Alessandro Di Marco/EFE
Alessandro Di Marco/EFE

'O futebol brasileiro está bem atrasado em relação ao europeu', afirma Ronaldo

Na Itália, Fenômeno faz alerta e diz que estrutura do futebol do País precisa de ampla reforma

Jamil Chade, correspondente, O Estado de S. Paulo

22 de abril de 2013 | 08h00

TURIM - O futebol brasileiro está "atrasado" e precisa passar por uma ampla reforma. Quem faz o alerta é Ronaldo, integrante do Comitê Organizador Local (COL) da Copa do Mundo e, cada vez mais, um ator na estrutura do poder do futebol nacional. Em entrevista ao Estado, o ex-craque apresenta sua receita de reforma e alerta que o futebol parou no tempo, tanto em campo como em sua gestão. Ronaldo tem suas ideias até mesmo para a estrutura da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), sugerindo uma abertura da entidade para debater o futuro do esporte.

Diplomático, Ronaldo evita criticar o presidente da entidade, José Maria Marin, envolvido em polêmicas e pressões. Mas não descarta assumir novas responsabilidades dentro do COL "se acontecer alguma coisa".

Já com a entrevista concluída, o Fenômeno comentou ironicamente: "trabalhamos todos para o Marin aqui". Eis os principais trechos da entrevista, concedida ontem em Turim onde o ex-craque fazia a promoção da Copa das Confederações em busca de torcedores estrangeiros para o evento.

Você acredita que José Maria Marin se sustenta no COL até a Copa do Mundo?

RONALDO - Eu espero que sim porque, no Comitê, a organização vai de vento em popa. Temos uma equipe de produção e executiva muito boa. Todos cumprem suas funções. Não teremos nenhum problema.

Você estaria pronto para assumir o COL?

RONALDO - Olha, eu estou aprendendo muito com minha função. Ainda não tenho ambição de ser mais do que eu sou. Se acontecer alguma coisa e eu tiver de assumir outro cargo, eu espero estar à altura e preparado para qualquer eventualidade. Mas, por enquanto, não vemos nenhum motivo ou problema grave na organização direta. As acusações que José Maria Marin (presidente do COL e da CBF) está recebendo e está sofrendo não afetam em absolutamente nada em nossa organização e cronograma. Portanto, independente do que ocorra com ele, a organização da Copa está garantida. Nós faremos o melhor.

Você acredita que está na hora de uma transição no futebol brasileiro, com você ou Romário assumindo um outro papel?

RONALDO - Tudo é muito novo sobre nomes do futuro. Mas o futebol brasileiro está bem mais atrasado que o futebol europeu em termos de organização. Deveríamos ter muito mais debates sobre o futebol no Brasil. Começou só há pouco tempo esses congressos sobre futebol, onde os especialistas debatem o esporte. Acho que é muito importante discutirmos entre as pessoas envolvidas, jornalistas, treinadores, jogadores, presidentes de clubes, de federações, a própria CBF deveria ter um congresso próprio onde se discute maneiras de evolução no futebol, o uso de tecnologia, de calendário. Enfim, todos os problemas que enfrentamos, como torcidas organizadas. Existem vários aspectos que teríamos de discutir no País.

Na prática, você está propondo uma reforma da estrutura do futebol brasileiro?

RONALDO - O futebol mudou muito pouco não só na organização, mas também na maneira de jogar. Hoje, vemos o Barcelona jogando de maneira diferente. Mas não vemos outros. A organização do futebol precisa mesmo melhorar. Vemos grandes empresas se reestruturarem, reverem tudo, fazer uso de tecnologias disponíveis no mundo e precisamos fazer com que o futebol também seja uma potência organizada, econômica. Não queremos ver os clubes com dificuldades financeiras, os jogadores com salários atrasados. Precisamos encontrar mecanismos para que o futebol funcione de maneira organizada.

Você acha que um envolvimento mais cedo do governo na organização da Copa teria evitado os problemas na preparação do Mundial?

RONALDO - Acho que a preparação está indo muito bem, apesar das dúvidas que ainda existem, principalmente na mídia. Nós estamos muito contentes com o que estamos fazendo. Temos certeza que vamos conseguir, apesar dos problemas que vão aparecendo no meio do caminho. Mas vamos conseguir entregar o melhor para a Copa do Mundo e a Copa das Confederações. Concordo que, se tivesse essa interação muito antes, teria sido mais fácil e teríamos alcançado o sucesso mais rápido. Mas acho que ainda bem que conseguimos reverter e identificar os problemas e resolver esses problemas. A participação direta do governo dentro do Comitê tem sido fundamental. Economizamos muito tempo.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.