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Antero Greco
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O banco resolve

Na crônica de domingo, neste espaço, o foco foi para os bancos. Na minha opinião, a vitória no clássico entre Palmeiras e Corinthians poderia vir do lado que soubesse usar melhor os reservas. Desta vez, coube a Cuca as escolhas mais acertadas, a começar pela troca de Roger Guedes por Cleiton Xavier. Pois o rapaz entrou, depois do intervalo, e com poucos minutos em campo marcou o gol que resolveu o placar em favor do time.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

13 de junho de 2016 | 03h00

O tato nas mexidas, durante as partidas, será fundamental para abrir caminho de quem pretende chegar ao título. Em campeonato longo e equilibrado como o Brasileiro, o recurso da "regra três" é decisivo. Por isso, também, a observação de que Cuca tinha vantagem sobre Tite nesse aspecto; as opções do palmeirense são mais variadas, e com qualidade superior, àquelas do colega corintiano.

Cuca agiu com inteligência. Após um primeiro tempo sonso, em que não se construiu nada que prestasse, arriscou na substituição na pausa e não com a bola a rolar de novo. Cleiton Xavier se mostrou impecável não apenas pelo fato de ter completado o lance do gol. O camisa 10 alterou o ritmo da equipe, deu precisão aos passes para Dudu e Gabriel Jesus; enfim, tornou o Palmeiras mais consistente. Não é de agora que a torcida espera que se transforme no regente da companhia. As outras duas mudanças – Rafael Marques e Matheus Sales nas vagas de Dudu e Moisés – tiveram menos impacto.

Tite, ao contrário, não teve muito a quem apelar para obter a reviravolta. Ao perceber que perdia o meio-campo, na segunda parte, tirou Guilherme, opaco, e convocou Danilo, o veterano que costuma desatar nós em duelos complicados. Em seguida, atreveu-se com Maicon no lugar de Cristian (e nessa se deu mal) e André nos últimos minutos no lugar de Luciano, outro que esteve apagado e mal apareceu.

Essas novas configurações deixaram claro o trunfo de Cuca. Foi-lhe entregue elenco que dá espaço para diversas composições, sem perda de competitividade. Antes, até a aumenta, a depender do momento. Como se viu no dérbi de casa cheia e torcida única. Louvável, no primeiro aspecto, ao comprovar como o palestrino aceitou bem o estádio novo e se sente à vontade nele. Lamentável, no segundo, porque Palmeiras x Corinthians se caracterizou, em 99 anos de história, pela divisão das arquibancadas. Triste ver só uma cor.

A frustração que se desenhou com o primeiro tempo sem emoção levou um bico e foi para escanteio no segundo. O gol de Cleiton atiçou o Corinthians, que deu uma chacoalhada e foi à frente. Chegou à área de Prass, ensaiou o empate, porém esbarrou num ponto que ameaça virar o calcanhar de aquiles da versão 2016: o meio do ataque.

Tite não encontrou, ainda, o jogador certo para a função de centroavante. Não é André, nem Luciano, tampouco Romero. Não existe uma referência para bolas na área, falta goleador. Muitos acham bobagem esse papo de "camisa 9". De fato, é supérfluo, desde que outros cumpram a função de empurrar a bola para o gol. O Corinthians hoje não tem variedade de finalizadores. Não é por acaso que balança nos torneios de que participa.

No Palmeiras, esse leque é amplo – outro ponto a favor de Cuca. A prova veio com as oportunidades criadas, ao reequilibrar o jogo. Poderia ter vencido por diferença maior. E, como todo clássico que se preze, pintou a polêmica: no último minuto, o árbitro anulou o que seria o gol de empate do Corinthians, ao apitar falta de Felipe na disputa com Fernando Prass. Muitos consideraram a jogada normal. Vários discordaram; estou no segundo grupo.

Nem 20% do calendário da Série A foi percorrido, o que significa que intenso sobe e desce ocorrerá na tabela. Mas se delineia um Palmeiras disposto a embalar, e sem meios-termos (cinco vitórias e duas derrotas). Em contraponto a um Corinthians a oscilar, e a carregar uma incógnita: qual o fôlego para suportar os desafios até dezembro?

E viva Santo Antônio!

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