Marcio Fernandes
Marcio Fernandes

Novos treinadores sofrem para entrar no 'Clube do Bolinha'

Nova geração de técnicos ensaiou uma renovação da categoria, mas não suportou a pressão por resultados imediatos

Almir Leite, Gonçalo Junior e Raphael Ramos, O Estado de S.Paulo

09 de agosto de 2014 | 17h00

Vários treinadores que ensaiaram um processo de renovação no comando dos clubes brasileiros não conseguiram chegar ao outro lado do caminho. Foram sugados, em suas próprias opiniões, pelo imediatismo do futebol de resultados e pela falta de uma “marca” no mercado. Por isso, acabaram demitidos antes de entrarem para o grupo dos treinadores top do mercado brasileiro. Foi o que aconteceu, por exemplo, com Marquinhos Santos, campeão paranaense com o Coritiba em 2013, mas que foi demitido pelo Bahia no final de julho; Enderson Moreira, que deu lugar para Felipão no Grêmio depois de ter feito bom trabalho no Goiás, além de Gilson Kleina, que deve acertar com o mesmo Bahia depois de passar por Ponte Preta e Palmeiras.

Marquinhos Santos vê com naturalidade que, na dança das cadeiras, os lugares acabem sempre ocupados pelos mesmos nomes consagrados. “É um processo natural que os dirigentes e até os torcedores tenham menos paciência com treinadores que ainda não têm grife no mercado”, diz o treinador, que atua como profissional há dois anos.

Gilson Kleina aponta a necessidade de um plano de carreira, ou seja, os treinadores deveriam trabalhar nas categorias de base, clubes medianos e só poderiam assumir um clube de ponta depois de dez anos. “Muitos estão se tornando treinadores da noite para o dia”, diz Kleina. “Precisamos preparar melhor os profissionais. Idade não quer dizer experiência. Isso em qualquer segmento”, diz.

Silas, contratado pela Portuguesa na semana passada, concorda que o período de dez anos é o divisor de águas na carreira. “Sou treinador há sete anos. Acho que o técnico só é respeitado quando rompe a barreira dos 10 anos”, afirma o treinador, que acumula passagens por Avaí, Grêmio e o futebol do Catar. “É preciso adquirir experiência. No Avaí, por exemplo, você luta para se manter na Série A; no Grêmio, tem de conquistar títulos. O trabalho só continua se o time ganha. Caso contrário, cai tudo por terra. Mas isso se aprende no dia a dia”, afirma.

Esse é um consenso entre todos da nova geração: a incompatibilidade entre a pressão por resultados imediatos e o tempo de montagem de um time. “É exatamente entre o 11º e 12º mês que o trabalho começa a dar resultados”, diz Marquinhos Santos, repetindo uma avaliação de Gilson Kleina.

Toninho Cecílio, outro treinador que ainda aguarda uma chance em um clube grande, afirma que o problema não é apenas o desempenho do técnico, a sequência de vitórias e derrotas, e sim a forma de gestão dos clubes. “O treinador fica muito exposto aos maus gestores. Eu quero ver gestor cobrando jogador e não só trocando treinador”, afirmou Toninho.

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