Bruno Cantini/Divulgação
Lucas Pratto é o artilheiro do Atlético-MG na temporada Bruno Cantini/Divulgação

Aumenta abismo entre as duas pontas do Campeonato Brasileiro

Distância entre primeiro time da zona de rebaixamento e 16º nunca foi tão grande

Raphael Ramos, O Estado de S.Paulo

11 de agosto de 2015 | 07h00

O Campeonato Brasileiro chega nesta quarta-feira à penúltima rodada do primeiro turno com um equilíbrio raro na luta pelas primeiras posições na era dos pontos corridos com 20 equipes participantes e, em contrapartida, um abismo inédito entre o pelotão da frente e o que luta contra o rebaixamento. A distância entre o líder Atlético-MG e o Sport, quinto colocado e primeiro time fora da faixa de classificação para a Libertadores, é de seis pontos (36 a 30). Desde 2006, quando o campeonato passou a ser disputado por 20 clubes, em apenas uma temporada a diferença foi menor depois de 17 rodadas. Em 2013, a essa altura o Cruzeiro liderava com 34 pontos e o Corinthians era o quinto colocado, com 29.

Houve ano em que essa distância chegou a 12 pontos. Isso ocorreu em 2012, quando o Atlético-MG chegou aos 42 pontos e o Internacional tinha 30, Em 2007, o São Paulo somou 34 pontos em 17 rodadas e o Goiás, 26.

Diante do equilíbrio, o técnico corintiano Tite prevê que a definição das equipes que brigarão pelo título ficará para as rodadas finais. Sua equipe está invicta há nove rodadas, mas mesmo ainda não conseguiu tomar a liderança do Atlético-MG. Para o treinador, o que pode fazer a diferença ao longo da competição é o Corinthians conseguir repetir fora de casa o desempenho que possui como mandante. No Itaquerão, são até agora seis vitórias e apenas uma derrota.

O equilíbrio na parte de cima da tabela faz até o São Paulo, oitavo colocado com 28 pontos, confiar no título. Como o time tem quatro pontos a mais que o nono colocado, a Chapecoense, não perderá a posição na próxima rodada. “Temos todo um segundo turno pela frente”, diz o técnico Juan Carlos Osorio, que sabe que o Tricolor já tirou diferença maior para chegar ao título. “Em 2008 o São Paulo estava 11 pontos atrás do Grêmio na 20ª rodada e conseguiu ser campeão. Sou otimista.”

Se a disputa pelas primeiras posições é acirrada e com uma pontuação elevada, a zona do rebaixamento tem este ano as equipes com pior aproveitamento da história dos pontos corridos. Nunca a distância dos times que estão na faixa da degola para o 16.º colocado foi tão grande como agora. 

O Goiás, primeiro time na zona do rebaixamento, tem 15 pontos, cinco a menos do que o Avaí. Isso significa que, a duas rodadas do encerramento do turno, dificilmente haverá mudança na formação do bloco – os outros três times não têm chance de chegar aos 20 pontos. E a distância que separa o Goiás do oitavo colocado já é de 13 pontos (28 a 15). Nas outras edições do Nacional a maior diferença registrada na 17.ª rodada entre os times do Z-4 e o 16.º foi de três pontos. Isso ocorreu em 2007 e 2013.

O péssimo rendimento das equipes da zona do rebaixamento criou um “fosso” com os demais clubes. Se o ritmo continuar assim, é provável que a distância cresça ainda mais com o passar das rodadas e a definição dos rebaixados ocorra bem antes da rodada final – no ano passado, Bahia e Vitória caíram no jogo derradeiro.

Um dos motivos que ajudaram a criar o abismo é a questão financeira. Com exceção do Vasco, que recebe R$ 70 milhões por ano da Rede Globo mas tem uma dívida monstruosa, os outros integrantes do grupo ganham bem menos. Goiás e Coritiba levam R$ 35 milhões cada um, e o Joinville (assim como outros clubes catarinenses) embolsa R$ 16,2 milhões. A ilusão provocada por uma boa campanha no Estadual também influi no desempenho. Três times do Z-4 (Goiás, Vasco e Joinville) levantaram a taça – o time caterinense perdeu depois o título na Justiça, e o Coritiba foi vice. Entraram no Brasileiro achando que poderiam encarar a concorrência e agora correm atrás de reforços (além de já trocado de treinador).

O vice-campeonato paulista do Palmeiras foi um resultado acima da expectativa, visto que o elenco tinha 24 jogadores novos em relação a 2014. Mais entrosado, o time está melhor agora e, por isso, briga em cima.

DIFERENÇA ENTRE O LÍDER E O 5º COLOCADO

2015: 6 pontos

2014: 10 pontos

2013: 5 pontos

2012: 12 pontos

2011: 9 pontos

2010: 10 pontos

2009: 8 pontos

2008: 6 pontos

2007: 8 pontos

2006: 6 pontos

 

DIFERENÇA ENTRE O 16º E A Z-4

2015: 5 pontos

2014: zero

2013: 3 pontos

2012: zero

2011: zero

2010: zero

2009: 2 pontos

2008: 1 ponto

2007: 3 pontos

2006: zero

ANÁLISE:

Careca, campeão brasileiro em 1978 e 1986

'Troca de treinadores precisa ser revista pelos dirigentes'

É evidente que ainda tem muito campeonato pela frente, mas dificilmente a briga pela parte de cima da tabela vai mudar. Vejo Atlético-MG e Corinthians muito fortes e estáveis. São duas equipes com padrão de jogo bem definido, que oscilam muito pouco. Também destaco o Grêmio, que na minha visão tem um elenco bastante interessante.

Entre as equipes que estão fora do G-4 se for aparecer alguma surpresa aposto no São Paulo. É um time de tradição e de chegada, e que tem apresentado um bom futebol. No clássico com o Corinthians, por exemplo, a equipe se comportou muito bem. O Palmeiras também estava muito bem, mas perdeu os dois últimos jogos e não sei se terá força para brigar pelo título. Outra equipe que poderia fazer mais no campeonato é o Internacional. O elenco é muito bom e acabaram demitindo o Diego Aguirre por causa da eliminação na Libertadores como se a culpa fosse só do técnico. O problema é que a Libertadores é dificílima.

Essa questão de troca de treinador precisa ser revista pelos dirigentes brasileiros. Atlético-MG e Corinthians não estão na liderança do campeonato à toa. Levir Culpi e Tite conhecem bem os jogadores que têm a disposição e fazem um trabalho a longo prazo. O Corinthians perdeu Guerrero e Emerson e, mesmo assim, o Tite conseguiu manter o time nos trilhos.

Todo os times que estão na zona de rebaixamento, em contrapartida, já trocaram de técnico. Goiás, Joinville, Vasco e Coritiba têm apresentado um futebol muito decepcionante, bem abaixo dos concorrentes. Se não contratarem novos jogadores para o segundo turno vão continuar sofrendo e o rebaixamento será inevitável. Talvez Vasco e Coritiba, por serem clubes com tradição, possam escapar.

A tendência é o campeonato continuar nesse ritmo. Não dá para exigir que todas as partidas sejam disputadas em altíssimo nível, mas alguns jogos têm sido bastante interessantes. Lembro de Sport 2 x 2 Palmeiras. Parecia jogo de campeonato europeu.

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