Felipe Trueba/EFE
Felipe Trueba/EFE

O dia em que Xavi pensou em se aposentar da seleção espanhola

Apontado como o maestro do Barcelona e da seleção espanhola, o meia foi impedido por Vicente Del Bosque

O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2013 | 07h29

SÃO PAULO - Xavi acha que está velho para a seleção espanhola. Aos 33 anos, tem dificuldade para conciliar os jogos do Barcelona e as competições com a camisa da La Roja. Além da idade, sente-se incomodado com uma tendinite no joelho direito que vai e volta. Há dois anos perdeu grande parte da temporada por causa dela. Para tentar prolongar a carreira no clube catalão, pensou em se aposentar da seleção. No início do ano, estava decidido e foi falar com o técnico Vicente Del Bosque. Ele ficou assustado, mas feliz com a resposta.

“Isso é um absurdo. Está deprimido? Está com algum problema pessoal? Você vai jogar no Brasil. Já está convocado”, disse o treinador, enérgico.

Por causa dessas palavras, o cérebro da seleção espanhola está no Brasil na Copa das Confederações e voltará no ano que vem, se não houver nenhum imprevisto. “Sei que ainda posso dar um pouco mais pela seleção. A aposentadoria pode esperar”, conformou-se o jogador.

Sucessores. Del Bosque fez bem em praticamente obrigar Xavi a continuar. Embora tenha planejado com cuidado a sucessão da geração mais vitoriosa de sua história, que conquistou o título da Copa de 2010 e o bicampeonato da Euro, a seleção espanhola ainda não tem um sucessor para Xavi Hernandez.

Busquets é jovem, talentoso, mas é o típico primeiro volante, que marca mais do que cria. Iniesta pode assumir o protagonismo no meio porque é igualmente talentoso e criativo. Mas vai reinar por pouco tempo. Já tem 29 anos. Thiago Alcántara, que acabou de ser bicampeão europeu sub-21, ainda tem um longo caminho a percorrer. Tanto no clube como na seleção.

Xavi é tão importante porque quase não erra passes. As estatísticas da Fifa apontam que ele acertou 88% dos 130 passes que construiu na vitória sobre o Uruguai, por 2 a 1, na primeira rodada da Copa das Confederações (ele foi poupado na goleada histórica sobre o Taiti).

Além disso, ele tem uma excepcional inteligência para entender o jogo e impor o ritmo que mais convém ao time. É uma espécie de pêndulo, que alterna a velocidade e a cadência, desnorteando o adversário.

“Xavi é muito importante para a equipe. Ou melhor, para qualquer equipe. Mais importante que o técnico”, diz Del Bosque.

O Barcelona tratou de assegurar a importância de Xavi até 2016, estendendo seu contrato até o final de sua carreira. Quem se atrever a tentar contratá-lo, terá de desembolsar A 80 milhões (R$ 215 milhões). Xavi chegou ao time em 1997, passou toda sua carreira nele e terminará seu novo vínculo com 36 anos. “O Barcelona seguirá rendendo quando eu sair”.

Disputa no ataque. A certeza que Del Bosque tem na grandeza de Xavi não se aplica aos atacantes. Insatisfeito com a produção de Fernando Torres, decidiu dar uma chance para Soldado, o único titular fora da espinha dorsal Real Madrid e Barcelona, e que aproveitou bem a chance contra o Uruguai. David Villa corre por fora após se recuperar de uma fratura na tíbia esquerda que o tirou dos gramados por cinco meses.

Torres e Villa marcaram sete dos dez gols contra o Taiti. Embora a fragilidade do rival prejudique qualquer análise, Soldado – que foi poupado na partida – sentiu-se incomodado. “Vê-los jogar nesse nível é reconfortante e mostra que ninguém é imprescindível nesta equipe, e essa é a força da Espanha”, disse o atacante.

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