'O problema não é a bandeira que um jogador representa'

Atacante do Palmeiras acredita que cota para estrangeiro não vai ajudar o futebol brasileiro

Entrevista com

Cristaldo

Daniel Batista, O Estado de S.Paulo

18 de julho de 2015 | 17h00

O que pensa da ideia de limitar os estrangeiros no futebol brasileiro?

Acho que tem que jogar de acordo com a qualidade do jogador, tanto faz de onde ele vem. O futebol é jogado da mesma forma em todas as partes. O problema não é a bandeira que um jogador representa. Ele tem que ter qualidade, independente da nacionalidade.

Mas os estrangeiros podem ajudar?

Acredito que sim. Na Inglaterra, a maioria joga mesmo em sua liga, mas no resto do mundo, não. Na Espanha tem um monte de estrangeiros e o campeonato é um dos melhores do mundo. E na seleção argentina, todo mundo joga fora, ninguém fala nada e continuam revelando jogadores normalmente, como acontece no Brasil. Isso é normal. Não ficaria bom ver o Messi jogando o Campeonato Argentino.

Pelo que você sente, o Brasil vive uma crise no futebol?

Acho que estão exagerando. O Brasil tem uma boa seleção, mas se os resultados não acontecem, tem que ser cobrada como a Argentina também, porque estamos falando de potências mundiais. É que futebol tem uma paixão e as pessoas exageram. Acredito que o Brasil vai dar certo e tem outra coisa também que é o fato de outras seleções terem crescido bastante. Hoje o futebol está muito igual.

O que tem de diferente no Brasil para outros países (jogou na Argentina, Ucrânia e Itália)?

Aqui o jogador tem mais qualidade do que na Ucrânia e na Itália. O Brasil tem uma grande potência para criar jogadores de qualidade, rápidos e de bom dribles, mesmo com os clubes tendo estrangeiros.

A torcida te trata diferente por ser estrangeiro?

Não. Acho que os palmeirenses gostam de mim pela dedicação que tenho, pelo meu estilo de jogo e meu jeito. Sei também que não agrado todo mundo, mas acho que o fato de eu ser argentino não faz com que algum torcedor goste mais ou menos de mim.

Acredita que poderia ir para a seleção de seu país jogando no Brasil?

Eu sou consciente da qualidade dos jogadores existentes em meu país. Tem muitos bons jogadores com a característica igual a minha, então é muito difícil. Quem sabe se eu fizer uns 100 gols pelo Palmeiras, aí pode ser. Eles vão ter que me buscar aqui.

Existe muita brincadeira entre vocês por causa da rivalidade Brasil x Argentina?

Um pouco. No 7 a 1 da Alemanha, eu estava jogando na Ucrânia ainda e assisti o jogo com brasileiros, entre eles o Cleiton Xavier, e argentinos. Até o terceiro gol, deu para tirar sarro. Depois paramos, porque tínhamos que respeitar o companheiro. Eu não gostaria de ser “zoada” tomando de sete. Eles também me respeitaram quando perdemos a final da Copa do Mundo e da Copa América.  

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