Aly Song/Reuters
Aly Song/Reuters

Novas regras acabam com transferências milionárias e altos salários no futebol chinês

Mudança pode ter impacto no mercado brasileiro, já que nos últimos anos os clubes chineses contrataram dezenas de atletas no País  

AFP, O Estado de S.Paulo

08 de janeiro de 2021 | 10h01

A era de transferências milionárias e altos salários no futebol chinês pode estar perto do fim, precipitada por um controle financeiro mais rígido da federação do país, a CFA. "As despesas dos clubes da Chinese Super League são quase dez vezes maiores que as da K-League sul-coreana e três vezes da J-League japonesa", calcula o presidente da CFA, Chen Xuyuan.

Nos últimos anos, a chegada ao Shanghai SIPG do meia brasileiro Oscar por 60 milhões de euros, um recorde no Campeonato Chinês, ou do atacante Hulk, contratado pelo mesmo clube por 55,8 milhões de euros, fizeram da China um "Eldorado" para alguns jogadores de futebol. O valor dos salários pagos a essas estrelas agravou a equação financeira dos clubes. Oscar, por exemplo, receberia mais de 20 milhões de euros anualmente, e a mídia belga fala de 14,5 milhões de euros por ano para Marouane Fellaini, contratado no início de 2019 pelo Shandong Luneng.

"As bolhas (financeiras) afetam não apenas o presente, mas também o futuro do futebol chinês", avisa Xuyuan, eleito presidente da federação em agosto de 2019.  "Além disso, nossa seleção nacional está ficando para trás no ranking da Fifa (75ª posição)".

Diante desse fato, a federação adotou medidas financeiras. Desde 1º de janeiro, os jogadores estrangeiros não podem ganhar mais do que três milhões de euros por ano. Já a remuneração dos jogadores chineses não pode exceder 630 mil/ano.

De acordo com a agência de notícias oficial Xinhua, os clubes terão de renegociar os contratos com todos os jogadores novamente, e poderão propor alterações para aqueles que excederem o limite do salário anual. "A referência não deve ser despesas, mas durabilidade", resumiu Liu Yi, secretário-geral da CFA. "Agora vamos buscar uma melhor governança, um modelo econômico mais duradouro e um melhor sistema de formação para os jovens jogadores se desenvolverem e tornarem a nossa seleção mais competitiva."

Como Fellaini ou o ex-volante do Barcelona Paulinho, "alguns grandes nomes ainda jogam na China. Mas isso contribuiu para a progressão dos jogadores locais?", questiona Yi.

O teto salarial apenas acentuou a tendência à disciplina orçamentária. Em 2017, poucos meses após a chegada de Oscar ao Shanghai, a CFA já havia imposto uma taxa de 100% aos jogadores estrangeiros contratados por clubes chineses. O dinheiro arrecadado foi investido na formação de jovens jogadores.

A partida nos últimos meses de Hulk, que encerrou seu contrato, ou do italiano Graziano Pellè, são exemplos do fim de uma era.

Sobretudo, desde 2018 e com a saída precipitada do Shanghai Shenhua do argentino Carlos Tevez, depois de ter se tornado o jogador mais bem pago do mundo, com um salário de 38 milhões de euros (46,6 milhões de dólares) por ano, o modelo mostrou seus limites. Também forçados pela pandemia de covid-19, os clubes chineses não estão mais considerando gastar fortunas para a próxima temporada.

Em sua mira estão jogadores livres, disponíveis para empréstimo ou avaliados em menos de 45 milhões de yuans (5,6 milhões de euros), limite além do qual se aplica a taxa de 100%.  Mesmo assim, o campeonato ainda reúne técnicos de prestígio, como Rafael Benítez no Dalian e Fabio Cannavaro no Guangzhou. 

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