Washington Alves/Estadão
Washington Alves/Estadão

'O atual Atlético-MG me faz lembrar 1971', afirma Dadá Maravilha

Artilheiro do único título do Brasileirão conquistado pelo clube mineiro aponta diferenças e semelhanças entre o time de Telê e a equipe de Sampaoli

Entrevista com

Dadá Maravilha, ex-jogador do Atlético-MG

Guilherme Amaro, O Estado de S.Paulo

13 de setembro de 2020 | 06h00

Após quase 50 anos do único título do Atlético-MG no Campeonato Brasileiro, o time de Belo Horizonte se credencia como um dos favoritos para conquistar a disputa nacional nesta temporada. Artilheiro do Brasileirão de 1971, com 15 gols, Dadá Maravilha acredita que o elenco comandado por Jorge Sampaoli lembra o time de Telê Santana que foi campeão naquele ano. A principal diferença, na opinião de Dadá, é que o Atlético-MG de 1971 era mais “guerreiro”, enquanto o atual apresenta um futebol mais bonito e vistoso.

Nesta entrevista exclusiva ao Estadão, Dadá também aponta outra semelhança entre 1971 e 2020: o apoio dos jogadores aos respectivos técnicos. Aos 74 anos e comentarista da TV Alterosa, Dadá lembra a comemoração dos atletas com Sampaoli após a conquista do Campeonato Mineiro. O treinador argentino foi bastante festejado. Com 15 pontos e oito jogos, o Atlético recebe o Bragantino, neste domingo, pela 10.ª rodada do Brasileirão. 

Como você tem visto esse Atlético-MG do Sampaoli?

O time está com credibilidade, o Sampaoli fez os jogadores se unirem. Está tocando bem a bola, indo todo mundo ao ataque, triangulando e sempre criando boas jogadas. Está bonito de ver esse Atlético-MG.

Quais as semelhanças e diferenças desse time para o de 71?

Não vou fazer nenhuma comparação, mas vi o Santos de Pelé, o Palmeiras de Ademir da Guia, o Flamengo de Zico, o Botafogo de Jairzinho, o Corinthians de Rivellino... Vi muita coisa boa no futebol, e agora estou vendo esse Atlético-MG que me faz lembrar o time de 1971. Agora é um time mais vistoso, um futebol mais bonito. Em 1971, a gente era um time de guerreiros, de amor à camisa. Os caras até perguntavam como que a gente corria tanto. A diferença agora que eles não tem o Dadá e acabam perdendo muitos gols (risos). Eles jogam mais do que a gente jogava, mas em 1971 era um time mais fatal.

Vê o Atlético-MG como favorito ao título do Brasileirão?

O time agora tem a vantagem de só ter o Brasileiro para batalhar e vencer. Tem condições de ser campeão pelo futebol que está jogando, e acredito que vai melhorar ainda mais. Mas não posso afirmar que vai ser campeão porque tem outros times muito fortes, como Flamengo, Internacional, Palmeiras, São Paulo... São times de tradição, e o Atlético-MG vai ter de correr atrás. Está pegando moral, está crescendo e sendo mais respeitado agora para voltar a ser campeão depois de 50 anos.

Como analisa a forma de jogar do Sampaoli, que gosta de um time bastante intenso, sempre no ataque?

Ele valoriza muito o toque de bola, e isso lembra bastante o que o Telê pedia. O Telê Santana trabalhava mais triangulações, que esse Atlético-MG ainda não faz tanto. Nosso time tinha de ter sempre três jogadores perto da bola. O time do Sampaoli também está bem organizadinho e ele conseguiu unir o elenco. Me encantou ver os atletas levantarem o Sampaoli na final do Mineiro. Me lembrou quando nós jogamos o Telê para cima quando ganhamos o Brasileirão.

O que acha que ainda pode melhorar nesse time?

Aos poucos, a equipe vai se ajeitando ainda mais. Acho que se voltar a ter público no estádio, o Atlético-MG vai crescer, porque aquela torcida faz os jogadores correrem.

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