Imagem Mauro Cezar Pereira
Colunista
Mauro Cezar Pereira
Conteúdo Exclusivo para Assinante

O poder do dinheiro

Decisivo contra o Atlético-MG, Richarlison gerou desequilíbrio técnico ao não jogar no Allianz

Mauro Cezar Pereira, O Estado de S.Paulo

12 de junho de 2017 | 03h00

Desde 2011 vigora entre os filiados à Uefa o fair play financeiro. Quem se classifica para competições europeias precisa provar que está em dia com os compromissos econômicos. E há outras regras. Por não respeitá-las, em 2014 o Barcelona recebeu sua pena: proibido de contratar até janeiro de 2016. Outros já foram punidos.

O castigo ao Barça foi consequência de irregularidades na contratação de jogadores com menos de 18 anos. Richarlison fez 20 em 10 de maio, se destaca pelo Fluminense e foi alvo do desejo de um clube com mais dinheiro, o Palmeiras. Tal interesse em meio ao campeonato interferiu no jogo de sábado, justamente entre os dois times.

A proposta balançou o atacante que os tricolores contrataram ao América Mineiro em 2015 – R$ 9 milhões por 50% dos direitos. Richarlison pediu para não jogar. O presidente do clube carioca, Pedro Abad, não atacou o rival paulista, mas encerrou a negociação.

O Palmeiras fechou o placar em 3 a 1 no último lance, instantes após o Fluminense perder incrível chance com Marcos Júnior. Na primeira etapa, Henrique "Ceifador" Dourado, também desperdiçou ótima oportunidade. A polêmica tirou do time de Abel Braga seu melhor atacante, autor de 11 gols na temporada.

Será que ele perderia aquelas chances? Nunca saberemos. Mas sabemos que o poder do dinheiro "fabricou" um desfalque. A intenção do Palmeiras não era mutilar o adversário, mas contratar o jogador. Contudo, a falta de uma regulamentação libera um modus operandi perigoso com o Brasileiro em andamento.

O próprio Fluminense, em tempos de Unimed, se viu em polêmicas, com o próprio Palmeiras, por Thiago Neves, em 2007. E dois anos antes ao contratar três jogadores (Lugão, Leo Guerra e Schneider) às vésperas da final Estadual, justamente contra o time onde o trio atuava, o Volta Redonda.

Tudo isso reflete a omissão da CBF e a postura agressiva dos clubes quando têm dinheiro — exceção será aquele que tiver tal força e não agir assim. Além da imaturidade e pouco profissionalismo de jogadores como Richarlison, que deixou os companheiros na mão alegando não “ter cabeça” para jogar.

Se não sair, o atacante voltará a atuar e provavelmente ajudará em partidas como na de Belo Horizonte, contra o Atlético, quando marcou um gol e sofreu pênalti que gerou o outro tento. O Galo teria adorado enfrentar o Fluminense sem Richarlison. Os palmeirenses certamente acharam ótimo.

Como ótima é a fase do Corinthians. O time de Fabio Carille dominou o São Paulo praticamente todo o tempo do clássico. Rogério Ceni foi do trio de zagueiros para linha de quatro na defesa, procurou soluções, mas nada adiantou. A liderança corintiana é cristalina como a diferença entre as duas equipes nessa altura da temporada.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.