Nova geração põe País na rota do ouro

Léo Lima rouba a bola na intermediária e toca para Paulinho. O meia do Atlético passa para Diego, que lança Robinho na ponta-direita. O santista dribla o lateral adversário e cruza na medida para Kaká, que supera a marcação e faz um golaço. Imaginem todos esses jovens talentos reunidos num só time? Pois isso acontecerá nos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004. É mais uma chance, talvez a grande chance, para que o Brasil conquiste sua primeira medalha de ouro na modalidade mais popular do País. O Campeonato Brasileiro revelou atletas de altíssimo nível, provavelmente a maior quantidade das últimas décadas. Novatos que já demonstram maturidade e trazem perspectivas positivas para treinadores e torcedores. Além dos meias e atacantes que estão enchendo os olhos dos brasileiros, outras posições também estão bem servidas. Dois bons zagueiros podem ajudar a acabar com o rótulo do Brasil no exterior de nunca ter boa defesa. Alex, do Santos, e Luisão, do Cruzeiro, tiveram excelente média na competição. O cruzeirense, além de exercer sua função na marcação, sabe fazer gols. Foram 6 no Brasileiro. O santista era desconhecido até poucos meses atrás, foi chamado para o time de juniores da Vila Belmiro e entusiasmou o técnico Emerson Leão num jogo-treino, pouco antes do início do torneio. Foi promovido para a equipe principal, ganhou a vaga de titular e já está virando ídolo na cidade. ?O Robinho é a grande sensação do campeonato, mas a revelação é o Alex?, comentou Leão. Os laterais Maicon, do Cruzeiro, e Leílton, do Vitória, também se destacaram, assim como o volante Paulo Almeida, do Santos. No gol, há opções como o corintiano Rubinho ou o cruzeirense Jefferson. Tudo isso sem contar nos zagueiros Adriano, do Grêmio, Gustavo, do Atlético-PR, nos meias Elano, do Santos, e Felipe Melo, do Flamengo, e nos atacantes Nenê, do Palmeiras, e Dagoberto, do Atlético-PR. Todos esses atletas terão, no máximo, 23 anos em 2004. O regulamento da Olimpíada permite que apenas jogadores nascidos a partir de 1981 participem do torneio. Alguns talentos como o atacante são-paulino Luís Fabiano, o lateral corintiano Kléber, o goleiro Diego, do Juventude, não poderão fazer parte do grupo por causa de alguns meses. Sorte do técnico que assumir o cargo e dirigir o time na Grécia. Por enquanto, o nome mais cotado é o de Ricardo Gomes, que comandou o Juventude no Brasileiro. Renato Gaúcho também tem chances. ?Eu acho que hoje o Brasil já tem uma bela equipe para a Olimpíada, talvez a melhor dos últimos anos?, opinou o ex-goleiro Zetti, que já trabalhou nos juniores do São Paulo e aguarda convite para trabalhar no Campeonato Paulista. ?Mas é preciso haver planejamento.? O ex-jogador Casagrande mostra-se otimista com o time olímpico. É fã de Kaká. Mas está especialmente empolgado com as atuações do santista Robinho, de 18 anos. ?Em toda a minha carreira, o Robinho é o melhor que já vi jogar entre todos os jogadores de 18 ou 19 anos. O Sócrates, por exemplo, demorou mais para aparecer. O Zico, não me lembro bem, talvez o Maradona fosse assim. O Robinho faz coisas parecidas com o que fazia o Maradona nessa idade.? Casagrande, porém, prefere manter os pés no chão e não comemorar o ouro antes da hora. Já teve experiências desagradáveis nas Olimpíadas de Atlanta e Sydney. ?Estou empolgado com a seleção, curioso, mas com um pé atrás, porque em Sydney, tínhamos o Alex, o Ronaldinho Gaúcho, o Lucas, o Fábio Costa e não fomos bem. Em Atlanta, tínhamos o Rivaldo, o Roberto Carlos e também perdemos?, lembrou. ?Por isso, de nada adiantará ter craques, se não for feito um bom trabalho, se não houve tempo para entrosamento.?

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