André Fabiano
Heber Roberto Lopes é o mais velho dos árbitros do Brasil na Fifa André Fabiano

Eliminatórias da Copa da Rússia levam CBF a não mexer no quadro de juízes da Fifa

Árbitros do País na entidade em 2016 serão os mesmos deste ano

Almir Leite, Daniel Batista, O Estado de S.Paulo

24 de outubro de 2015 | 17h00

Em meio à interminável polêmica sobre o nível das arbitragens, a CBF cumpriu no dia 18 um ritual obrigatório: enviou à Fifa a lista dos 10 representantes do Brasil que farão parte no quadro de árbitros da entidade no próximo ano. Os nomes são guardados a sete chaves, mas o Estado apurou que dificilmente ocorrerão mudanças em relação à equipe atual. Alguns juízes estavam ameaçados. Mas vão se livrar do cartão vermelho por causa das Eliminatórias.

Com a disputa das vagas da América do Sul em andamento, a Conmebol pediu às confederações que valorizassem árbitros experientes. Isso apesar de nos últimos anos a Fifa como vir recomendando o investimento em juízes jovens. A velocidade do jogo requer gente mais bem preparada fisicamente. Mas o aspecto técnico, o controle emocional e a vivência não podem ser desprezados. 

Isso dá sobrevida, por exemplo, a Heber Roberto Lopes, que aos 43 anos é o mais velho brasileiro do quadro da Fifa (mais informações ao lado). E contribui para a manutenção de árbitros como Leandro Vuaden e Péricles Bassols, ambos de 40 anos, que não andam em boa fase, mas são "rodados".

Neste ano houve grande renovação entre os representantes brasileiros, com a entrada de quatro novatos no grupo dos 10 – normalmente as confederações enviam os nomes no mês de outubro, a Fifa costuma aprovar com rapidez, mas o quadro só muda em janeiro do ano seguinte. Por isso, a orientação agora na CBF é manter os mais antigos e dar mais experiência aos que chegaram em 2015.

Sérgio Corrêa, presidente da Comissão de Arbitragem da CBF, não quis revelar os nomes constantes da relação enviada à Fifa. Alegou ser preciso, primeiro, a homologação da entidade, que raramente veta uma indicação. Mas confirmou a necessidade de preservar os árbitros experientes por causa das Eliminatórias.

"Se não tivessem as Eliminatórias, seria uma coisa diferente. As confederações poderiam fazer as alterações antes do limite de idade para dar oportunidade para os novos árbitros", admitiu ao Estado.

Corrêa, porém, diz que não se pode desprezar a experiência dos juízes, mesmo os de mais idade. E cita os casos de Heber e Vuaden: "Eles têm experiência internacional e serão muito utilizados nas Eliminatórias. Isso foi ponderado (na definição dos indicados pela CBF)".

Heber já trabalhou na segunda rodada, apitando Uruguai 3 x 0 Colômbia. O outro escalado foi Sandro Meira Ricci (40 anos) em Equador 2 x 0 Bolívia. Nas próximas duas rodadas, em novembro, mais brasileiros deverão ser escalados.

O presidente da Comissão de Arbitragem da Federação Paulista, Marcos Marinho, não vê contradição no fato de a Fifa defender a formação de árbitros cada vez mais jovens e a Conmebol preferir os mais velhos pela experiência que possuem. "O (critério) técnico não pode ser desprezado nem a experiência", alerta.

Ele diz que o processo de renovação tem de ser feito com calma e bastante cuidado, e vai dar resultados a médio prazo. Por isso, os mais velhos são importantes. "Competições sul-americanas como a Libertadores e as Eliminatórias são duras, difíceis, então tem aproveitar a experiência. Você sabe que o árbitro não vai chegar à Copa do Mundo (de 2018), mas não pode abrir mão dele."

Marinho também não acha que a Fifa se contradiz por ter aumentado em janeiro o limite de idade dos árbitros dos quadros internacionais de 45 para 50 anos. Isso porque, na prática, quer juízes cada vez mais jovens nas competições que organiza. Assim, os quase cinquentões são aproveitados disputas menos inflamadas e com mais disciplina, como as que ocorrem na Europa.

Assistentes

Além dos árbitros, a CBF teve de enviar a Fifa relação com 10 assistentes, que também não deverá ter alterações. E os antigos bandeirinhas serão cada vez mais novos em poucos anos. "Tem gente que está despontando bem, é o caso colocar na condição de aspirante (Fifa). Está numa idade boa, faixa de 30, 31 anos", explica. "Cara de 35 anos não adianta pegar. Pode ser bom (assistente), mas a idade já não ajuda."

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Aspirantes vão ter de esperar na fila para fazer parte da Fifa

Novos juízes só deverão ingressar na entidade a partir de 2017

Almir Leite; Daniel Batista, O Estado de S. Paulo

24 de outubro de 2015 | 17h00

O Brasil tem hoje sete árbitros aspirantes à Fifa. De acordo com a Comissão de Arbitragem, todos se enquadram nas exigências atuais da entidade. Têm bom desempenho físico, são bem avaliados pela CBF nos aspectos técnico e disciplinar, além de serem jovens. Mas só começarão a entrar no quadro da Fifa a partir de 2017.

Dos sete, o catarinense Braulio Machado é tido como a maior revelação. Aos 36 anos, professor de educação física e surfista e mergulhador nas horas vagas, é definido como seguro, disciplinador e elogiado por acompanhar os lances de perto. 

O gaúcho Jean Pierre Gonçalves (36 anos), apelidado de Vin Diesel pela semelhança física com o ator americano, também é considerado forte candidato à vaga. Aos 34 anos, Wagner Reway, do Mato Grosso, é outro que tem sido bem avaliado, assim como Igor Benvenutto.

O mineiro de 34 anos, porém, já se envolveu em algumas polêmicas. A mais famosa delas foi a expulsão do então botafoguense Emerson Sheik em 2014, num jogo com o Bahia. Após receber o vermelho, Sheik ofendeu o árbitro e, ao sair do campo, aproveitou a presença da TV e esbravejou contra a CBF: "CBF, você é uma vergonha, uma vergonha!", acusou.

Revelação do Paulistão de 2015, Thiago Duarte Peixoto, de 35 anos, destaca-se por deixar o jogo correr – marca poucas faltas. Mas ainda é considerado "verde" para alcançar a Fifa.

Por fim, os cariocas Felipe Gomes da Silva e Wagner Magalhães, ambos de 36 anos, têm a carreira marcada por envolvimento em confusões em clássicos do Estadual do Rio. Magalhães, por exemplo, expulsou Fred num Fla-Flu no primeiro semestre, alegando que o atacante simulara uma falta num lance em que sofreu pênalti claro. Fred saiu de campo ofendendo-o e dizendo que "o Campeonato Carioca tem de acabar", atitudes ignoradas na súmula.

O Brasil teria um oitavo aspirante, mas o paulista Guilherme Ceretta, de 31 anos, rompeu com a CBF em protesto contra a administração de Sérgio Corrêa. "Fiquei cansado com a politicagem existente entre os árbitros. Você comete um erro, é punido. Outro árbitro faz a mesma coisa e acaba voltando da punição bem antes. Qual o critério? Não acredito em desonestidade. Jamais falaria isso. O que acontece é que a política atrapalha", disse Ceretta ao Estado.

Corrêa rebateu, afirmando que o árbitro deixou de ser aproveitado porque não fez os testes físicos no meio do ano: "Ele (Ceretta) falou que ficou fora da escala. Na verdade ele não fez a avaliação física. Como é que pode uma pessoa que não fez avaliação física querer atuar? Ele mentiu descaradamente".

O coronel Marcos Marinho, chefe da arbitragem da Federação Paulista, garante que Ceretta não será preterido no Estadual de 2016, "desde que faça a avaliação física em dezembro". Sobre a renúncia do árbitro na CBF, comentou: "Ele é um pouco imaturo, faltou um pouco de humildade, mas é da própria idade".

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