O abismo aumenta...

Diferença de qualidade entre equipes sul-americanas e europeias fica cada vez mais evidente ao longo dos anos

O Estado de S.Paulo

17 Dezembro 2017 | 03h00

Não importa se se chama Copa Intercontinental, Taça Toyota, Mundial de Clubes ou tenha outro nome. Tanto faz se patrocinado por montadora de automóvel ou governo. Tampouco muda o valor e significado, se organizado e reconhecido ou não pela Fifa.

A verdade óbvia e doída, renovada a cada ano, escancara o abismo no duelo entre europeus e sul-americanos na hegemonia do universo do futebol. A turma “lá de cima” aprofunda a vocação para ser multinacional da bola e tem até certo tédio ao topar com os mortais desta parte do planeta, num tira-teima singular.

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O enfado apareceu, por exemplo, quando o Barcelona amassou o Santos (2011) ou passou pelo River Plate (2015). E ainda na ocasião do confronto entre Real e San Lorenzo (2014). Sem contar que, no meio do caminho, houve finais inusitadas com Mazembe, Raja Casablanca e Kashima Antlers (os japoneses, por sinal, foram os que mais deram trabalho, ao caírem para o Real na prorrogação, no ano passado, com o placar de 4 a 2).

Pois bem, a atitude quase blasè de novo deu o ar da graça, na noite de ontem, em Abu Dhabi, no jogo entre Real e Grêmio. Os espanhóis levaram o troféu para a sede pela sexta vez (computadas todas as versões), sem se esfalfarem em campo. Parecia que estavam lá nos Emirados Árabes para cumprir compromisso protocolar, entre uma rodada e outra do campeonato deles. Exagero? Não. Saíram de casa uma semana atrás, depois de lascarem cinco no Sevilla. Daí, se livraram de Al Jazira e Grêmio, na aventura nas Arábias, passaram a mão na taça, encheram as burras com mais grana e hoje embarcam de volta para Madri, porque no próximo sábado tem clássico com o Barcelona. E, na realidade paralela em que vivem, essa é a parada que vale.

O rival brasileiro não foi páreo para a legião estrangeira orientada por Zidane. O Grêmio esboçou pressão por, vá lá, 5 ou 6 minutos. O tira-gosto se assemelhava à postura diante do Lanús, na Argentina, na finalíssima da Libertadores. Ilusão que a brisa primeira levou. O Real não se descompôs e, antes dos 15, já mandava e desmandava.

Marcelo, Casemiro, Kroos fecharam espaços; Modric (o melhor na jornada) organizava o meio-campo e o Real garantiu posse de bola sem suar a camisa, e rondou como quis a área tricolor. Não teve voracidade e pontaria – tanto que Grohe não se destacou. Porém, o gigante colecionou 20 finalizações e, em nenhum momento, se sentiu ameaçado. Navas não viu a bola.

O Grêmio deu um chute a gol, em cobrança de falta na etapa inicial. No mais ficou atônito na marcação e sem saber o que fazer, quando ganhava divididas e se lhe oferecia contragolpe. Branco total, insuperável. Luan, a esperança da trupe nacional, sentiu o peso da missão e desapareceu, como quase todos os colegas. Na zaga, Geromel foi estupendo, seguido por Kanemann.

Estaria a esquecer de Cristiano Ronaldo? Ó pá, claro que não. O português não foi maravilhoso; ao contrário, esteve até contido nos dribles e arremates. No entanto, gênio precisa de um lampejo, que apareceu no início do segundo tempo, ao bater falta que havia sofrido. Chute colocado, barreira aberta, gol e fim de conversa. Quem tem Cristiano não fica a ver navios na hora da decisão. Ainda demora para desbancarmos os europeus, como fizemos tantas vezes num doce passado, em que o desequilíbrio estava a nosso favor.

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PAUSA

A coluna de hoje encerra minha 13.ª temporada consecutiva como articulista do Estadão. Em 2017, foram em torno de 90 artigos, que se juntam aos mais de 1000 já publicados por aqui. Obrigado ao leitor por tanto carinho, paciência e interação. Agora, respiro – e o retorno na segunda quinzena de janeiro. Um sereno Natal e Feliz 2018 para todos nós. 

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