Fabrizio Bensch/Reuters
Fabrizio Bensch/Reuters

'O que incomoda os rivais é o sucesso do projeto', diz Bernardo, do RB Leipzig

Time mais odiado da Alemanha pela ligação com a Red Bull desafia o Bayern de Munique pela liderança do Campeonato Alemão

Entrevista com

Bernardo

Marcius Azevedo, O Estado de S.Paulo

21 de dezembro de 2016 | 07h00

A Allianz Arena recebe nesta quarta-feira, às 17h, um jogo com status de decisão pelo Campeonato Alemão. Surpresa do torneio, o RB Leipzig desafia o poderoso Bayern de Munique em uma partida que vale mais do que terminar o ano na liderança - ambos somam 36 pontos. O rival do atual tetracampeão é considerado o time mais odiado da Alemanha por ser bancado financeiramente pela Red Bull, o que, segundo os torcedores mais tradicionais, é um desrespeito às raízes do futebol local. 

Único brasileiro do elenco do RB - Rasen Ballsport e não Red Bull - Leipzig, o zagueiro Bernardo, filho do ex-volante Bernardo, com passagens por São Paulo e Corinthians, afirmou em entrevista ao Estado que tal postura dos rivais ocorre por causa do sucesso da equipe. Em apenas nove anos, o time foi da quinta divisão à elite na Alemanha.

Hoje, Bernardo, que chegou ao clube nesta temporada após passagem pelo Red Bull Salzburg, da Áustria, outra equipe que pertence à empresa de energéticos, será titular e espera surpreender o favorito. Para o zagueiro, que está atuando como lateral com o técnico Ralph Hasenhuttl, conseguir uma vaga para uma competição europeia já será um título para o RB Leipzig. 

A campanha do RB Leipzig te surpreendeu?

Foi surpreendente para todo mundo, tanto para nós quanto para quem estava vendo de fora. É um time muito jovem, que manteve uma base do time da segunda divisão da temporada passada, e, talvez por isso, não acreditavam muito na gente. Mas temos uma equipe de qualidade, com jogadores que no futuro vão estar em clubes maiores. A nossa dedicação é enorme. Corremos 5km a mais do que os outros times em média nos jogos. Temos uma equipe muito vertical, com jogadores rápidos, muita vontade, um espírito de segunda divisão. Acho que esses fatores estão fazendo a diferença.

Como será enfrentar o poderoso Bayern?

É um jogo de muita expectativa. Só pelo fato de ser o último antes das férias e os times somarem o mesmo número de pontos já cria um aspecto de final. Jogar contra o Bayern já é um motivação diferente, mas, por todos esses fatores, será um baita jogo. É uma partida que todos querem ver. Estou muito ansioso e motivado.  

O RB Leipzig é realmente o time mais odiado da Alemanha?

A rejeição é muito grande por parte das outras equipes. Todo jogo tem algum tipo de protesto, nada muito grande ou violento, mas tem uma faixa, um cartaz, um mosaico, uma música em tom de protesto. Eu não consigo entender qual a lógica disso, já que existem outros clubes nesta condição, como Wolfsburg, Ingolstadt, o próprio Bayern de Munique, Bayer Leverkusen, (Borussia) Dortmund, Hoffenheim... Todos têm uma empresa por trás. O que está incomodando os torcedores dos outros clubes é o sucesso do projeto. É um clube novo, com ideias novas, aí sim com um patrocinador forte, que está ameaçando equipes tradicionais. A equipe que era segunda colocada, agora pode virar terceira. A equipe que brigava por rebaixamento e se salvava, agora vai cair. Acho que é isso que incomoda e não o patrocinador, porque isso não é uma coisa nova na Alemanha. 

Você não estava em campo, mas como viu o protesto da torcida Dynamo Dresden, que jogou uma cabeça de touro no gramado em jogo da Copa da Alemanha?

Foi uma coisa muito pesada. Não estava aqui, ainda jogava na Áustria, mas vi fotos, assim como todo mundo viu, e realmente foi algo muito pesado. Uma situação como essa não acontece na Bundesliga, teria punição. 

Como é o relacionamento com os torcedores?

A torcida aqui é muito fanática. Há 15 anos não se via uma equipe do lado Oriental na primeira divisão. A vontade de eles verem o time e, claro, essa boa campanha, faz com quem tenhamos uma relação muito bacana. A torcida abraça o time, joga junto. Todos jogos que fizemos em casa tivemos os bilhetes esgotados.  

O RB Leipzig pode repetir o feito do Leicester City, que foi campeão inglês na temporada passada?

Surpreender na Alemanha é muito difícil. Aqui só tem uma equipe grande e o Bayern dificilmente vai perder pontos, diferentemente da Inglaterra. Lá o Manchester City pode perder ponto para o Chelsea, para o Arsenal, para o Liverpool... Por isso acho muito difícil ter uma zebra na Alemanha. Você não tem muitas equipes que podem bater de frente com o Bayern, que é o todo-poderoso. Vamos ver até onde podemos chegar. O futebol é um esporte que todos gostam justamente por causa dessas surpresas, por não ser previsível. Para um clube que começou o campeonato com o intuíto de não cair, conseguir uma vaga em uma liga europeia será um título.

Como é sua relação com o seu pai, o ex-volante Bernardo?

É próxima, estamos sempre conversando por mensagem e pelo menos duas vezes por semana por telefone. Ele teve uma influência muito grande na escolha da minha profissão. Ele me ajudou muito, principalmente na Áustria, quando joguei de volante, me passando os atalhos da posição. O interessante é que o jogo será justamente contra o time que ele defendeu aqui na Alemanha. Se eu fizer um bom jogo e conseguir o resultado dá para tirar um sarro. 

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