Bruno Cantini/Atlético
Rodrigo Santana, do Atlético-MG, é um dos técnicos mais jovens do Brasileirão Bruno Cantini/Atlético

Nova geração de treinadores consolida sua posição no Brasileirão

Fábio Carille, Zé Ricardo, Ceni, Roger Machado e Hellmann conquistaram espaço na Série A

Daniel Batista e Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

24 de agosto de 2019 | 17h00

Dos 20 treinadores dos clubes da Série A do Campeonato Brasileiro, 12 têm menos de 50 anos. Isso significa que a nova geração de técnicos brasileiros conseguiu se consolidar nesta temporada. Os novos nomes são vistos com menor resistência pelos dirigentes e alguns superaram o status de apostas.  Treinadores como Fábio Carille, Zé Ricardo, Rogério Ceni, Alberto Valentim, Roger Machado e Odair Hellmann deram força à tendência de valorização dos jovens profissionais.

O cenário é dinâmico e não permite comparações entre velhos e jovens. Existem treinadores jovens com dificuldades de se recolocar, como Jair Ventura, por exemplo. E também mais antigos que sofrem para voltar à ativa, como Levir Culpi. Na semana passada, Fernando Diniz, representante notório da nova geração, tornou-se o sétimo treinador demitido no Brasileirão. Aos 45 anos, foi substituído por Oswaldo de Oliveira, representante da velha guarda aos 68 anos. Por outro lado, para sair da crise e da zona de rebaixamento, o Cruzeiro foi atrás de Rogério Ceni, outro novato.

O que a edição 2019 do Brasileirão mostra é que o leque de opções se ampliou na hora que um dirigente decide preencher a vaga de treinador. “Temos técnicos já em fim de carreira, outros encaminhando sua saída e outros novos surgindo, com novas ideias, bem preparados. Importante agregar conteúdo nesta transformação, a busca pelo novo. É importante e natural esta renovação”, diz Alberto Valentim, do Avaí, sucessor de Geninho que, aos 70 anos, tornou-se o terceiro treinador mais idoso a trabalhar no Campeonato Brasileiro.

Quinto colocado no torneio, o Atlético-MG vem alternando treinadores novos e “medalhões”, de acordo com expressão do presidente Sérgio Sette Câmara. A sequência recente inclui Thiago Largui, Levir Culpi e, agora, Rodrigo Santana.

“Sou favorável às oportunidades aos mais jovens. Fizemos isso recentemente. Em dois ou três anos, teremos uma safra pronta de novos treinadores”, prevê o dirigente, que identificou diferenças entre as gerações. “Os nomes tidos como medalhões envelheceram, são pessoas que têm de ter nosso maior respeito, mas tudo evolui. Vem aí uma safra nova, com novas ideias e outras formas de trabalhar. Existe um hiato entre esses medalhões e a nova safra.”

O presidente do Ceará, Robinson de Castro, tem visão parecida. “Independentemente da idade, o técnico precisa se qualificar. É preciso inteligência emocional e entender de tecnologia para aproveitar as informações que existem hoje e sinto que os treinadores mais jovens parecem mais adaptados a lidar com isso”, diz o dirigente.

Processo natural

Marcelo Paz, presidente do Fortaleza, afirma que o processo é natural. “Quem é considerado veterano já foi jovem. Muricy, Luxa, Felipão, Abel já foram promessas e hoje são veteranos. Como todas profissões, os mais novos ganham projeção, mas há espaço para todos.”

O técnico Dorival Junior, que negou convite do Fluminense, pois negocia sua ida para o exterior, destaca que os treinadores ainda têm pouco tempo para mostrar seu trabalho. “Todos agregam. O mais importante é que esses trabalhos tenham tempo para que sejam implantados. Isso ainda não acontece no Brasil. É preciso paciência”, diz o profissional de 57 anos.

Outro problema, dos jovens e dos velhos, é a falta de representatividade no exterior. Hoje, nenhum treinador brasileiro atua nos grandes times das principais ligas europeias. Para Mario Celso Petraglia, presidente do conselho deliberativo do Athletico-PR, o problema é a formação dos treinadores. “Não há instituições formadoras de alto nível nem para treinadores, preparadores físicos, gestores e outros profissionais do futebol”, critica.

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Jesus e Sampaoli lideram e ganham respeito no Brasileirão

Ao contrário de outros estrangeiros, técnicos chegaram ao Brasil com currículo de peso e estão fazendo bom trabalho

Daniel Batista e Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

24 de agosto de 2019 | 17h00

Os técnicos de Santos e Flamengo têm muito mais em comum do que o nome Jorge. Estrangeiros no Brasil e disputando a liderança do Campeonato Brasileiro, Sampaoli e Jesus também chamam a atenção pela forma com que comandam suas equipes e pela personalidade forte. 

O time paulista inicia a rodada na ponta da tabela e tem o rival carioca por perto, com apenas dois pontos de diferença. Ambos disputam também o posto de melhor ataque (Flamengo tem 32 gols marcados e o Santos 25), mas não estão entre as melhores defesas da competição. Um retrato do esquema ofensivo adotado por seus treinadores. É uma escola de treinador que prefere ganhar de 5 a 4 em vez de 1 a 0. Ou seja, atacar é a prioridade.

Mais do que as primeiras posições, o chileno e o português estão se retornando referência no futebol brasileiro, inclusive para os treinadores mais novos, que já têm seus nomes consolidados no mercado. Afinal de contas, estão quebrando quase que um paradigma do País, de que não dá para jogar bem e vencer. Tanto que suas contratações foram uma atração e assunto em outros clubes. 

Os dois últimos campeões brasileiros – Palmeiras e Corinthians – se destacaram pela eficiência, mas não deixaram saudades para os amantes do “futebol-arte”. Ao contrário. Seus treinadores – Luiz Felipe Scolari e Fábio Carille – nunca esconderam que a prioridade era conseguir os resultados e que jogar bem seria uma consequência, e só quando fosse possível.

Sampaoli e Jesus parecem fugir um pouco dessa linha de raciocínio. No caso do santista, o futebol ofensivo causa alguns tropeços inesperados. No Paulistão, por exemplo, o Santos foi goleado pelo Ituano por 5 a 1 e pelo Botafogo-SP por 4 a 0 e no Brasileiro foi derrotado por 4 a 0 pelo Palmeiras. 

“Eu sou o responsável pelo que aconteceu no jogo. O meu plano de jogo fracassou. A responsabilidade é minha e eu assumo”, disse o chileno, após ser goleado no clássico algo que mostra um pouco sua personalidade. 

Currículo diferenciado

Sampaoli e Jesus possuem outra característica em comum. Ao contrário da maioria dos técnicos estrangeiros que chegaram ao Brasil, ambos ostentavam currículos respeitáveis quando assumiram os times brasileiro. Sampaoli já havia conquistado uma Copa América pelo Chile e dirigido a seleção argentina. Jesus ganhou diversos títulos em Portugal, entre eles, três vezes o Campeonato Português pelo Benfica. Informações e conquistas que lhe deram ainda mais respaldo para implementarem seus estilos de jogos. 

A combinação de bons resultados e currículo vitorioso faz com que a personalidade forte de ambos não seja um problema. Pelo contrário. Os dois parecem a cada dia ganhar mais adeptos e Santos e Flamengo se tornaram times que conseguem fugir da mesmice do futebol brasileiro. Resta saber se isso irá se transformar em títulos para seus clubes. 

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