Sérgio Castro/Estadão
Sérgio Castro/Estadão

'O Felipão sabe muito bem o que precisa ser feito', diz Marcos

Ex-goleiro aposta na seleção e faz alerta para a estreia na Copa das Confederações: 'O Japão não veio do outro lado do mundo para entregar a rapadura'

Daniel Batista, O Estado de S. Paulo

15 de junho de 2013 | 07h59

SÃO PAULO - Campeão mundial em 2002, o ex-goleiro Marcos conhece como poucos a seleção brasileira. O eterno São Marcos, em entrevista ao Estado, mostra otimismo, mas alerta para a pressão que o time brasileiro receberá por jogar em casa. Experiente, lembra aos jogadores que a competição é a grande chance de mostrarem seu valor para Felipão.

 

ESTADO - Qual sua expectativa para o desempenho da seleção?

MARCOS - É a primeira vez que esta seleção tem a oportunidade de treinar junto. O Felipão é um grande treinador, mas pegar o time na segunda para jogar na quarta é difícil. Agora com tempo para trabalhar, o time deve melhorar muito e acredito que pode ir bem.

 

ESTADO - O fato de a Copa das Confederações ser no Brasil aumenta muito a pressão sobre os atletas da seleção?

MARCOS - Pressão vai ter sempre. A torcida brasileira cobra muito e ela vai conforme o ritmo do time. Se ele estiver mal em campo, a pressão só aumenta. Os jogadores têm de se preparar para isso e ter um treinador com a experiência do Felipão ajuda muito, porque ele é campeão do mundo e sabe o que tem de ser feito.

 

ESTADO - Quem você acha que vai ser o destaque da seleção?

MARCOS - Contrariando o que muitos acham, que o Neymar será o destaque, eu acho que a seleção tem um grupo muito bom, com jogadores que atuam fora do País e são ídolos em seus clubes e, dentre eles, acho que o Júlio César aparece como o mais preparado. Ele já jogou uma Copa do Mundo e sabe lidar com a pressão. O Daniel Alves também pode ser importante. Mas é injustiça não falar que o talento de Neymar, Oscar, Hulk e Fred pode fazer a diferença.

 

ESTADO - E os goleiros? A impressão é que a torcida brasileira não confia muito neles...

MARCOS - A seleção pena pelo fato de só o Júlio César ter chance de jogar consecutivamente. O Jefferson e o Cavalieri vão bem nos times, mas na seleção ainda não tiveram sequência e por isso se cria uma desconfiança em cima deles. Eu acredito que os três têm condições de defender o gol. A torcida pode ficar tranquila que estamos bem servidos, sim.

 

ESTADO - A disputa na primeira fase é com a Itália ou não podemos descartar México e Japão?

MARCOS - O México é o atual campeão olímpico e muitos dos jogadores que ganharam a medalha vão estar em campo. Pelo que vejo na TV, o Japão evoluiu nos últimos anos, tanto que foi a primeira seleção a se classificar para a Copa. O Brasil vai ter dificuldades não por falta de qualidade, mas de entrosamento, pelo menos no começo. Japão, México e Itália parecem mais entrosados.

 

ESTADO - A Copa das Confederações realmente pode servir para o Felipão montar o time para a Copa do Mundo? Em 2001 não foi assim (a seleção foi comandada por Emerson Leão e levou um time bem diferente do que foi para o Mundial).

MARCOS - Eu acho que muita gente pode carimbar seu passaporte para a Copa, mas também pode perder. O jogador tem de ter consciência disso e não encarar como se fosse só mais uma competição. Claro que no nosso futebol sempre surgem talentos que podem aparecer de surpresa, mas a base deve ser essa que vai jogar agora.

 

ESTADO - Qual é o seu palpite para Brasil x Japão na estreia?

MARCOS - Vou torcer para o Brasil, claro, mas eles (japoneses) não vieram do outro lado do mundo para entregar a rapadura. Então o jogo vai ser duro, mas acho que dá 1 a 0. É um placar que o torcedor não gosta, mas o importante é vencer.

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