O clássico

Jogos entre rivais têm vida própria e impõem a escalação do melhor possível

O Estado de S.Paulo

14 Maio 2018 | 04h00

O Corinthians não pôde poupar jogadores na quinta-feira passada, quando fez um jogo eliminatório pela Copa do Brasil, derrotou (3 a 1) o Vitória em Itaquera e avançou no torneio que pagará R$ 50 milhões ao campeão, fora a premiação por fases anteriores à final. Com o ritmo pesado de um compromisso a cada 3,3 dias desde a semana anterior, seria natural preservar alguns atletas no domingo, afinal, é preciso encarar mais de 6 mil quilômetros até Cabudare, na Venezuela, onde o time precisa pontuar ante o Deportivo Lara, desta vez pela Copa Libertadores.

Mas Fábio Carille não poupou seu elenco, ontem, em Itaquera. O técnico mandou força máxima a campo, afinal, o adversário era o Palmeiras. E o duelo entre os rivais tem vida própria, ganhou mais corpo nos últimos anos e contornos dramáticos com a polêmica final estadual. Decisão vencida pelos alvinegros na casa adversária, onde só havia torcedores de verde. Isso, somado à discussão sobre arbitragem, que 36 dias depois ainda se arrasta, praticamente proíbe qualquer treinador de escalar algo que não seja o melhor.

É o clássico! Como no sábado Grêmio e Internacional se digladiaram em mais um confronto marcado por rivalidade extrema. Sentimentos que se acentuam quando um está muito bem, como os tricolores campeões do Estado e da América, e outro mal, caso dos colorados, que retornam de um mergulho inédito na segunda divisão. Também foi assim há oito dias, quando o Barcelona, já campeão espanhol, recebeu o Real Madrid, mais uma vez finalista da Liga dos Campeões. O fato de o troféu doméstico já ter dono não impediu que a peleja fosse marcada por polêmicas e duras disputas. Não há como reduzir a temperatura.

No gramado de Itaquera, Carille optou por um Corinthians sem centroavante, apesar de agora ter Roger, um típico camisa 9. Parte por ainda não poder contar com ele na Libertadores, por exemplo, mas principalmente porque sua equipe se ajusta sem um homem da posição. Afinal, há Rodriguinho, que assume a função de empurrar a bola para as redes, especialmente em clássicos. E o fez novamente contra o Palmeiras de Roger Machado, mais nervoso do que o habitual e reclamando da arbitragem como nunca. Os efeitos da discutida decisão paulista pareciam ainda afetar os alviverde.

O Palmeiras entrou em campo com mais investimento, elenco farto, situação já resolvida na Libertadores com classificação em primeiro do grupo assegurada, mas no clássico a distância desapareceu. Mesmo acostumado a vencer em Itaquera, como na primeira partida decisiva do Campeonato Paulista, o time visitante teve a bola em seu poder metade do tempo, mas não foram dele as melhores oportunidades, e sim as defesas mais difíceis, com seu goleiro, Jailson. E ainda assim esbarrou na trave. Clássico!

CARÊNCIA

Daniel Alves não tem substituto. A lesão de Daniel Alves causou incomum preocupação na seleção, às vésperas da convocação para a Copa. O baiano, que completou 35 anos há oito dias, não tem substituto. A constatação foi automática quando nos deparamos com o fato de que ele tinha grandes chances de desfalcar o time de Tite. Fosse outra posição, o problema não seria tão grande. Além de raros camisas 9, nota-se que o futebol brasileiro não vem “fabricando” laterais do mesmo nível, na direita e também na esquerda. Sim, pois Marcelo está a uma distância ainda maior dos seus concorrentes(?). Pelo menos o jogador, que há mais de uma década brilha no Real Madrid, é mais jovem, completou 30 anos sábado. Em tese pode encarar mais um Mundial. A carência é nítida e pode pesar já na Rússia.

 

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