O dolorido Palmeiras promete troco

Nem mesmo o cansaço de uma noite mal dormida na viagem de volta de São Gabriel (RS) a São Paulo foi suficiente para acalmar os ânimos dos jogadores do Palmeiras após a derrota para o São Gabriel por 2 a 1. O problema, para os atletas, não foi o resultado, mas o tratamento do adversário em campo e fora dele ? violento e desleal, na visão de todos. E a promessa é geral: vai ter troco no jogo de volta dia 7, no Palestra Itália. ?Do mais calmo ao mais nervoso dos jogadores, está todo mundo revoltado?, disse Magrão, que, no entanto, não se eximiu da culpa pela perda do pênalti que poderia ter garantido o empate no último minuto da partida. ?Nem jogando no La Bombonera (estádio do Boca Juniors, em Buenos Aires, Argentina) vi coisa parecida?, reclamou Magrão, ao falar das ofensas e agressões a que os palmeirenses foram submetidos durante a partida. Até atletas que não têm reputação de explosivos usaram expressões mais fortes para falar do jogo. O volante Correia, por exemplo, lamentou o fato de o time não ter mantido o controle dos nervos em alguns momentos da partida. ?Mas lá no Parque Antártica, vão ter o troco.? Outro jogador que usou a mesma expressão foi o lateral Lúcio, que ficou inconformado com o tratamento recebido ? um exemplo foi o tapa que levou de Eliseu ? e prometeu uma ?surpresinha? no confronto de volta, depois do resultado garantido em campo. ?Não saí de Pernambuco para ficar apanhando.? Histórias não faltaram aos atletas. A começar por Magrão, que voltou com quatro pontos na perna. Pontos que, segundo ele, foram feitos à luz de velas porque a iluminação do vestiário virou um pisca-pisca no intervalo. O volante também aproveitou o desembarque em Cumbica para se defender das acusações de que teria humilhado Luciano Fonseca, afirmando que o atacante jogava por um prato de comida. ?Não fui bem interpretado. O que quis dizer é que eles estavam indo na bola com o desespero de alguém com fome que vai em cima de um prato de comida.? Tanto no intervalo como depois do jogo houve invasão de campo ? se bem que por empolgação da torcida adversária pela vitória. O time saiu do Estádio Sílvio Corrêa sob escolta. Os jogadores disseram que, nas circunstâncias da partida, era difícil saber se eram esperados só por fãs ou por torcedores do São Gabriel mais exaltados e a fim de briga. A situação de tensão não foi suficiente para que o técnico Jair Picerni deixasse de ver os erros que a equipe cometeu. Para o próximo jogo, o time precisa pressionar mais o adversário e deixar de acompanhar as jogadas passivamente. O técnico, no entanto, acredita que não há como comparar o São Gabriel com a Portuguesa Santista ? adversária de domingo, pelo Paulista ?, apesar de as duas equipes serem modestas e atuarem em campos pequenos. ?É tecnicamente diferente?, avalia.

Agencia Estado,

18 de março de 2004 | 19h49

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