Ari Ferreira/RB Bragantino
Ari Ferreira/RB Bragantino

Novo rico, Red Bull Bragantino vira o protagonista da janela de transferências

Orçamento de R$ 200 milhões e estrutura profissional ajuda clube do interior a se destacar na virada do ano

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

04 de janeiro de 2020 | 04h30

O mercado de transferências do futebol brasileiro tem um novo protagonista nesta janela de contratações. Em vez dos investimentos pesados do Flamengo ou do aporte da patrocinadora do Palmeiras, é o Red Bull Bragantino quem tem feito as contratações mais caras. O clube de Bragança, no interior paulista, é o maior comprador do momento e deve ter como próxima aquisição o atacante Artur, ex-Palmeiras, que será trazido por cerca de R$ 25 milhões. Ao todo, a equipe pode atingir mais de R$ 50 milhões em reforços.

Com um orçamento de R$ 200 milhões para esta temporada, o clube vive uma transformação radical. O antigo Bragantino mudou de patamar em março, ao ser comprado por R$ 45 milhões pela empresa austríaca de bebidas Red Bull. A gestão profissional, a estrutura de trabalho e a capacidade de contratações renderam o título do Brasileiro da Série B e a vaga na elite nacional neste ano.

A partir de 1º de janeiro, o time passou a ser chamado Red Bull Bragantino, mudou o escudo e fortaleceu uma nova marca. O clube deixa cada vez mais evidente o alinhamento ao projeto da matriz austríaca e ao modelo aplicado nas outras filiais de Nova York (Estados Unidos) e Leipzig, na Alemanha. Um dos objetivos principais é revelar jogadores jovens.

Para esta temporada, o time de Bragança Paulista contratou por R$ 13,6 milhões o atacante Alerrandro, de 19 anos, ex-Atlético-MG. Outro reforço foi o zagueiro equatoriano Realpe, ex-Independiente del Valle. O defensor de apenas 18 anos custou R$ 4 milhões. 

O clube está para confirmar as vindas do palmeirense Artur, de 21, e do meia gremista Thonny Anderson, de 20, por quem pode pagar R$ 15 milhões. Por empréstimo vieram o volante Matheus Jesus (Corinthians), de 22, e o lateral Luan Cândido (Red Bull Leipzig), 18. 

Os reforços jovens são atraídos ao clube pela estrutura profissional e a possibilidade de transferência para algum outro time da Red Bull no mundo. Em Bragança Paulista, o elenco encontra um ambiente mais tranquilo de trabalho, longe de pressões políticas de clubes tradicionais ou da cobrança extrema das grandes torcidas.

A ousadia do Red Bull Bragantino não deve terminar tão cedo. A equipe já sinalizou semanas atrás o interesse em contratar o zagueiro Walce, do São Paulo. A proposta pelo defensor de 20 anos é de cerca de R$ 27 milhões. O time do interior paulista tentou também tirar do Atlético-MG o goleiro Cleiton, de 22 anos, avaliado em R$ 18 milhões.

O time só não esperava ficar sem técnico no início deste ano. Antônio Carlos Zago deixou o cargo para assinar contrato com o Kashima Antlers, do Japão. Para escolher o substituto, a diretoria promete ser criteriosa e quer trazer alguém capaz de manter o trabalho com jogadores jovens e de fazer o time priorizar um estilo de jogo ofensivo e com ênfase na posse de bola. Segundo a imprensa portuguesa, um dos cotados para assumir o cargo é o português José Peseiro.

O elenco iniciou ontem a pré-temporada em Itu. Dos 22 jogadores presentes no primeiro treino, 18 são remanescentes do grupo do ano passado. Boa parte do elenco teve passagens por times tradicionais do futebol brasileiro, casos do goleiro Júlio César (Corinthians), do zagueiro Léo Ortiz (Inter) e do atacante Ytalo (São Paulo).

O responsável por cuidar do futebol é o diretor executivo Thiago Scuro. O dirigente teve passagem pelo Cruzeiro e chegou a ser sondado pelo Palmeiras para ser o substituto de Alexandre Mattos no fim do ano passado, mas não aceitou.

PREPARAÇÃO

O trabalho nas contratações se soma ao esforço para reformar o estádio Nabi Abi Chedid. Com capacidade para apenas 15 mil torcedores, o local será ampliado aos poucos e terá condições de receber até 20 mil pessoas.

O clube trabalhou forte nos últimos meses para diminuir uma possível rejeição da torcida pela operação de compra. No Estadual do ano passado, disputado antes da compra pela Red Bull, a média de público foi de 2,2 mil pagantes por jogo. Na Série B o número saltou para mais de 5 mil, impulsionado pela boa campanha do time.

A tradicional família Chedid continua a participar ativamente do dia a dia do clube. O atual presidente é Marco Antônio Chedid, que tem como vice o filho, Luiz Chedid.

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