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Vice-presidente dos EUA, Joe Biden (E) empossa Loretta Lynch (D) como a 83ª secretária de Justiça do país Andrew Harnik/AP

QUEM É LORETTA LYNCH, A CHEFE DO DEPARTAMENTO DE JUSTIÇA DOS EUA?

Procuradora foi nomeada para o cargo há um mês

Cláudia Trevisan, correspondente em Washington, O Estado de S. Paulo

28 de maio de 2015 | 07h00

Primeira mulher negra nomeada para o comando do Departamento de Justiça dos EUA, Loretta Lynch assumiu o cargo há um mês com um discurso no qual defendeu direitos civis e o equilíbrio entre garantias dos cidadãos e o combate ao terrorismo. Mas foi a corrupção no futebol que acabou projetando sua imagem para além das fronteiras de seu país.

Antes de chegar a Washington, Lynch era chefe da Procuradoria Federal de Justiça do Distrito Leste de Nova York, responsável pela investigação que levou à prisão de sete dirigentes da FIFA, entre os quais o ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), José Maria Marin.

 

Na quarta-feira, Lynch estava em Nova York, para a entrevista coletiva na qual os procuradores federais detalharam as acusações contra os cartolas. "As denúncias sustentam que a corrupção é descontrolada, sistêmica e enraizada, tanto no exterior quanto nos Estados Unidos", declarou. "Ela se estende por pelo menos duas gerações de autoridades do futebol que, como alegado, abusaram suas posições de confiança para receber milhões de dólares em propinas."

O Departamento de Justiça é o mais importante órgão responsável pela segurança pública dos EUA e une funções que no Brasil são separadas entre o Ministério da Justiça e a Procuradoria Geral da República. Entre outras agências, estão sob sua jurisdição o FBI (a Polícia Federal dos EUA), a DEA (responsável pelo combate ao tráfico de drogas) e a entidade responsável pelas ações antitruste do governo federal.

O organismo tem amplos poderes para investigar estrangeiros envolvidos em casos de corrupção, desde que as irregularidades tenham alguma conexão com empresas ou pessoas dos EUA. Isso não é difícil, já que o país tem o mais importante sistema bancário e financeiro do mundo.

Outra atribuição do Departamento de Justiça é a defesa de direitos civis, com os quais Lynch se familiarizou na infância graças aos sermões de seu pai, um pastor batista que participou dos movimentos contra segregação racial nos anos 60. Com 56 anos, a secretária de Justiça dos EUA nasceu quando negros e brancos eram separados em escolas, no transporte e nos banheiros públicos, nos cinemas e nos restaurantes.

Lynch se formou em Harvard e ocupou em duas ocasiões o cargo de procuradora-geral do Distrito Leste de Nova York. No fim do anos 90, ela conseguiu a condenação a 30 anos de prisão do policial que espancou e atacou sexualmente o imigrante haitiano Abner Louima, um dos principais episódios de violação de direitos civis por agentes de segurança daquela época.

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