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O professor

Fábio Carille começou o ano rodeado de desconfiança, mas conquistou os corintianos

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

25 de junho de 2017 | 03h00

Gosto das pesquisas para apontar os melhores do ano no Esporte; são bom exercício crítico e de memória. Às vezes, bate dúvida, por exemplo, a respeito do destaque como técnico, pois não há nenhum que sobressaia. Já deixei muito espaço em branco...

Para 2017, já tenho meu voto definido com muita antecipação, embora estejamos a meio caminho: irá para Fábio Carille. Independentemente do que vier a ocorrer até dezembro, o trabalho do treinador do Corinthians é de se tirar o chapéu. Pegou um time desacreditado – tanto quanto ele –, levou-o ao título estadual e o mantém na ponta do Brasileiro, com desempenho firme e eficiente.

Entusiasmo precoce? Um pouco, mas nem tanto. Carille ficou à sombra do sucesso de antecessores como Mano Menezes e Tite, dos quais foi auxiliar, e segurou o rojão numa das crises de 2016. Menos por convicção e mais por falta de opções e grana, a diretoria decidiu empurrar para ele a tarefa de montar uma equipe decente o suficiente para não dar vexame no Paulistão. Grupo pequeno, com raras estrelas e orçamento enxuto. Era ver no que ia dar a aventura, ao menos até clarear a situação durante a temporada. A torcida, mais ainda, ficou com pé atrás; imprensa, idem. Não estava com boa cara.

Carille encarou o desafio, ajeitou todos os setores, passou ideias claras para a tropa restrita, aguentou muito nariz torcido, manteve discurso contido. A mistura desembocou num Corinthians decente, que levantou um troféu e lidera a Série A. Mais do que os placares favoráveis – e a isso se agarra um técnico –, o prestígio cresce porque se nota clareza e simplicidade na forma de atuar. O sistema defensivo funciona, como nos tempos de Mano e Tite, o meio-campo se mostra desenvolto e o ataque cumpre a tarefa que lhe cabe. 

Mesmo com mudanças provocadas por contusões, suspensões e convocações, não ocorre queda de qualidade; o padrão permanece inalterado. Evidência de que existe uma estratégia tática. Carille não inventa na maneira de jogar, tampouco reclama de gols contra ou de bola parada, de erros de arbitragem, da “postura defensiva” dos rivais, das condições do gramado, etc. etc. Faz o dele, bem feito, e toca o barco.

Não há nada de extraordinário, nem se trata de constatar o surgimento de um esquadrão. O Corinthians de hoje está azeitado com Cássio no gol, Fagner, Balbuena, Pablo e Arana na zaga; Gabriel (não jogará contra o Grêmio), Maycon, Jadson, Rodriguinho, Romero no meio; e Jô na frente. Marquinhos Gabriel, Clayson, Camacho são alternativas frequentes e sempre prontas.

O entrosamento e a confiança têm crescido, na mesma proporção em que se acumulam vitórias. A ponto de o Corinthians tomar gosto também por fazer gols e não se contentar com o 1 a 0 tão frequente até pouco tempo atrás. Com a inequívoca participação de profissional que durante anos passou despercebido para o público. Portanto, imprescindível, e justo, fazer o elogio. Carille assume o status de “professor” do ano. Ele merece.

A maré pode mudar, sem dúvida. Impossível manter-se num patamar tão alto de aproveitamento. O risco de derrota no clássico deste domingo com o Grêmio é alto – e natural. Do lado de lá, topará com forte concorrente ao título, numa fase empolgante. Troca de posições à vista. Ok, empate parece viável, para satisfazer todo mundo. Quer saber? Vitória alvinegra não soa heresia. Olha...

 

Choque tricolor

O São Paulo recepciona o Fluminense com o coração na mão e sob desconfiança da plateia. A maré não anda favorável, a pontuação é escassa, o vaivém na escalação só emperra entrosamento. Nem convence muito o tom otimista do discurso de Rogério Ceni, que vê evolução após cada tropeço. A reviravolta é necessária; e pra agora. 
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