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Nova geração já aprende: o 'país do futebol' é a Alemanha

Livro infantil mostra como o time alemão venceu o Brasil na Copa

Jamil Chade - Correspondente em Genebra, O Estado de S. Paulo

09 de abril de 2015 | 10h34

Eles não sabem ainda nem ler. Mas já entenderam: a Alemanha é o país do futebol. Um livro infantil publicado para crianças a partir de 2 anos de idade na Alemanha mostra imagens e conta uma história de como, em uma partida contra o Brasil, o time europeu humilhou a seleção de amarelo e, ao final, levantou a taça.

Os editores da empresa Oetinger garantem que o livro foi produzido poucos meses antes da Copa do Mundo de 2014. Mas, contactadas pelo Estado, livrarias em Munique e Berlim admitem que as vendas e a distribuição aumentaram de forma substancial depois dos 7 a 1 e da conquista da Alemanha contra a Argentina, no Maracanã.

Mesmo sem direitos de reproduzir imagens oficiais, o livro não consegue esconder que tenta mostrar os personagens reais das duas seleções. De um lado, um senhor de bigode e com uma certa barriga é o treinador do Brasil. De outro, um jovem de cabelo preto e camisa bem passada é o técnico da Alemanha. Qualquer coincidência com Scolari e Löw é mera coincidência. Também não faltam jogadores estranhamente parecidos com Khedira ou até Ronaldinho Gaúcho, que não foi ao Mundial.

Numa das imagens, o livro mostra como os alemães colocaram os jogadores brasileiros em uma rodinha. Na seguinte, uma imagem de como um jogador brasileiro apela, faz uma falta feia e leva um cartão vermelho.

No placar final, apenas 1 a 0 para a Alemanha. Mas o suficiente para mais imagens de brasileiros desconsolados e alemães vibrando com a vitória. O título do livro não deixa de ser sugestivo: "Toooor", ou simplesmente "Goool" em alemão.

PLANO

Se o livro pode ser apenas uma "coincidência", a realidade é que a direção do futebol da Alemanha não pretende parar de trabalhar depois da conquista. Uma campanha de publicidade usando os campeões mundiais levou a Bundesliga a ser o torneio nacional com o maior público do mundo, superando pela primeira vez a Liga Inglesa. Considerando todos os esportes, apenas o público da NFL dos EUA supera os alemães no futebol. Nas escolinhas de futebol espalhadas pela Alemanha, crianças fazem fila para conseguir um lugar.

Já na seleção, Löw declarou no início de março que prepara um novo plano para tornar o time "mais competitivo", já tendo em vista a Eurocopa de 2016.  "Taticamente, precisamos ser mais flexíveis", declarou. Vivendo uma ressaca da Copa, sua seleção está em segundo lugar no grupo D das Eliminatórias para o torneio na França, no ano que vem.

Ele também deixa claro que a renovação do time para o Mundial de 2018 já começou. "O time que ganhou a Copa no Brasil não existe mais", declarou. "Isso significa que temos de nos atualizar e promover mudanças".

Sua estratégia é a de contar com duas seleções para poder chegar em 2018 com um time competitivo. Além da equipe principal, Löw acompanha de perto cada jogador do sub-21.

Na federação, porém, a ordem é a de manter a estratégia dos últimos anos e espalhar pelos clubes observadores que possam identificar futuras promessas. A base para a escolha, porém, jamais foi tão grande como agora.

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