Hélvio Romero/Estadão
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O craque solitário

A cada jogo, fica mais claro que sem Messi o Barcelona de hoje seria, em quase todas as partidas, um time absolutamente comum

Mauro Cezar Pereira, O Estado de S.Paulo

27 de maio de 2019 | 04h30

No início foi Ronaldinho Gaúcho. Messi, aos 18 anos, ganhava espaço aos poucos entre os titulares. Frank Rijkaard costumava escalá-lo na ponta-direita, mas mesmo ainda parecendo menino, teve relevante participação na conquista da Champions League, apesar de não jogar a final. Estava lesionado, já que, depois de dar um baile em Asier del Horno, sofreu violenta entrada do jogador espanhol do Chelsea, que o afastou do restante do certame.

O camaronês Samuel Eto’o também foi companheiro do argentino nos seus primeiros momentos entre os profissionais do Barcelona, assim como o islandês Gudjohnsen e Giuly, francês como Thierry Henry, que chegou mais tarde, quando Messi já se firmava como principal nome da equipe. Juntos ganharam todos os títulos em 2009 e o sul-americano foi eleito pela primeira vez o melhor jogador de futebol do mundo na premiação da Fifa.

Mas nem só de atacantes foram formadas suas parcerias. Xavi, maestro do Barça, era um professor em campo para todos, inclusive Messi, que recebia passes precisos dele e geniais de Iniesta, autor de inúmeras assistências para o camisa 10. À frente, os também espanhóis David Villa e Pedro foram companheiros eficientes do argentino, ajudando a ser mais três vezes eleito como o melhor do planeta, entre 2010 e 2012.

O chileno Alexis Sanchez chegou ao Barcelona em 2011 e se saiu bem ao lado de Messi. Mas foi com outros atacantes da América do Sul que ele brilhou ainda mais.

Já não era mais o Barcelona de Pep Guardiola com seu toque de bola incomum, mas o time veloz e letal que tinha em Neymar e Luisito Súarez os companheiros que com o argentino formaram o trio MSN. Avassaladores na campanha do título europeu.

Quando juntos levantaram a taça da Champions League em 2015, aquilo parecia ser o começo de uma nova era hegemônica do clube catalão. Mas na verdade virou de domínio do Real Madrid, que ergueu o troféu de campeão da Europa três vezes consecutivas. Em meio ao período de conquistas merengues no cenário internacional, o Barça seguiu ganhando quase tudo na Espanha, como quatro dos cinco últimos títulos da Liga.

Mas Neymar foi embora. Sem o brasileiro o trio se desfez, embora Suárez ainda decida jogos e seja um companheiro à altura de Messi, a baixa foi considerável. Iniesta, em reta final de carreira, se despediu e a dependência da equipe em relação ao seu maior jogador cresceu.

E como cresceu. Ele corresponde, decidindo jogos sem parar e assim levou o time ao título nacional de 2018/2019.

Mas os fracassos têm sido traumáticos. Na Liga dos Campeões o Barcelona, liderado pelo seu genial camisa 10, impôs 3 a 0 ao Liverpool no Camp Nou. Mas levou histórica virada na Inglaterra, onde perdeu por 4 a 0. Como Messi não conseguiu marcar, o time foi eliminado de maneira inesperada, traumática, vergonhosa até, tamanha a vantagem que não soube usar.

Sábado ele mandou a bola na trave, marcou um gol, mas não foi o bastante para evitar a derrota por 2 a 1 para o Valencia, resultado que significou a perda da Copa do Rey da Espanha. Philippe Coutinho, que custou € 160 milhões, e Ousmane Dembele, jogador de € 110 milhões, não repetem o que outros fizeram.

Carregando nas costas um Barcelona que se desfez, que quando entra em campo ainda se impõe e assusta os rivais, quando assusta, pela camisa, história, por seu peso natural.

Mas a cada jogo como esta final, que fechou a temporada, fica mais claro que sem Lionel Messi o Barça de hoje seria, em quase todas as partidas, um time absolutamente comum. Ele faz a diferença de tal forma que há momentos que faz parecer que o time catalão ainda é tão poderoso, uma ilusão gerada por sua genialidade.

Fato, o craque está só.

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