Novo tipo de gestão é necessária para salvar o futebol no Brasil

Trabalho precisa começar o quanto antes, é a conclusão do debate realizado pela 'TV Estadão' nesta quarta

10 de outubro de 2007 | 17h27

A situação delicada de vários clubes do futebol brasileiro pode ser revertida, desde que haja uma mudança no modelo de administração e o maior problema para se administrar é o amadorismo e o nepostimo. Este é o ponto comum a que o médico e supervisor de Futebol do São Paulo, Marco Aurélio Cunha, e o editor do Jornal do Comércio, Roberto Benevides, chegaram no debate promovido pela TV Estadão, nesta quarta-feira. "O que se vê no futebol são pessoas que entram para administrar, mas que não possuem condição alguma para tal", resume Cunha.  Veja também: Debate - Primeira parte Debate - Segunda parte Debate - Terceira parte Debate - Quarta parte Debate - Quinta parteMediado pelo editor de Esportes do portal estadao.com.br, Milton Pazzi Jr., o debate abordou vários aspectos da administração do futebol brasileiro, entre eles a recente aprovação da Timemania, loteria criada pelo governo federal para ajudar clubes com problemas financeiros a sanar seus gigantescos débitos fiscais.Tanto para Marco Aurélio Cunha como para Roberto Benevides, tal medida não será a solução esperada por clubes como Botafogo e Flamengo. "Não acho que a Timemania seja uma solução, mas é uma medida saneadora, sim. A minha impressão é que isto facilite uma dívida impagável. Já fizeram isto com banco, por que não fazer isto com os clubes? O Governo Federal financia uma série de instituições, e o futebol merece isso", disse Cunha.Para Roberto Benevides, as dívidas deveriam ser sanadas através dos clubes, e não de benefícios do Governo. "Eu sou torcedor do Vasco, e não acho que a atual direção do Vasco mereça ajuda, talvez com o Roberto Dinamite como presidente...", enfatizou Benevides, que conclui: "Perdemos uma grande chance com a Timemania, que é exigir a democratização dentro dos clubes. Ela poderia ter sido um instrumento para os clubes que apenas cumprissem suas ações para com o governo, e que o poder fosse dos associados dos clubes, e não para apenas de alguns conselheiros. Você é sócio, você contribui, você decide."Qual a solução para essa crise? São muitos os pontos que formam o contexto. A Lei Pelé é um dos caminhos. Marco Aurélio Cunha defende um adendo na lei para que os clubes possam segurar suas revelações e, assim, estruturar os elencos e, conseqüentemente, valorizar os campeonatos nacionais. Já Roberto Benevides não enxerga a Lei Pelé como sendo um problema no desenvolvimento do futebol brasileiro, mas alerta para a vinda de clubes europeus ao Brasil, através de parcerias com clubes do interior do estado de São Paulo. "É preciso tomar cuidado com estas parcerias, pois os clubes europeus montam seus centros em clubes do interior e tiram os jogadores antes mesmo de terem a chance de jogar por um grande time do futebol brasileiro."Dentre os outros temas abordados, a administração do São Paulo foi elogiada, não só pelos títulos do clube, mas a forma como são conduzidas as negociações com atletas e patrocinadores, o que não acontece com a maioria dos clubes brasileiros, tendo como contraste o Corinthians. Foi falado também sobre a perspectiva para os clubes brasileiros, em comparação com o futebol europeu, e a perspectiva de futuro com a Copa do Mundo de 2014, que está perto de ser ratificada pela Fifa com o Brasil como sede.

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