund, às 16 horas (de Brasília).Foi a primeira vez que a Argentina perdeu uma disputa de pênaltis em Copas - até então, acumulava vitórias contra Iugoslávia (quartas-de-final em 1990), Itália (semifinais de 1990) e Inglaterra (oitavas-de-final em 1998). A Alemanha permanece invicta nesse tipo de disputa, agora com quatro vitórias - já contava triunfos contra França (semifinais de 1982), México (quartas-de-final de 1986) e Inglaterra (semifinais de 1990). No desempate, brilhou a estrela do goleiro Lehmann, que defendeu as cobranças de Ayala e Cambiasso. Antes no início da disputa, ele recebeu o incentivo de seu reserva, Kahn, preterido por Klinsmann antes do início da Copa - ambos são notórios desafetos. Pela Argentina, o reserva Leo Franco, que substituiu o contundido Abbondanzieri, não conseguiu defender nenhuma cobrança.Depois da vitória alemã, uma batalha campal tomou conta do gramado, iniciada num desentendimento entre o zagueiro argentino Heinze e o gerente da seleção alemã, o ex-atacante Oliver Bierhoff.O jogo O clima de tensão que envolvia a partida deu as caras nos primeiros cinco minutos: houve entradas duras, um cartão amarelo para o atacante alemão Podolski, muita discussão entre os jogadores e três faltas cometidas por cada time.As duas seleções foram se acalmando, mas o jogo continuou bastante truncado e sem grandes oportunidades de gol. As duas chances mais claras foram criadas pela Alemanha: aos 7 minutos, Podolski bateu falta e Abbondanzieri rebateu, mas conseguiu recuperar; aos 16, Schenider cruzou da direita e Ballack cabeceou rente à trave esquerda.A Argentina detinha a posse de bola por mais tempo, mas falhava na armação de jogadas. Riquelme estava mais uma vez apagado, e a equipe dependia dos lances voluntariosos de Tevez e das bolas alçadas na área. A equipe terminou o primeiro tempo com apenas uma finalização certa contra o gol alemão.O segundo tempo também começou agitado, e antes do primeiro minuto o argentino Sorín levou o cartão amarelo. Aos 4 minutos, a Argentina conseguiu abrir o placar justamente na jogada que não havia dado em nada na etapa inicial: Riquelme cobrou escanteio, Crespo atraiu a marcação e Ayala cabeceou sem defesa para o goleiro Lehmann.Atrás no placar, a Alemanha, que havia passado todo o primeiro tempo esperando a chance de marcar nos contra-ataques, teve de sair para o jogo e começar a pressionar. Na melhor chance, aos 20 minutos, Abbondanzieri saiu mal na cobrança de um escanteio e a bola sobrou para Ballack, que bateu em cima de Ayala. A Argentina, no entanto, também se deu mal com o lance: o goleiro se machucou e teve de ser substituído por Leo Franco.A Argentina perdeu boa chance de ampliar o placar quando Tevez aproveitou uma bobeada da defesa alemã e tomou a bola na intermediária. Em vez de chutar, porém, o corintiano tocou para Maxi Rodríguez, que bateu para fora.Gol no abafaA pressão alemã, embora desordenada, deu resultado aos 35 minutos: Ballack, que estava sumido no jogo, cruzou; Borowski, que havia acabado de entrar, escorou; e Klose, outro que estava desaparecido, venceu Sorín pelo alto e marcou seu quinto gol na Copa, ampliando sua vantagem na artilharia. Curiosamente, foi seu primeiro gol de cabeça no Mundial - em 2002, ele havia feito cinco gols, todos em jogadas aéreas.O gol mudou totalmente o panorama da partida. A Argentina, que só se defendia - Pekerman trocou o meia Riquelme pelo volante Cambiasso -, começou a optar pela ligação direta com o ataque, em jogadas rápidas pelas pontas. A Alemanha manteve a aposta na bola alta, mas voltou a cadenciar o jogo e não criou mais nenhuma grande oportunidade até o fim do tempo normal.Na prorrogação o jogo voltou a esquentar, com uma cotovelada de Cruz em Lahm punida com o cartão amarelo, desentendimentos entre Ballack e Ayala na área e poucos lances de perigo, o que levou o jogo para os pênaltis, especialidade das duas seleções. O incentivo da torcida acabou sendo decisivo e a Alemanha levou a melhor, garantindo a vaga nas semifinais.Ficha técnica:Alemanha (4) 1 x 1 (2) ArgentinaAlemanha - Lehmann; Friedrich, Mertesacker, Metzelder e Lahm; Frings, Schneider (Odonkor), Ballack e Schweinsteiger (Borowski); Klose (Neuville) e Podolski. Técnico: Jürgen Klinsmann.Argentina - Abbondanzieri (Leo Franco); Coloccini, Ayala, Heinze e Sorín; Mascherano, Lucho González, Maxi Rodríguez e Riquelme (Cambiasso); Tevez e Crespo (Cruz). Técnico: José Pekerman.Gols - Ayala, aos 4 minutos, e Klose, aos 35 minutos do segundo tempo.Nos pênaltis - Alemanha (Neuville, Ballack, Podolski e Borowski) 4 x 2 Argentina (Cruz, Maxi Rodríguez). Erraram: Ayala e Cambiasso (Argentina).Cartões amarelos - Podolski, Sorín, Mascherano, Maxi Rodríguez, Odonkor, Cruz, FriedrichÁrbitro - Lubos Michel (Eslováquia).Local - Estádio Olímpico (Olympiastadion), em Berlim.

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