Felipe Rau/Estadão
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Antero Greco
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O herói veio do Oriente...

O que parecia insensatez se tornou épico: Arrascaeta voa um dia para decidir a final

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

18 Outubro 2018 | 05h00

Final precisa ter herói e, se possível, também vilão; assim manda o manual clássico da mitologia do futebol.  Dessa maneira se constroem as fábulas em torno de jogos históricos. Para o duelo de quarta-feira, tinha encontrado dois malvados: Wagner Magalhães e o VAR. Ou sejam: o árbitro real e o de vídeo.

Na minha opinião, equivocaram-se ao dar pênalti no empate do Corinthians e ao anularem o gol de Pedrinho, que seria o da virada, ambos no segundo tempo. Num lance e noutro não daria falta. Mas sou apenas um reles cronista esportivo.

Eis, porém, que o personagem marcante na sexta vez que o Cruzeiro leva a Copa do Brasil para casa veio de longe, do Oriente, e atende pelo sobrenome de Arrascaeta. O moço defendeu a seleção do país dele em meio tempo, no amistoso de terça-feira com o Japão, fez malabarismos para sair de Saitama e chegar em tempo para ajudar a equipe no duelo com o Corinthians.

Vai ver até que estava dando uma cochiladinha no banco, quando Mano Menezes o chamou para a batalha, aos 21 minutos da segunda etapa. Opa, Arrascaeta esfregou os olhos, deve ter tomado um gole d’água e foi ver que bicho dava. Na primeira bola que sobrou para ele, em contragolpe bem a caráter, ficou livre, quase cara a cara com Cássio. Tocou por cima, sutil, sem chance, para ver a bola morrer na rede. Pronto, justificou a loucura montada para o regresso em 25 horas pelos ares.

Episódio bonito, não? Claro, porque está do lado vencedor e marcará a carreira de Arrascaeta. Porém, a estratégia para contar com ele sintetiza o absurdo do calendário nacional. Clubes correm risco de ficar privados de atletas importantes porque, enquanto o mundo para em datas Fifa, aqui a bola continua a rolar normalmente. Esquizofrenia...

Doideiras e estrelas à parte, parabéns para a nova proeza de Mano e seus rapazes. O hexacampeão foi impecável como visitante – ganhou todas – e eficiente como mandante. No caso da apresentação derradeira, seguiu o roteiro que se imaginava ideal, depois de fazer 1 a 0 em casa, na semana passada. Com astúcia, esperou o Corinthians vir para cima, pois era quem necessitava do resultado, e sem pressa aguardou o momento do bote.

Como em jogos anteriores, esta surgiu – e no primeiro tempo, no lance em que Léo Santos se atrapalhou numa bola na lateral. Na sequência, a sobra ficou para Robinho marcar. Até então, os corintianos trocavam mais passes, sem incomodar Fábio. Rondavam a área e não sabiam como finalizar com perigo.

Jair Ventura tentou surpreender, ao recorrer a Emerson Sheik e Jonathas, em tentativa de ter meio-campo mais sólido e uma referência no ataque. Ficou na boa intenção; na prática, não funcionou, mesmo com Sheik a movimentar-se e Jonathas a procurar espaço entre os zagueiros; não lhe veio nenhuma bola boa para chutar. O Corinthians continuou refém de sua reiterada limitação ofensiva.

Só não passou em branco por causa do pênalti marcado sobre Ralf e que Jadson aproveitou. O empate o animou a ousar, mais na raça e empolgação do que na qualidade. O segundo veio (com Pedrinho), foi anulado e o baque pesou. Arrascaeta se encarregou de fechar a conta.

O Corinthians terá problemas daqui em diante, com a sensação de temporada desperdiçada, mesmo com o título paulista. Terá de conviver agora com cobranças pela campanha ruim no Brasileiro. O Cruzeiro? Faz figuração na Série A, porém faturou a taça, boa grana e, de quebra, já está na Libertadores de 19. 

"MISSÃO IMPOSSÍVEL"

Quem não é Luiz (Zanin ou Merten) e se mete a falar de cinema corre grande risco de quebrar a cara. Foi meu caso. Na crônica de ontem neguei a Lalo Schifrin a autoria da trilha de “Missão Impossível”. Ganhei Oscar de lata. 

 

 

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