Wilton Júnior/Estadão
Wilton Júnior/Estadão

'O futebol é mais forte que a insatisfação das pessoas', diz presidente da Fifa

Ministro do Esporte segue o discurso e fala em endurecer a repressão para evitar mais protestos

Jamil Chade e Leonardo Maia, enviados especiais, Agência Estado - AE

17 de junho de 2013 | 11h30

RIO DE JANEIRO - O presidente da Fifa, Joseph Blatter, denuncia o fato de os manifestantes, nas diversas cidades no Brasil, estarem usando o futebol como "plataforma" para seus protestos e alerta que já vem discutindo essa situação com a presidente Dilma Rousseff.

Em declarações ao Estado e a um meio estrangeiro nesta segunda, no Rio de Janeiro, o cartola ainda comparou a situação vivida pela Fifa no Brasil ao que ocorre na Turquia, onde manifestantes estão causando um terremoto político em Istambul e gerando tensões na região. Na Turquia, a Fifa realizará o Mundial Sub-20 em poucos dias. "Temos visto isso também na Turquia e temos toda a confiança nas autoridades", afirmou, após participar de um congresso no Copacabana Palace sobre o papel das finanças e o futebol.

"O futebol existe aqui para unir as pessoas. Isso está claro e conheço um pouco das manifestações que estão ocorrendo", disse Blatter. "Acho que as pessoas estão usando a plataforma do futebol e a presença da imprensa internacional para deixar claro certos protestos", declarou.

Depois de dois dias de protestos, o Rio de Janeiro deve registrar a maior manifestação na tarde desta segunda-feira. Blatter, porém, rejeita a tese de que o movimento vai crescer. "Vocês verão que hoje é o terceiro dia de competição e isso irá se acalmar", insistiu. "Será uma grande competição", disse Blatter.

"O futebol é mais forte que a insatisfação das pessoas. Eu disse a Dilma e Aldo (Rebelo) que temos confiança neles. Uma vez que a bola rolar, as pessoas vão entender e isso vai acabar", afirmou.

REPRESSÃO AOS ATOS

O próprio ministro do Esporte, Aldo Rebelo, foi contundente ao dizer que o governo federal fará de tudo para evitar que os protestos que se espalham pelas capitais brasileiras afetem a realização da Copa das Confederações e os demais grandes eventos. Se necessário, a repressão será com força.

"Quem achar que pode tentar impedir (a realização dos jogos) enfrentará a determinação", bradou Rebelo. "O governo assumiu como responsabilidade e honra acolher esses dois eventos internacionais e vai realizá-los oferecendo segurança e integridade aos torcedores e turistas."

Para o ministro, a ação da polícia tem sido dentro dos limites necessários para evitar transtornos para a organização da Copa das Confederações e que tais medidas continuarão a ser utilizadas. "As forças de segurança têm garantido a realização desses eventos, permitindo as manifestações mas contendo de forma a não atrapalhar os jogos", disse Rebelo.

Um jornalista do veículo que organiza um congresso sobre negócios e futebol no Rio abordou o ministro sobre a importância de a Copa do Mundo deixar um legado concreto para o Brasil e a população. Rebelo preferiu comemorar o lado lúdico da questão.

"O maior legado que a Copa deixará é a alegria do povo brasileiro em acolher uma competição como essa", discursou o político, para em seguida destacar a geração de empregos que a construção de estádios, hotéis e reformas de aeroportos proporcionaram.

O ministro também comentou sobre o atraso nas obras de infraestrutura prometida para a Copa de 2014. Ao receber a pergunta sobre o tema, Rebelo arregalou os olhos e encheu os pulmões de ar, preparando-se para a resposta. Saiu-se assim: "Todas as obras que constam da matriz de responsabilidade serão concluídas dentro do prazo. As que não forem concluídas serão retiradas da matriz", disse Rebelo, arrancando risos. E completou: "Vão (imprensa) dizer que as obras não vão ficar prontas e nós (governo) vamos dizer que vão. Eu sou o burocrata que tem que dizer isso."

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