Arquivo/Estadão
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'O Brandão soube nos preparar', diz Alfredo Mostarda

Ex-zagueiro do Palmeiras relembra, em entrevista ao Estado, o nervosismo dos jogadores do Corinthians após a abertura do placar

Entrevista com

Alfredo Mostarda

Diego Salgado e Wilson Baldini Jr., O Estado de S. Paulo

22 de dezembro de 2014 | 07h00

O ex-zagueiro Alfredo Mostarda fez parte da grande equipe do Palmeiras da década de 1970. Em 1974, ajudou a equipe alviverde a prolongar o sofrimento do arquirrival Corinthians. Em campo, viu Leivinha subir mais do que Brito e servir Ronaldo, autor do gol do título estadual daquele ano.

Alfredo também presenciou o nervosismo dos jogadores alvinegros após a abertura do placar. Depois da histórica partida, sofreu com a atitude de alguns torcedores rivais, insatisfeitos com o resultado. De família corintiana, o ex-zagueiro relembra dos fatos ligados ao título do Paulistão de 1974, conquistado há exatos 40 anos. 

Qual o papel o Oswaldo Brandão na conquista de 1974?

Ele foi essencial, comandava o grupo muito bem. O Brandão soube nos preparar para a partida. Sempre tinha alguma coisa diferente. Durante a semana, o Brandão disse que teríamos de entrar para o jogo mais fortes, por causa da situação do Corinthians. A imprensa falou demais e até nos ajudou de certa forma. Colocaram a gente lá embaixo. O Brandão falou muito sobre isso durante a semana. Ele nos deu força.

E como lidaram como o fato de o Corinthians enfrentar o jejum?

Nós ficamos na bronca com o Corinthians. Eles jogaram com o time reserva na última partida do segundo turno. Isso nos deu força também. Sabíamos que venceríamos ali e depois na decisão. Tínhamos certeza absoluta que seríamos campeões.


Os jogadores do Corinthians sentiram a pressão no jogo final?

Sim, muito. Principalmente quando tomou o gol. Eles perdiam a bola. Isso não acontecia. Antes, eles achavam que iriam decidir a partida a qualquer momento. Mas mudaram depois do gol. Sentíamos que o problema, no caso, era emocional.

Como a torcida se comportou depois?

Alguns amigos meus ficaram na bronca comigo. Eu morava na Penha na época, meu pai era corintiano. Logo depois da partida, fomos para o Parque Antártica. E fui embora para casa em seguida. Minha esposa estava apavorada, pois estavam jogando pedras no telhado. Isso tudo me chateou muito. A torcida do Corinthians ficou muito brava.

O gol foi marcado na reta final do segundo tempo. O que você lembra da jogada?

O Leivinha subiu muito na jogada. O Jair Gonçalves cruzou da direita, o Leivinha cabeceou e o Ronaldo pegou de sem-pulo. Foi sensacional. A gente sentia que jamais perderia o título.

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