Lucas Figueiredo/ CBF
Lucas Figueiredo/ CBF
Imagem Robson Morelli
Colunista
Robson Morelli
Conteúdo Exclusivo para Assinante

Números da seleção brasileira escondem um time emperrado e sem brilho faltando 1 ano para a Copa

Liderada por Neymar, equipe de Tite, no quesito 'bom futebol', está atrás de seus rivais da Europa e comparada com a Argentina, para quem perdeu a Copa América

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

11 de outubro de 2021 | 05h00

O Brasil lidera as Eliminatórias, vai ser uma das primeiras seleções a confirmar presença na Copa do Mundo do Catar, tem em suas fileiras um dos melhores jogadores do mundo, Neymar, mas está no fim da fila entre seus rivais europeus e perdeu a última decisão, da Copa América, para seu maior rival no continente, a Argentina. Para quem não acompanha a seleção de Tite de perto e se vale dos números e da presença de alguns jogadores que brilham na Europa, a impressão é de que o Brasil vai engolir seus adversários no Catar e ganhar o sexto título mundial.

Nesse caso, os números escondem um futebol ruim e uma equipe com dificuldades para se acertar em campo, totalmente dependente de Neymar. Sem o atacante do PSG, a seleção é um time comum e capaz de sofrer diante da lanterna do continente, a Venezuela.

Neste momento, a seleção brasileira está atrás, no quesito ‘futebol bem jogado’, de uma lista de rivais europeus. O Brasil é pior do que as quatro equipes que disputaram as semifinais da Liga das Nações, por exemplo: Espanha, Itália, França e Bélgica – algoz do grupo de Tite na Copa do Mundo da Rússia.

Também não é melhor do que Alemanha e Holanda. Sérvia e Portugal, com Cristiano Ronaldo bem na temporada, estão, no mínimo, em situações parelhas à do Brasil. Há uma Dinamarca que está dando o que falar nas Eliminatórias Europeias, com 21 pontos em sete partidas. Ou seja, ainda invicta na competição do lado de lá do Atlântico. Nenhum outro time tem tantos pontos. E há uma Inglaterra animada.

É claro que tudo muda numa Copa do Mundo. O Brasil sempre será respeitado por sua história e pelos cinco títulos conquistados – mais uma vez os números. Nenhuma outra seleção também participou de todas as Copas.

O país de Pelé, Garrincha, Rivellino, Didi, Tostão, Romário, Rivaldo, Ronaldo e tantos outros nunca será desdenhado num Mundial e sempre chegará ao país-sede apontado como um dos candidatos a se dar bem. Mas isso não ocorre desde 2006. De lá para cá, só deu europeu, inclusive na edição de 2014, em que o Brasil foi anfitrião, quando Alemanha e Argentina fizeram a final no Maracanã e deu o time germânico, com vitória de 1 a 0. Em 2006, a Itália ficou com a taça. Em 2010, foi a vez de a Espanha consagrar sua geração. Na segunda Copa no Brasil, todos sabem a história. E na última edição, em 2018, a França brilhou na Rússia.

Nessas disputas, a seleção brasileira nem passou perto de brigar pelo hexa. Nem mesmo em casa, quando também perdeu o jogo pelo terceiro lugar para a Holanda. Em todos esses Mundiais, o Brasil tinha um time melhor do que o atual comandado por Tite e que tem em Neymar sua maior aposta. Ocorre que o atacante do Paris Saint-Germain vai para sua terceira tentativa e até agora não foi sequer um dos melhores da competição.

Vendo o Brasil jogar, em testes ou com seu time principal, o torcedor não alimenta muitas esperanças. Não seria demais, portanto, imaginar que a seleção, com esse futebol, corre risco de ser eliminada na primeira fase do Catar. Não seria a primeira vez. A última delas ocorreu em 1966, com Pelé no time, mas machucado. Na Inglaterra, após ganhar o Mundial de 62, no Chile, o Brasil venceu sua primeira partida contra a Bulgária por 2 a 0, mas perdeu para Portugal e Hungria, ambos por 3 a 1, e deu adeus ao torneio.

Não foi a única vez. Em 1930, na primeira Copa, o Brasil derrotou a Bolívia, mas ficou pelo caminho diante da Iugoslávia. Quatro anos depois, em 34, num outro formato e com menos participantes, a seleção caiu em mata-mata com a Espanha.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.