O jogo mais importante desde a Era Pelé

Leão gosta de valorizar o próprio trabalho. Mas desta vez, tem razão. Nesta quarta-feira, às 21h40, no Morumbi, contra o Boca Juniors, o Santos tem a partida mais importante dos últimos 40 anos: a final da Copa Libertadores da América. Desde a despedida de Pelé em meados da década de 70, o clube nunca havia chegado tão longe. Depois de haver perdido a primeira partida em Buenos Aires por 2 a 0, semana passada, o time brasileiro precisa vencer por três gols de vantagem para ficar com o título. Vitória por dois gols de diferença leva a decisão aos pênaltis. Apesar da dramática perda de Elano e a inesperada escalação de Wellington, o Santos está mais do que motivado para alcançar o tricampeonato que vale US$ 500 mil de premiação. "Eu abracei o Elano que estava chorando e fui logo falando: o momento não é para lamentações. Pelo contrário. Temos de estar empolgados porque esta é a partida das nossas vidas. Esta geração de jogadores que Leão montou no Santos tem que conquistar essa Libertadores. E nós vamos ganhar. A torcida que vai encher o Morumbi não sairá decepcionada", promete Diego.O jovem meia era o retrato da ansiedade. Estava claro nesta terça-feira que ele quer vencer mais do que ninguém esta decisão. "Eu quero que a partida comece logo. Mas sei muito bem que precisaremos de tranqüilidade para ganhar o título. Tudo o que os argentinos sonham é que o nosso desespero para fazer vários gols acabe nos expondo. Nós iremos ganhar essa decisão com a cabeça e o coração. Só coração não adianta."Diego entrega em metáforas o plano tático do Santos. O treinador quer a pressão na saída de bola argentina, mas exige que o time mantenha a parte defensiva bem colocada para os eventuais contragolpes do Boca. "Sabe por que o Santos não vai mudar profundamente a sua maneira de jogar? Porque sempre marcamos três ou quatro gols. Não vejo necessidade de improvisar ou pressionar o meu time. Quero que todos mantenham a tranqüilidade e não tenham afobação. Os dois gols de vantagem do Boca deverão ser revertidos com calma. Serão noventa minutos de partida, não existe essa coisa de fazer os gols nos primeiros minutos ou então tudo fica impossível. O Santos já quebrou tantos tabus no futebol brasileiro até chegar a esta final que quebrará mais um", apostava, confiante, Leão. O técnico brincou com os jogadores. "Nós vamos ganhar aos poucos dos argentinos." A perda de Elano fez o treinador apostar em Wellington. O jogador com 22 anos ficou triste por Elano, mas está entusiasmado com a chance de disputar a final. "Sinceramente, não esperava. Mas sei que vou corresponder. Todos sonham em estar em uma final da Libertadores. A minha chance surgiu e eu não irei desperdiçá-la", assegurava.Leão teve uma séria conversa com os jogadores. Seu medo é que a equipe fique tensa para atacar. Normalmente o time prefere o lado esquerdo com Robinho e Léo. Ainda mais agora, sem Reginaldo Araújo, suspenso, e Elano, contundido, até por instinto, os jogadores procuraram a esquerda. "Isso não pode acontecer. Precisamos ser equilibrados. Forçar pelos dois lados. Se não for assim, o Boca trava a sua direita e consegue o domínio do jogo. Nós vamos forçar por todos os espaços possíveis para ganhar essa final por goleada como precisamos", decretava Renato.?Doping? - A convocação de Alex, Paulo Almeida, Diego e Robinho para a Copa Ouro foi o ´doping´ que Leão esperava. "Todos ficaram ainda mais motivados para conseguir esse título importantíssimo. Apesar de termos perdido o Elano estamos felizes e animados para sermos campeões. Quem vai sair do Morumbi chorando serão os argentinos", promete o técnico que também disputará a partida mais importante da sua carreira.

Agencia Estado,

02 de julho de 2003 | 09h16

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