O dia em que o Palmeiras viveu os dramas de um time de Society

Elenco alviverde treinou em um campo sintético, no modesto Nacional

Daniel Batista, O Estado de S.Paulo

24 de abril de 2013 | 20h38

SÃO PAULO - A quarta-feira, dia 24 de abril, ficará marcada na memória de muitos jogadores do Palmeiras. Foi o dia em que eles  voltaram no tempo e profissionalmente treinaram em um gramado sem qualidade onde conseguir o domínio da bola era o grande desafio. Problema semelhante viveram apenas no início da carreira, quando aspiravam chegar em um time do tamanho do Palmeiras. Ou então, nas peladas com amigos em quadras de futebol society espalhados pelo país - algo que alguns deles fazem até hoje.

Para conseguir se adaptar melhor ao campo do estádio Calientes, palco da partida contra o Tijuana, terça-feira, pelas oitavas da Libertadores, os jogadores palmeirenses foram treinar em um campo com grama sintética que fica no Nacional, tradicional e modesto clube da capital e que vai disputar a quarta divisão de São Paulo neste ano.

Logo na entrada, um portão azul foi aberto para a entrada do ônibus que levava a delegação palmeirense. Embora o local seja na frente da Academia de Futebol, os jogadores foram com o ônibus do clube até o local, por uma questão de segurança. No outro lado do campo, imprensa e torcedores entravam por um longo corredor, que dá acesso ao campo onde o Nacional manda seus jogos e a uma outra parte do clube. No estacionamento, uma placa indicava o preço para quem quisesse deixar o campo no local: R$ 10,00. “Precisamos sobreviver, né amigo?” disse um dos funcionários do clube.

Ao entrar no clube, uma pequena lanchonete que vendia comes e bebes bem na frente do campo servia como arquibancada para jornalistas antes do treino começar. Eles estavam ligados em tudo que acontecia entre Borussia Dortmund e Real Madrid, que jogavam no mesmo horário do treino. Do outro lado, atrás de pequenas grades, cerca de 20 torcedores se acotovelavam em busca de um espaço para ver seus ídolos.

“Cadê o Kleber? Olha, aquele é o Charles. Nossa, olha como o Juninho é baixinho. Ué, cadê o Valdivia?”, eram algumas das frases soltas pelos torcedores. Tinha até espaço para os desavisados. “Olha, o Henrique!” disse um eufórico. Ao ser comunicado que aquele não era o Henrique, que estava com a seleção brasileira, mas sim, o Luiz Gustavo, soltou um frustrante e irritado. “Que droga, mas ele é igualzinho!”

Valdivia, Tiago Real e Leandro Amaro ficaram na Academia de Futebol fazendo fortalecimento muscular enquanto Emerson, Patrick Vieira e Vilson ficaram fazendo tratamento. Eles não puderam presenciar o diferente dia palestrino.

Quando a bola começou a rolar (ou quicar), o que se viu foram 27 jogadores levando um baile da bola. Desde um simples domínio até um lançamento era um árduo desafio. Quando um chute era dado, voam pequenas borrachas que lembravam areia.

E durante o treinamento, vários foram os torcedores que passando pela Avenida Marquês de São Vicente paravam para ver o treino. Até que alguns torcedores apareceram com uma faixa e estenderam com o nome da TUP, uma das organizadas do clube. Ficou a expectativa de que começassem a cantar para apoiar ou protestar, mas não foi o que aconteceu.  O silêncio imperou.

O treino continuou normalmente e ao final da atividade, só restou ao elenco bater as chuteiras no chão para tirar todas as borrachinhas, que entraram aos montes. E a certeza que se o campo em Tijuana for igual ao do Nacional, com certeza este será o maior adversário no México.

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