Nova testemunha complica Paulo Forte

Surge mais uma testemunha no caso Serginho. O nefrologista Luiz Estevam Ianhez, professor da Universidade de São Paulo e membro do quadro do Hospital das Clínicas, prestou depoimento à polícia, nesta sexta-feira, e disse que o médico do São Caetano, Paulo Forte, falou sobre a gravidade da situação do jogador em junho, quatro meses antes da morte do zagueiro, ocorrida em 27 de outubro.Segundo o depoimento, prestado ao delegado Guaracy Moreira Filho, do 34.º DP, Ianhez e Forte se encontraram por acaso nos corredores do Incor. Os dois se conheciam, pois Ianhez nasceu em Ribeirão Bonito, no interior de São Paulo, cidade da família de Forte. Em conversa rápida, Forte teria afirmado que acabara de saber os resultados dos exames de um jogador do São Caetano, que esses exames apontaram lesão importante do coração, o que implicaria abandono do futebol. Por último, Forte teria dito que o resultado o deixava em situação difícil.Com essa nova testemunha, são pelo menos seis os médicos a terem prestado depoimento oficial à policia, sob risco de incorrer em falso testemunho, afirmando que Paulo Forte e Serginho foram informados do risco que o atleta corria se continuasse no futebol. O principal deles é o testemunho do cardiologista Edimar Bocchi, responsável pelos exames e pelo prontuário médico de Serginho no Incor, que foi ouvido anteontem pela segunda vez no caso.Paulo Forte, por meio de seus advogados, afirma que jamais foi informado pelo Incor de que Serginho deveria parar de jogar. O médico decidiu não dar entrevistas e se pronunciará apenas em juízo, como fez na segunda, durante julgamento no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). "O doutor Paulo não foi comunicado por nenhum médico do Incor a respeito das limitações do atleta Serginho", diz o advogado Cid Carvalhaes. "Não tenho informação sobre essa suposta conversa (com Ianhez). Há uma série de eventos de ordem especulativa, mas o doutor Paulo continua absolutamente tranqüilo e pronto a atender toda solicitação oficial."Segundo o advogado, o médico do São Caetano foi notificado pela polícia apenas uma vez, quando chamado a prestar depoimento, e atendeu prontamente. Além disso, participou do julgamento no STJD e recebeu um aviso por parte do Conselho Regional de Medicina de São Paulo de que o órgão havia instaurado uma sindicância sobre o caso.Carvalhaes afirma ainda que o São Caetano só tomou conhecimento do laudo do teste ergométrico realizado por Serginho em 11 de fevereiro - e tornado público nesta sexta - por meio do inquérito policial. No documento, o médico Guilherme Guimarães diz ter avisado Forte e Serginho de que o jogador deveria abandonar os gramados. "O doutor Paulo, na ocasião, foi informado verbalmente de que a alteração seria por uma sobrecarga do aparelho e que não havia motivo de preocupação."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.