Marcio Fernandes
Marcio Fernandes

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

19 Setembro 2015 | 17h00

A Portuguesa espera fechar ainda neste ano com a iniciativa privada o projeto de modernização do Canindé que vai representar a salvação financeira do clube. Existem três grupos de investidores interessados no projeto imobiliário que vai reduzir a capacidade do Canindé de 27 mil para 15 mil pessoas e explorar comercialmente o terreno de 100 mil metros quadrados.

Os projetos, ainda não concluídos, sugerem um conjunto residencial, um hotel ou um centro de comercial. A parte social do clube será mantida, mas reduzida e verticalizada. “Esperamos uma boa notícia para 2015 e queremos implementar esse projeto no ano que vem”, diz Jorge Gonçalves, presidente da Portuguesa. 

Fontes ouvidas pelo Estado informam que o projeto já poderia ter saído do papel. Um grupo de investidores norte-americanos decidiu diminuir o passo das negociações depois da perda do grau de investimento do Brasil na classificação de crédito da Standard and Poor's. Decidiram esperar alguns sinais de recuperação da economia brasileira antes de assinar a papelada. 

Além disso, a diretoria decidiu alugar o ginásio poliesportivo para uma igreja evangélica, mas fez questão de colocar uma cláusula de devolução imediata em caso de necessidade. O clube vive momentos de expectativa. 

O otimismo da diretoria, no entanto, esbarra em algumas questões jurídicas. A dívida do clube é de R$ 160 milhões. São R$ 60 milhões de causas trabalhistas e condenações em processos cíveis e cerca de R$ 100 milhões de tribunos federais, estaduais e municipais. Na esfera federal, o clube estuda aderir ao Programa de Modernização da Gestão e de Responsabilidade Fiscal do Futebol Brasileiro (Profut) para refinanciar as suas dívidas. Os cálculos iniciais mostram prestações mensais de R$ 200 mil. Os diretores acharam a parcela muito pesada. 

Para garantir o pagamento dos débitos com ações trabalhistas devidas pelos clubes nas últimas duas décadas, a 59.ª Vara Trabalhista de São Paulo penhorou e tornou indisponível um terreno de 42 mil metros quadrados da sede social do clube. A penhora foi determinada pelo juiz Maurício Marchetti que reuniu oito processos em uma única ação. A soma totalizou R$ 47 milhões (esse valor pode subir se surgirem novas ações). 

Em maio, a Lusa recorreu, mas foi derrotada. Qualquer negociação referente às áreas de administrativas e de lazer (o estádio não está incluído) terá de ser resolvida nos tribunais. No caso das ações, o clube tenta diminuir o valor das condenações. No caso do leilão do Canindé, o clube recorreu de novo para ganhar mais tempo. Resumidamente, isso significa que os investidores terão de fazer um depósito inicial para a Lusa começar a resolver esses papagaios. 

Em outra ponta da negociação, está a Prefeitura de São Paulo, que possui uma área de cerca de 33 mil metros quadrado em comodato com o clube. O poder municipal considera positiva a modernização do estádio para iniciar o processo de revitalização da região do Tietê. A ideia é promover na zona norte o desenvolvimento que aconteceu nos arredores do Rio Pinheiros. 

O principal chamariz do campo da Portuguesa é localização. Ele está ao lado da Marginal Tietê, uma das principais vias de São Paulo, próximo ao Terminal Rodoviário Tietê, o maior da América Latina, e das estações de metrô Armênia e Tietê e até do aeroporto do Campo de Marte. Além disso, o estádio possui ligação direta com o aeroporto de Cumbica, hotéis, hospitais e shopping centers. 

O Canindé ficou grande demais para a Portuguesa. Construído quando o clube tinha mais de cem mil sócios – hoje são pouco mais de três mil –, as instalações são subutilizadas e o custo de manutenção é muito alto. Com isso, a ideia é demolir parte do estádio e fazer uma arena multiuso para gerar mais receitas. Mais ou menos o que acontece com Allianz Parque, sede do Palmeiras, mas que recebeu ontem o show do cantor Rod Stewart. 

Ela também seria bem menor, para 12 mil a 15 mil pessoas. “Quando formos disputar um título, vamos jogar no Pacaembu ou na Arena Corinthians”, disse o presidente, sem perder o bom humor apesar da crise. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

19 Setembro 2015 | 17h00

Restando duas rodadas para o fim da primeira fase, a Portuguesa tem “duas finais” para decidir o seu futuro na Série C do Campeonato Brasileiro. Na quinta colocação do Grupo B, o time do Canindé precisa vencer os próximos compromissos e torcer por um tropeço do Juventude para chegar às quartas de final. Hoje, a equipe enfrenta o Caxias fora de casa. No domingo, o time de Estevam Soares recebe o Tombense. 

Os quatro primeiros de cada grupo se classificam para as quartas de final do torneio. Quem avançar para a semifinal já garante automaticamente o acesso à Série B do ano que vem.

A briga está dividida entre cinco equipes no Grupo B. O Tupi é o líder com 30 pontos. Em seguida, estão o Londrina (28), Brasil de Pelotas (26) e o Juventude fecha o G-4 com 25. Ainda na briga, a Portuguesa soma 24 e Guarani tem 23. 

“São dois jogos fundamentais para nossas pretensões, mas precisamos pensar um de cada vez. Nós estamos nos dedicando muito, vamos ao limite em cada treino e em cada jogo. Agora é a vez de sermos mais frios, lidar com a pressão psicológica”, diz o volante Renan. O técnico Estevan Soares acredita que os rivais vão perder pontos. “Tenho certeza de que alguém que está à nossa frente vai escorregar", diz o treinador. 

Mais conteúdo sobre:
FutebolBrasileirãoPortuguesa

Encontrou algum erro? Entre em contato

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

19 Setembro 2015 | 17h00

Para driblar a crise financeira, a Portuguesa está usando a criatividade. Orientado por Luis Paulo Rosenberg, ex-vice-presidente do Corinthians e atual consultor da diretoria da Portuguesa, o marketing do clube dirigiu o foco inicialmente para a colônia lusitana. 

Das seis mil padarias de São Paulo, quatro mil pertencem a descendentes de portugueses. O resultado foi a conquista do patrocínio de 13 padarias que mostravam suas marcas na parte frontal do uniforme, uma a cada partida, inovação que precisou da autorização da CBF e da Federação Paulista. O clube não confirma oficialmente, mas o Estado apurou que o valor do patrocínio gira em torno de R$ 1,5 mil. Hoje, o clube tem sete marcas no uniforme. 

A estratégia do marketing é diferenciada. Depois de conquistar padarias, o próprio clube agiu como intermediário e foi buscar fornecedores que queriam fazer negócio com esses estabelecimentos. A Adimix, por exemplo, fornece aditivos para panificação; a Barry Callebaut fabrica chocolates. As duas se tornaram patrocinadores fixos. Ou seja: os patrocinadores do time são estimulados a fazer negócios entre si. Quando as vendas aumentam, a Portuguesa também recebe um porcentual em cima desse aumento. 

A iniciativa deu certo, outras marcas se interessaram e o negócio cresceu. O clube traz anúncios de restaurantes, pizzarias e até motéis, sempre diferentes por partida. Para a disputa da Série C do Campeonato Brasileiro, a Lusa assinou 78 contratos de patrocínio, um recorde no futebol brasileiro.

A repercussão positiva da ação – a Lusa apareceu na Espanha, Portugal e Argentina – também atraiu empresas de outros ramos. A cachaça Seleta é a mais nova patrocinadora. “Investir num time que tem uma torcida apaixonada como a da Portuguesa é certeza de retorno. Além disso, é um time que todos os torcedores gostam”, diz Ednilson Machado, da área comercial do patrocinador. 

Jorge Gonçalves, presidente da Lusa, afirma que não existem restrições. “Em uma partida, sorteamos um voucher para uma suíte em um motel que foi patrocinador”, conta. 

O presidente conta orgulhoso como o time é capaz de reunir torcidas adversárias e está recuperando a boa imagem depois de ter sido rebaixada da Série A para a B pela escalação irregular do meia Héverton – o caso ainda está sob investigação do MP. Seu exemplo preferido foi a campanha de 1996 quando a Lusa foi vice-campeã brasileira – perdeu para o Grêmio –, mas atraiu a torcida dos quatro grandes paulistas.

Mais conteúdo sobre:
FutebolBrasileirãoPortuguesa

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.