Nova derrota abre guerra no Atlético

A derrota para o Corinthians, no domingo, não só instalou definitivamente a crise no Atlético-MG, como deflagrou uma guerra pública entre a diretoria alvinegra e um dos maiores ídolos do clube, o ex-centroavante Reinaldo. O Galo sofreu o seu quarto revés consecutivo ao perder por 1 a 0 para o time paulista, no Mineirão. Após seis rodadas, a equipe mineira já ocupa a zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro, em 20º lugar, com quatro pontos. Em 2004, o Atlético só escapou do descenso na última rodada do Brasileirão.Na semana passada, Reinaldo concedeu entrevistas à imprensa mineira fazendo duras críticas à atual diretoria e admitindo o desejo de presidir o clube O presidente do Conselho Deliberativo, Alexandre Kalil, reagiu chamando de "oportunista" o ex-jogador e acusando a imprensa esportiva local de empreender uma campanha contra o Atlético."O Reinaldo foi um grande jogador e muito bem remunerado no Atlético e deve ter sido também muito bem remunerado no Cruzeiro, onde ele jogou também", cutucou Kalil, demonstrando muita irritação. "Esse negócio de ser atleticano, mais do que nós que estamos botando assinatura lá dentro, é piada de salão. É demagogia de quinta categoria e oportunismo na pior hora possível".Nesta segunda-feira, Reinaldo afirmou que ele e "toda a massa atleticana" não suportam mais ouvir "tanta bobagem", em referência direta ao presidente do Conselho. O ex-jogador defendeu mudanças nos estatutos do clube para que os sócios possam votar. Atualmente, apenas os conselheiros têm direito a voto para a escolha do presidente. As eleições para a nova diretoria estão marcadas para o final do ano que vem."Não podemos deixar todo o poder concentrado nas mãos desse todo poderoso Alexandre Kalil, que acha que é dono do Atlético", afirmou Reinaldo, que atualmente é vereador em Belo Horizonte. "Eles querem que a gente fique à margem do clube, sofrendo essas decepções e humilhações. De futebol, já está comprovado que eles não entendem nada".Acusado de omissão, o presidente do clube, Ricardo Guimarães, normalmente polido em suas declarações, também reagiu com irritação: "O Atlético está sendo dirigido com muita mão-de-ferro, com muita presença", disse o dirigente, que garantiu a permanência do técnico Tite até o final de seu contrato, em 31 de dezembro do ano que vem."O Atlético está em ótimas mãos. O Tite é o melhor técnico do Brasil em atividade".

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