Pedro Souza/Atlético Mineiro
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Robson Morelli
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Cuca fica no Atlético-MG? Passado recente mostra que ele pode ir embora após missão cumprida

Treinador prefere entregar tudo durante um ano e cobrar tudo do seu elenco e depois tentar a sorte em outra equipe. Fez isso no Santos e no Palmeiras. Mas ele tem contrato até o fim de 2022 com o time mineiro e está nos planos para a inauguração do novo estádio

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

03 de dezembro de 2021 | 10h00

Cuca tem mais um ano de contrato com o Atlético-MG. Mas será que fica? Ele não queria ficar tanto tempo num mesmo clube. O treinador encontrou um jeito de trabalhar que lhe permite ficar no time durante apenas uma temporada. Ele dá seu máximo e tira o máximo também dos jogadores do elenco, com isso tem a certeza de não se deparar com desgastes naturais entre as partes. Foi assim no Santos, no Palmeiras (com um problema familiar apontado) e deveria ser assim também no time de Minas Gerais, campeão brasileiro após a virada sobre o Bahia por 3 a 2.

Esses trabalhos curtos fazem de Cuca um técnico sempre preparado e rejuvenescido, com sangue novo e com o nome na lista dos melhores do futebol brasileiro. Foi assim na temporada passada e é assim nesta. Ele deve ser apontado, ao lado de Abel Ferreira, do Palmeiras, como um dos melhores do Brasil em 2021.

O contrato com o Atlético-MG não é suficiente para mantê-lo em Belo Horizonte por mais um ano. Mas há um acordo de ele estar com o time na inauguração do novo estádio em 2022. A Arena do Galo deverá ser inaugurada no segundo semestre do ano que vem e a diretoria não tem a menor dúvida de que Cuca estará lá, à beira do gramado, comandando o campeão brasileiro depois de 50 anos.

Assim como era no Santos, Cuca tem total apoio da diretoria, dos atletas e da torcida. Não há mais o que desejar, portanto. Mas ele não se engana com isso. Sabe bem que um ano nunca é igual ao outro, que os sabores e dissabores vão e vem, mudam, e acabam de uma campanha para outra. Cuca sabe que ele não precisa se expor a isso. Daí seu 'novo método' de entregar tudo numa temporada, fazer história e cair fora. Em Minas, ninguém duvida que ele fique, principalmente no calor da conquista. Foi lindo ver a festa dos atleticanos. Isso mexe com os profissionais. No caso do Santos, ano passado, Cuca perdeu a Libertadores para o Palmeiras. 

Falta de dinheiro ou medo do desemprego não afligem o treinador. Ele está bem nas duas condições, embora os valores que ganha no clube mineiro não são revelados. Ele tem o nome gritado pela torcida e isso tem, claro, um preço. Mesmo com contrato, certamente será mais bem remunerado em 2022 se ficar, cujos compromissos podem ser diferentes esportivamente, diga-se. A Libertadores deverá ter mais atenção, uma vez que ela ficou para trás em detrimento do interesse do Atlético-MG de ganhar o Brasileiro depois de 50 anos e de uma partida ruim diante do Palmeiras. Tem ainda a Copa do Brasil na mira, diante do Atlhetico-PR neste ano ainda. Seria barbada, não fosse uma partida de futebol, em que tudo pode acontecer. O rival do Paraná ganhou a Sul-americana, mas se vê às turras em sua permanência na Série A. O Atlético-MG está mais azeitado.

Cuca terá de se reinventar no Atlético-MG. O time é ótimo, mas estará mais manjado em 2022. Poderá perder jogadores e ter outros novos no elenco. É um recomeço, como sempre. O calendário vai cobrar 80 partidas no ano, várias competições ao mesmo tempo, atletas requisitados para as Eliminatórias e todos os contratempos que o futebol brasileiro arrasta de uma temporada para outra sem conseguir resolver muitos deles.

Por isso que Cuca tem preferido a troca de clubes a cada missão cumprida, como essa do Atlético. Gosta de sair com o sentimento de dever cumprido. Qualquer coisa que conseguir em 2022 não terá o mesmo sabor deste título do Campeonato Brasileiro 50 anos depois do primeiro, em 1971. Mas essa história da Arena também é importante para ele. Então, é muito provável que permaneça em Belo Horizonte colhendo o que plantou, sem largar, no entanto, a enxada. Esses assuntos serão decididos no fim da temporada.

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