Novata e musa, Fabiana busca seu espaço na seleção

Jogadora quer brilhar e ajudar o Brasil a se classificar para a disputa dos Jogos Olímpicos de Pequim

Bruno Lousada, O Estado de S. Paulo

17 de abril de 2008 | 21h01

A atacante Fabiana viu sua vida mudar radicalmente nos últimos anos. Nascida em Salvador, ela sempre jogou bola com os meninos nas peladas de rua e em uma escolinha do bairro onde morava. Mas quando tinha 15 anos, foi descoberta pelo América (RJ) e aceitou o desafio de mudar de cidade para tentar uma carreira no futebol. Depois do América, Fabiana passou também pelo Clube dos Empregados da Petrobrás (CEPE), de Caxias (RJ), onde ganhava um salário mínimo. Em 2007, no entanto, a sua carreira deu uma guinada: acertou transferência para o Sporting Huelva, da Espanha. E agora, aos 18 anos, ela vê como um sonho a chance de representar o Brasil num jogo tão decisivo como o que acontecerá sábado, contra Gana, em Pequim, valendo a vaga olímpica. Novata na seleção, Fabiana ainda não é titular do time do técnico Jorge Barcellos. Mas isso, no momento, pouco importa para ela: só o fato de estar no grupo já é motivo de comemoração. "Sou nova e sei que não tenho condições de disputar vaga com Marta e Cristiane, as minhas referências no futebol feminino. Mas tudo tem a sua hora certa", admitiu a jovem atacante. "Estar no grupo já é um mérito e tanto." Enquanto ainda briga pela vaga de titular, Fabiana já conquistou um posto de destaque na seleção brasileira: é a musa do time. "Penteio o cabelo e me arrumo antes de a bola rolar. Tenho que estar bonita em campo", disse a atacante, mostrando parte de seus segredos de beleza. PASSADO DIFÍCILNa adolescência, Fabiana tinha que se virar para jogar futebol. Com a incumbência de tomar conta do sobrinho de 10 meses, a menina de 14 anos colocava o bebê no berço e dizia para a mãe que ele estava dormindo toda vez que ouvia o apito soar num campo perto de sua casa. Saía correndo, sem olhar para trás: a bola estava rolando. Fabiana também cansou de levar o sobrinho para o campo, sempre que não tinha ninguém para tomar conta dele em sua residência. "No início, meu pai era contra eu bater bola. Mas hoje ele não me deixa largar o futebol", lembrou a atacante. O contrato de Fabiana com o Sporting Huelva acaba em maio. Ela até gostaria de voltar para o futebol brasileiro, mas acredita ser difícil. "Na verdade, sempre quis continuar no Brasil. Mas somente se eu arranjasse um clube que pagasse bem", explicou. Enquanto isso, ela se contenta com o futebol espanhol, definido por Fabiana como sendo de pouca técnica e muita força física. "Mas ganho em euro", avisou a atacante, justificando a decisão de continuar por lá. PREPARAÇÃOA quinta-feira foi de festa e muito trabalho para a seleção brasileira em Pequim. Durante o dia, as jogadores fizeram um puxado treino coletivo, na preparação para enfrentar Gana. E à noite, foi hora de comemorar o aniversário de 41 anos do técnico Jorge Barcellos.  O trabalho das jogadoras nesta quinta-feira começou com uma sessão de musculação na academia do hotel. Depois, à tarde, o time fez o último treino coletivo antes do jogo de sábado. O trabalho durou cerca de 40 minutos e serviu para Jorge Barcellos acertar os últimos detalhes. "Foi um treino bom, com finalizações e um coletivo de 40 minutos na parte final para entrosar mais as jogadoras que já estavam com a gente no Brasil, e as que se apresentaram aqui", explicou Jorge Barcellos. "Não vai ser uma partida fácil. Gana tem um time muito rápido, de forte poder de marcação. Espero que o Brasil jogue bem, pois as meninas estão preparadas para este desafio. Temos que jogar com garra, determinação e cautela."  Nesta sexta-feira, a seleção fará um treino de reconhecimento do estádio onde acontecerá o jogo de sábado, o Worker's Stadium. O confronto com Gana é a última chance do futebol feminino do Brasil, atual vice-campeão mundial, garantir vaga na Olimpíada de Pequim.

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