Reuters/Lee Smith
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Novo rico? Newcastle está perto de ser comprado (R$ 2,2 bi) por fundo da Arábia Saudita; entenda

De acordo com a imprensa britânica, grupo do príncipe herdeiro saudita está disposto a fechar negócio e adquirir o clube inglês. Dinheiro árabe tem mudado patamar de equipes na Europa nas últimas duas décadas

Rodrigo Sampaio, O Estado de S.Paulo

07 de outubro de 2021 | 14h23

O seleto grupo dos clubes endinheirados na Europa pode ganhar um novo integrante nos próximos dias. De acordo com a imprensa britânica, o Newcastle está próximo de ser adquirido pelo Public Investment Fund (PIF, sigla em inglês), fundo de investimentos da Arábia Saudita, no qual o príncipe herdeiro do país, Mohammed bin Salman, é presidente. O grupo está disposto a pagar 305 milhões de libras (cerca de R$ 2,2 bilhões na cotação atual) por 80% do time. A aquisição ainda depende da liberação da Premier League, liga responsável pelo Campeonato Inglês.

O namoro entre o Newcastle e o PIF não é recente, e a negociação por pouco não foi concretizada em abril de 2020. Na ocasião, a Premier League vetou a compra e, junto ao governo inglês, acusou a Arábia Saudita de pirataria. Isso porque a beIN Sports, emissora do Catar detentora dos direitos de transmissão do Campeonato Inglês para o Norte da África e o Oriente Médio, não tinha permissão para operar em território saudita por causa de uma crise diplomática entre os países. O lobby de membros da rede de televisão foi crucial para a barração. 

Nesta quarta-feira, a beIN Sports afirmou que a turbulência entre as nações acerca do assunto foi resolvida e as tratativas entre a PIF e o Newcastle foram retomadas rapidamente com a possibilidade da Premier League dar sinal verde para o acordo. Atualmente, o clube pertence ao bilionário Mike Ashley, empresário do ramo do varejo e duramente criticado pela torcida. 

Os torcedores, inclusive, estão em polvorosa com a possibilidade de o Newcastle virar um nome de destaque no cenário europeu. Quatro vezes campeão da Premier League e sucesso nos anos 90 com o artilheiro Alan Shearer, o time da cidade homônima atualmente é 19ª colocação do Campeonato Inglês, com apenas três pontos. Não é à toa que 93% da torcida se colocou a favor da venda, segundo pesquisa popular. 

No entanto, o sonho de seguir os passos de Manchester City e Paris Saint-Germain, surfando na onda do dinheiro árabe, e muito, já é criticado por aspectos que vão além do futebol. A oferta de aquisição anterior foi desaprovada por ativistas que denunciam violações aos direitos humanos no país, mas a imprensa britânica afirma que o PIF será visto como algo separado do Estado. Relatórios acrescentam que a Premier League pode aprovar a aquisição depois que o consórcio provou que o estado saudita não teria o controle do clube.

Com uma fortuna estimada em US$ 1,4 trilhão (R$ 8,1 tri), Mohammed bin Salman também é um dos nomes ligados à morte do jornalista Jamal Khashoggi, crítico fervoroso do governo saudita e colunista do jornal americano The Washington Post. Ele foi morto e esquartejado no consulado da Arábia Saudita em Istambul, na Turquia, em 2018. Após o episódio, Salman negou que tenha ordenado o assassinato, mas afirmou que o caso está na sua esfera de responsabilidade.  

Árabes na jogada

Nas últimas duas décadas, cresceu o interesse de grupos árabes em investir no futebol europeu como forma de aumentar as relações do Oriente Médio com o ocidente, culminando com a escolha do Catar para sediar a Copa do Mundo de 2022. O futebol foi o caminho encontrado para isso. Tanto City quanto PSG, considerado os dois clubes com maior poder financeiro na Europa, contam com o dinheiro árabe desde os anos 2000 para investimento em infraestrutura e compra de jogadores. 

Nasser Al-Khelaifi, membro da família real do Catar, empresário e presidente do PSG, investiu quase US$ 1,3 bilhão (cerca de R$ 7,3 bilhões) na contratação de atletas nos dez anos em que está à frente do clube, contratando jogadores como Neymar, Mbappé, Di Maria, Ibrahimovic e Beckham. Apesar de não haver números que comprovem a fortuna estimada de Khelaifi, a Qatar Sports Investments, empresa comandada por ele e que também é dona do clube francês, possui ativos no valor de US$ 256 bilhões (R$ 1,4 trilhão). 

Na Inglaterra, o Manchester City tem como presidente Khaldoon Al Mubarak, empresário dos Emirados Árabes e CEO da Mubadala Investment Company, empresa de finanças públicas do país. Sua fortuna é avaliada em US$ 25 bilhões (R$ 137 bi). Nesta temporada, a equipe inglesa desembolsou 100 milhões de libras (R$ 724 milhões) para contratar Jack Grealish junto ao Aston Villa, transformando o meia no jogador mais caro da história da Premier League. 

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