Laszlo Balogh/Reuters
Laszlo Balogh/Reuters

'O mundo precisa do Brasil de pé', afirma ex-presidente da Uefa

Pedido foi feito por Lennart Johansson, sueco que modernizou futebol europeu à frente da Uefa

Jamil Chade, enviado especial / Moscou, O Estado de S.Paulo

18 de julho de 2018 | 07h00

“O mundo do futebol precisa do Brasil de pé”. O apelo, repleta de ironia por conta de Neymar, é de Lennart Johansson, um dos cartolas que moldou o atual futebol europeu. Ex-presidente da Uefa entre 1990 e 2007, o sueco de 88 anos falou ao Estado sobre a situação do futebol europeu e da realidade brasileira. 

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Em uma cadeira de rodas e sempre auxiliado por uma acompanhante, o ex-dirigente insistiu que não é de interesse do futebol que a seleção brasileira continue fora das grandes decisões. “Em 1958, eu conheci Pelé na Suécia. Desde então, permanecemos amigos. Vi o desenvolvimento do futebol brasileiro e como ele foi importante para moldar o futebol no mundo. É referência e não pode desaparecer, para o bem do futebol”, disse. 

Entre as sugestões que ele dá para os dirigentes brasileiros e sul-americanos, o ex-cartola destaca a necessidade de montar estruturas profissionais na gestão do esporte. “Ao trabalho, ao trabalho”, convocou, admitindo que a disparidade entre Europa e o resto do mundo já é uma realidade. 

Mas Johansson insiste que a América do Sul e o Brasil não podem se esquecer de que contam com os maiores talentos do esporte. “O Brasil precisa voltar às suas raízes, voltar a ver o que lhes tornou tão especiais no mundo. E isso foi a arte.” 

Questionado sobre Neymar, ele apenas balançou a cabeça e disse. “Queremos o Brasil de pé. Em seus dois pés sobre o campo. O mundo do futebol precisa do Brasil de pé”, disse. 

Johansson, porém, foi claro em apontar que foram decisões da Uefa sob sua gestão que deram início a uma transformação do futebol da região. “Criamos a Liga dos Campeões, que se transformou no maior torneio de clubes do mundo. O resultado desse modelo foi a chegada de grandes astros de todo o mundo aos clubes europeus. Esses jogadores querem jogar na Liga dos Campeões, que virou uma vitrine para eles no mundo”, disse. 

CATEGORIAS DE BASE

Outra iniciativa do sueco foi criar um sistema de licenciamento de clubes, exigindo que todos os 700 clubes espalhados pela Europa tivessem não apenas um time profissional, mas pelo menos três categorias de base em pleno funcionamento. 

“O resultado é que conseguimos desenvolver o futebol europeu de uma forma ampla, e não apenas concentrados em alguns locais”, comemorou. Prova disso, segundo ele, é a diversidade de seleções europeias chegando às semifinais da Copa do Mundo. Na Rússia, avançaram Bélgica, França, Croácia e Inglaterra. Desde 2006, o campeão mundo vem da Europa: Itália, Espanha (2010), Alemanha (2014) e França (2018). No próximo Mundial, no Catar, o jejum de seleções da América do Sul será de duas décadas. 

Tendo iniciado sua carreira como presidente do AIK Solna, pequeno clube da periferia de Estocolmo, Johansson chegou a ser vice-presidente da Fifa e foi candidato a sucessor do brasileiro João Havelange. Mas, em 1998, perdeu a eleição Joseph Blatter. Após deixar o comando da Uefa, em 2007, o seu sucessor foi Michel Platini.

 

 

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