Lluis Gene/ AFP
Lluis Gene/ AFP

Fifa tenta impedir que clubes europeus importem crianças

Entidade espera fortalecer torneios em países como Brasil e África

Jamil Chade - Correspondente em Genebra, O Estado de S. Paulo

23 de junho de 2015 | 15h30

A Fifa fecha o cerco aos clubes europeus que tentam contratar jogadores menores de idade, principalmente do Brasil, Argentina e África. A partir de julho, clubes terão de preencher uma série de condições extras para que sejam permitidos a levar para a Europa menores de idade, um apelo feito pelo Brasil por anos. 

A contratação de jovens não é proibida. Mas o que a Fifa não quer é que haja um fluxo de menores de países pobres para os grandes clubes europeus, esvaziando campeonatos nacionais e retirando de suas cidades os futuros craques. 

Num comunicado enviado a todas as federações nacionais, a Fifa indica que exigirá que tanto o pai como a mãe do menor de idade tenham trabalho nos países para onde imigraram para que uma contratação seja autorizada. Nos últimos anos, o que clubes faziam eram dar ao pai do jovem jogador um emprego, cumprindo o critério estabelecido pela Fifa. 

A Fifa também exige saber as condições sociais dos parentes dos jogadores, documentos de todos os membros da família e mesmo um certificado do clube garantindo que não o foi buscar em seu país de origem. 

Outra novidade nas regras da entidade é que as exigências feitas até agora para jogadores a partir de doze anos de idade valerão também para os garotos a partir de dez anos. Nos últimos anos, o que a Fifa percebeu é que clubes europeus passaram a trazer jovens a partir de dez anos para suas escolinhas, justamente para driblar as regras estabelecidas para aqueles a partir de doze anos de idade. 

As mudanças ocorrem depois que o Barcelona foi condenado por conta de suas práticas de trazer jovens jogadores para o clube, sob o pretexto de estarem dando abrigo, educação e estrutura. Entre os jovens "convidados" a viver em Barcelona no passado estava um certo argentino, Lionel Messi.

O caso de Messi é apontado por muitos como um dos exemplos dessa importação ilegal de jogadores e que, graças a brechas na lei, conseguiu ser justificada. Pela Fifa, um jogador menor somente pode ser trazido do exterior se ficar provado que ele se mudou com sua família para aquela cidade. O Barcelona, para levar Messi, transferiu da Argentina para a capital da Catalunha toda a família do meia.

Agora, a medida reabre a polêmica em relação à compra de menores pelos grandes clubes e pode ter um impacto direto em dezenas de brasileiros. Segundo o Estado apurou, mais de cem garotos brasileiros estão hoje na Europa trazidos pelos poderosos times do continente.  

Para que autorize a venda de um menor de 18 anos de um país para outro, a Fifa exigia que pelo menos uma das seguintes condições seja atendida: que a família tenha se mudado do país; que a transferência ocorra entre países da UE com atletas de mais de 16 anos; que o novo clube fique a no máximo 50 quilômetros da fronteira; ou que o menor esteja vivendo no novo país por mais de cinco anos antes de ser contratado. Nessas condições, a Fifa registrou 13 mil transferências de jovens no mundo apenas em 2011.

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