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O Felipão dos pontos corridos

Caso consiga chegar à final da Libertadores, Scolari mostrará que ainda é bom de mata-mata

Mauro Cezar Pereira, O Estado de S.Paulo

29 Outubro 2018 | 04h00

O Palmeiras recontratou Luiz Felipe Scolari pensando na Libertadores e tinha a melhor campanha na fase de grupos com Roger Machado. Quando ele retornou, no Campeonato Brasileiro o time estava a oito pontos do São Paulo, líder; sete do Flamengo, cinco do Internacional e três do Grêmio. Hoje lidera com quatro sobre os rubro-negros, cinco em relação aos colorados, sete à frente dos são-paulinos e 11 o separa dos gremistas.

Os resultados são incontestáveis, o velho treinador foi capaz de girar o farto elenco alviverde, formar dois times e avançar rumo à conquista de um título, que dificilmente escapará. Diante de adversários irregulares, sem reservas minimamente à altura, divididos entre duas a três competições e com treinadores instáveis, os palmeirenses encontraram uma rota segura que levou à confortável liderança confirmada no empate com o Flamengo.

O roteiro pós-Copa, com a volta de Felipão, surpreende por conta de uma máxima que parece superada, a de que o treinador é "bom de mata-mata". Por que nos duelos eliminatórios os resultados não são bons, apesar do caminho facilitado por oponentes mais fracos que cruzaram seu caminho (Bahia, Cerro Porteño e Colo-Colo). Quando se deparou com rivais mais qualificados houve a eliminação para o Cruzeiro e a derrota para o Boca Juniors. 

Nenhuma das três partidas diante desses dois rivais mais fortes foi boa. Os palmeirenses atuaram mal pela Copa do Brasil tanto na derrota em São Paulo como no empate em Belo Horizonte com os cruzeirenses. E na quarta-feira passada, perderam para o campeão argentino de maneira inquestionável. O time sequer tentou jogar, disparando nada menos que 109 chutões em 90 minutos, isso sem ameaçar a meta adversária. Uma atuação sofrível.

O 1 a 1 com o Flamengo no sábado funcionou como um remédio de efeito rápido e não muito duradouro às vésperas do reencontro com o Boca. Um paliativo que elimina parcialmente as sequelas dos 2 a 0 construídos pelos xeneizes com gols no final do cotejo, mas que poderiam ter saído bem antes, tal a retranca do time de Scolari, que chegou a pedir à beira do campo que sua equipe trocasse passe, tentasse jogar futebol. Sem sucesso.

Na peleja de volta, quarta, no Allianz Parque, Felipão e seus rapazes terão a chance de mostrar que o técnico ainda é bom de mata-mata. Desafio tão grande não poderia haver, fazer três gols no Boca Juniors e não ser vazado, ou abrir 2 a 0 e decidir nos pênaltis. Mas não será dando mais uma centena de chutões para afastar a pelota da própria área, como voltou a fazer sábado, no Rio de Janeiro, que a missão se tornará possível. Será preciso mais, bem mais.

Pouco antes do empate palmeirense com o Flamengo, o time argentino jogou pelo campeonato nacional. Perdeu em La Plata para o Gimnasia por 2 a 1 e apenas o goleiro Agustín Rossi esteve em ação entre os titulares do jogo da Bombonera. Foi o único em campo entre os que provavelmente começarão a partida desta quarta. Será um Boca descansado, com dois gols de vantagem e que se fizer mais um obrigará o Palmeiras a marcar pelo menos quatro.

Caso consiga chegar à final da Libertadores, Scolari mostrará que ainda é bom de mata-mata. Ou melhor, ele terá sido ótimo se avançar na Copa. Mas sabe que, independentemente do que acontecer no estádio alviverde, o título brasileiro está muitíssimo bem encaminhado. Basta não cometer grandes erros nas sete rodadas restantes, algo improvável diante da segurança demonstrada até aqui. Nos pontos corridos!

 

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