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Nuvens densas

A CBF flerta com a polêmica na escalação de árbitros para jogos de Corinthians e Galo O clima no Brasileiro, à medida que se aproxima a fase de definição, sobretudo de título, anda mais pesado do que o temporal que desabou ontem sobre São Paulo. Tem clube que chora tantas mágoas por causa de arbitragem que as lágrimas vertidas parecem se transformar na água que alagou diversos pontos da cidade. E a CBF faz o quê? Vistas grossas, para variar, como se o assunto não fosse com ela.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

09 de setembro de 2015 | 02h01

O tema é sério, muito além do que supõem dirigentes encastelados no ex-edifício "José Maria Marin", na Barra da Tijuca. Num momento delicado para a credibilidade da entidade que controla o futebol do País, a turma enfia o pescoço na terra, numa de avestruz, e despeja gasolina na fogueira. Depois não sabe por que é das instituições mais desprezadas pelo público. Coisa de espírito de porco.

A interrogação da vez está na definição dos juízes para a rodada deste meio de semana. E em especial nos jogos de Atlético-MG (contra Avaí, em BH) e Corinthians (com o Grêmio, em Itaquera). Para a apresentação dos mineiros vice-líderes e pra lá de cismados de que tem mutreta na competição, foi designado trio com novatos. Já no clássico do líder e visto como principal beneficiado por escorregadas do apito, a escalação coube a um mediador que, anos atrás, se viu centro de debates por ter ajudado o time paulista, além de ser mais rodado e ter mais traquejo.

Precisava disso? Claro que não, ainda mais agora que há possibilidade de embolar tudo na parte de cima da classificação. Nem se trata de mostrar autonomia, isenção e blindagem da Comissão Nacional de Arbitragens a pressões - cartolagem do Galo foi ao Rio para protestar na CBF e pedir rigor na avaliação do trabalho de suas senhorias.

Medida sensata, austera, resposta aos que se aproveitam dos erros para alimentar suspeitas e incentivar teorias de conspiração, seria a de convocar só árbitro de primeira linha para Corinthians, Atlético-MG e Grêmio, aparentemente os únicos com fôlego para chegar à taça. Se, lá adiante, outros entrarem no topo, faça-se algo semelhante.

Transparência não é meta inatingível. Basta um pouco de boa vontade.

Desafios. O trio de destaque da Série A tem uma quarta-feira de emoção. A combinação de dois resultados pode deixar a diferença do primeiro para o terceiro em apenas três pontos e com mais 14 rodadas até dezembro. Para tanto, o Atlético precisa vencer (iria para 48), assim como o Grêmio (que subiria para 47). O Corinthians estacionaria nos 50. Para esquentar com tudo.

Na teoria, é uma possibilidade. Na prática, nem tanto. A tarefa mineira se mostra mais exequível do que a gaúcha. O Avaí desce a ladeira e terá de aguentar o ímpeto de uma equipe e uma torcida que se sentem preteridas. Precisam, portanto, ganhar, no mínimo para reforçar o sentimento de que seguem firmes e para cima, "contra tudo e todos."

No caso do Corinthians, a história é outra, pois atua em casa e dá as cartas. O dérbi com o Palmeiras foi épico, comprovou a capacidade de reação alvinegra, mesmo se tenha levado três gols. O novo teste ocorre contra um adversário com marcação forte e que tem a noção de que chegou à encruzilhada: arranca de vez ou o título de 2015 vira delírio. Bom jogo.

San-São. O encontro paulista, na Vila, tem contorno de programa interessante. Os dois sobem, apesar dos problemas. O São Paulo supera desfalques em pencas e, com oscilações, frequenta o G-4. O Santos provocava angústias e agora também sonha com vaga na Libertadores. Para que se mantenham com ânimo elevado, a vitória é necessária. Equilíbrio

Ensaio. Inter e Palmeiras tendem a fazer figuração, pela distância que têm dos líderes. Por isso, podem utilizar o jogo de início de noite, em Porto Alegre, como aperitivo para os dois confrontos que terão, ainda este mês, pelas quartas de final da Copa do Brasil. Talvez seja a alternativa melhor para concentrarem forças em busca de um troféu em 2015.

 

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