O mundo se pergunta: o que Materazzi disse a Zidane?

Zinedine Zidane e Marco Materazzi se trombam na área italiana e trocam algumas palavras. Dirigem-se ao meio-de-campo quando o meia francês, irritado, volta e acerta uma cabeçada em cheio no peito do zagueiro italiano. A irritação é visível: Zidane está com os punhos cerrados e o olhar cheio de ódio. As imagens, recuperadas, da agressão que inverteu os papéis - o "estilista" agredindo o "açougueiro" - correram o mundo e deixaram uma dúvida: o que teria dito o zagueiro italiano para provocar tanta fúria em Zidane? Com o cartão vermelho de seu maior astro, a França perdeu terreno no jogo, que estava empatado por 1 a 1, e a decisão foi para os pênaltis. A Itália venceu por 5 a 3 e conquistou o tetracampeonato mundial. O programa Fantástico, da Rede Globo, consultou especialistas em leitura labial que verificaram uma ofensa do italiano à irmã do jogador, chamada de prostituta. Zidane também foi tratado com palavrões. O quadro do programa causou polêmica durante a Copa ao expor frases do técnico da seleção brasileira, Carlos Alberto Parreira, no banco de reservas. Parreira se irritou com o que chamou de "invasão de privacidade" e a Globo lhe fez um pedido formal de desculpas. O jornal inglês Guardian tem outra versão: diz que Materazzi chamou Zidane de "terrorista". Zidane nasceu em Marselha numa família de imigrantes argelinos - assim como boa parte da seleção francesa, não é um "francês puro", o que provoca protestos e críticas do líder da extrema-direita no país, Jean Marie Le Pen. O ministro dos Esportes da França, Jean-François Lamour, foi ao vestiário da seleção francesa após o jogo mas não deu mais explicações. "Podemos imaginar que foi uma provocação, mas a atitude dele é imperdoável. É uma aposentadoria estranha para alguém que foi um grande campeão", disse. O presidente da Federação Francesa de Futebol (FFF), Jean-Pierre Escalettes, disse que Zidane estava "infeliz" no vestiário. "Temos de deixá-lo em paz, não tenho mais nada a lhe perguntar." Zidane não deu entrevistas durante toda a Copa - na véspera da final, o técnico da França, Raymond Domenech, disse que ele preferia "fazer a explicar o que faz". Não apareceu para receber sua medalha de prata, mas, eleito o melhor jogador da Copa do Mundo, terá de aparecer para receber a Bola de Ouro oferecida pela Fifa em parceria com a Adidas - que é também sua patrocinadora pessoal. Quem sabe então o mundo terá uma resposta para o que aconteceu dentro de campo naqueles momentos.

Agencia Estado,

10 Julho 2006 | 10h25

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