Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

'O Palmeiras está pronto para ser campeão este ano'

Volante, que mais vende camisa no clube, confia no elenco e diz se sentir em casa na Academia

Entrevista com

Arouca

Daniel Batista, O Estado de S. Paulo

14 de abril de 2015 | 07h00

Arouca chegou ao Palmeiras como uma das principais contratações desta temporada. Após imbróglio com o Santos na Justiça por falta de pagamento, o volante se acostumou rapidamente no novo time como se já tivesse anos de casa, embora esteja há pouco mais de dois meses na Academia. Em entrevista exclusiva ao Estado, o jogador que mais vende camisas no clube fala sobre o que o torcedor pode esperar da renovada equipe comandada por Oswaldo de Oliveira, desabafa sobre o racismo no futebol, brasileiro e mundial, reclama da diretoria de seu ex-clube e explica porque não tem tantas oportunidades na seleção brasileira.

Como o Palmeiras chega para essa fase final do Paulista (o time encara o Corinthians)?

Estamos bastante preparados. Temos um elenco de qualidade e acredito que entraremos fortes. Estamos pegando entrosamento legal e vamos focar em cada jogo. Temos um grupo com bons jogadores e acredito que possamos conquistar vitórias importantes.

Muita gente fala que esse time está sendo preparado para ganhar títulos em 2016 apenas. Esse ano já dá para faturar algo?

Claro que dá. Acredito neste projeto que foi montado. Temos um elenco de muita qualidade e vejo que podemos conquistar títulos esse ano. É o nosso objetivo.

Você tem preferência em atuar como primeiro ou segundo volante?

Sinceramente, não não tenho. Depende muito da partida e do adversário. Tem jogos que dá para subir mais, mas tem outros que preciso ficar para ajudar na marcação e dar liberdade aos meias. O importante é desempenhar bem o meu papel, independentemente da posição.

Você e o Gabriel intercalam entre primeiro e segundo volante. Como funciona esse rodízio?

O Oswaldo (de Oliveira, técnico do Palmeiras) dá liberdade para nos acertamos e fazemos isso. A gente se fala muito durante a partida para não deixarmos o meio de campo vazio e sempre um de nós dois aparece na frente. Estamos nos entendendo legal e o fato de o treinador dar essa liberdade facilita.

A camisa com seu nome é a mais vendida neste início de ano. Esperava cair tão rápido nas graças do palmeirense?

Fiquei surpreso quando me falaram isso. Acabei de chegar e o elenco já contava com grandes jogadores. Estou longe de ser ídolo, mas fico honrado com essa marca. Quando saio com a minha família, encontro torcedores e eles sempre me tratam muito bem. Só tenho a agradecer por todo o carinho e a melhor forma de retribuir isso é correndo, me esforçando ao máximo e dando orgulho para os palmeirenses que tanto me apoiam.

Você viu de perto o Neymar surgir para o futebol em Santos. Sem querer comparar, claro, mas o Gabriel Jesus, seu colega no Palmeiras, é realmente diferenciado?

O Gabriel é um grande garoto e uma grande pessoa. Ele tem tudo para crescer, porque ele se dedica muito, tem qualidade e é diferenciado sim. Mas temos de ter calma com  ele. Não podemos achar que ele vai entrar e resolver todos os problemas do Palmeiras. Ele vai dar muitas alegrias para os palmeirenses, não tenho dúvida, porque ele tem cabeça boa também e isso é fundamental para alguém tão jovem. Mas vamos com calma, como você disse, sem querer comparar com Neymar. Devagar, o menino vai ganhar o seu espaço.

Falando sobre racismo, você já foi vítima disso algumas vezes no futebol. Acha que o racismo um dia pode acabar?

A gente espera que sim, mas é mais um sonho do que uma certeza. Sonhar não custa nada. Toda semana a gente vê casos disso e quem poderia tomar uma decisão e punir os responsáveis não faz nada. Se ficar reclamando, só vai dar Ibope para quem quer aparecer. Não podemos deixar o racismo se tornar algo normal.

Você não pensa em criar um grupo e tentar um movimento, como teve o Bom Senso, para mudar isso?

Não acho necessário. É um absurdo ter de se unir para pedir uma coisa dessa. Está acontecendo na cara de todo mundo e ainda precisamos nos mobilizar? Não cabe aos jogadores cobrar isso. Se não tomaram uma decisão até agora, não sei se um dia vão tomar.

Faz pouco tempo, mas olhando para trás, acha que daria para sair do Santos sem ser brigando na Justiça?

Não e não me arrependo do que fiz. Esgotei todas as alternativas para falar com a atual diretoria e definir minha situação, mas eles não deram satisfação alguma. Não fizeram um esforço sequer para definir minha situação. Como não tiveram carinho comigo, não tive outra alternativa. Só fui atrás dos meus direitos, como qualquer trabalhador.

O único clube que você jogou e não deu certo foi no São Paulo. O que aconteceu?

Difícil explicar, até hoje não sei ao certo. Acho que o problema maior foi o posicionamento, eu era escalado como lateral-direito e não tinha noção da posição. E também havia muitos jogadores de qualidade. O time era tricampeão brasileiro e a base foi mantida, então era difícil achar meu espaço. Acabei não tendo tantas oportunidades, fiquei um ano apenas e fui para o Santos. Valeu o aprendizado.

Porque um jogador tão regular nos últimos anos como você, teve tão poucas oportunidades na seleção brasileira?

Outra pergunta que eu não sei responder. Tive poucas oportunidades de ir e continua sendo um sonho defender a seleção. O Brasil tem muitos jogadores de qualidade na minha posição que jogam no exterior, então fica complicado, mas estou na luta. Não desisti da seleção. Vou continuar trabalhando forte, porque com certeza se fizer um bom trabalho aqui no Palmeiras, conseguirei uma nova oportunidade e minha vaguinha vai aparecer.

Teve alguma chance de jogar na Europa?

Tive uma proposta faz um tempo e o Santos recusou. Acabei de chegar ao Palmeiras, tenho contrato longo e quero fazer história por aqui. No futuro, se aparecer algo bom e o Palmeiras achar cabível uma negociação, a gente pode conversar, mas não é algo que coloco como objetivo. Minha cabeça está focada totalmente no Palmeiras, em conquistar títulos e fazer uma bonita história no clube.

O ambiente entre os jogadores parece ser bem positivo. Isso facilita a adaptação?

Com certeza. Já conhecia alguns atletas de ter enfrentado ou jogado com eles, como Robinho, Alan Patrick, Aranha, Maikon Leite e Lucas. Não tive problema de adaptação. O elenco é alegre e a gente brinca bastante. O mais chato é o Maikon Leite. Ele incomoda todo mundo e não tem nem tamanho para provocar. É o menor e o mais folgado.

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