O São Paulo é experiente em reestrear bons jogadores

A vez agora é de Ganso, mas já teve Raí, Amoroso, Adriano, Luis Fabiano...

Breno Pires, especial para o Estadão, O Estado de S. Paulo

15 de novembro de 2012 | 13h40

SÃO PAULO - Não é todo dia que um jogador do quilate de Paulo Henrique Ganso estreia em uma equipe. E isso explica a ansiedade do torcedor do São Paulo e ver o meia o mais rápido possível em campo. O são-paulino, diga-se, é privilegiado nesse quesito e se acostumou a comemorar a chegada ou o retorno de grandes nomes ao Morumbi. Foi assim com Raí, Amoroso, Rivaldo e Luís Fabiano, por exemplo. E é com o estádio lotado que o meia Ganso deverá estrear no próximo domingo, contra o Náutico. A diretoria tricolor baixou o preço dos ingressos para ter casa cheia.

Um dos grandes ídolos da história do São Paulo, Raí sentiu o prazer de reestrear e ser campeão no mesmo dia. Foi em 10 de maio de 1998. Após cinco anos jogando no Paris Saint-Germain, com sucesso absoluto, o meia reencontrou o Morumbi lotado na final do Campeonato Paulista daquele ano, e logo contra o Corinthians. Raí mostrou-se ser decisivo e que a decisão da diretoria em repatriá-lo foi acertada. Ele marcou o primeiro gol e deu o passe para França fazer o segundo na vitória de 3 a 1, resultado que garantiu o título estadual que o time não via desde 1992 - também com Raí em campo.

O ex-jogador, hoje empresário e garoto-propaganda, guarda a recordação do retorno ao Morumbi naquele distante ano de 1998. "Eu era um pouco mais experiente naquele time de jovens talentosos como França, Dodô, Denilson e Serginho. Faltava uma peça para dar esse equilíbrio. Foi bom para eles e foi bom para mim chegar em um time com um superpotencial. E aí foi um encontro dos sonhos. Melhor até do que eu poderia imaginar, chegando então em uma final e com título importante", relembra o meia.

Traçando um paralelo, Raí enxerga uma semelhança entre o contexto do São Paulo em seu retorno e a situação presente com a chegada de Ganso. Ele opina que o meia, contratado do Santos, pode dar mais consistência à equipe, como ele deu em 1998. "O São Paulo viveu um tempo de incertezas com treinadores nos últimos anos. Agora o time está encaixando. E acho que, pelo estilo do Ganso, que dá ritmo ao jogo, sabe cadenciar e tem técnica apurada, é um jogador que pode cair como uma luva em um São Paulo que está subindo de produção. Ganso tem tudo para potencializar ainda mais o que existe nesse trabalho."

O clima de decisão também marcou a primeira vez de Amoroso com a camisa do São Paulo. Após nove anos jogando na Europa, o ex-atacante reestreou na semifinal da Libertadores de 2005, contra o River Plante, no Morumbi, sob os olhares de 61.078 pessoas. A vitória por 2 a 0, com boa atuação do jogador, encaminhou a classificação do time à final, confirmada após um 3 a 2 em Buenos Aires. A taça ficou com o São Paulo na decisão contra o Atlético-PR.

Amoroso, que substituiu Grafite na campanha do Tri da Libertadores, diz que esse jogo foi um dos mais marcantes de sua carreira, sobretudo pela importância da partida e pela facilidade que teve para se encaixar em uma equipe que contava com vários amigos. "Eu estava 9 anos fora do País e, para mim, voltar ao futebol brasileiro e ao São Paulo com o Morumbi lotado em um jogo decisivo foi muito especial. Ainda mais ao lado do Luizão, o meu grande companheiro de ataque ao longo de minha carreira desde os tempos doo Guarani. A presença dele, de Júnior e de Rogério Ceni me ajudou."

APOSTA EM GANSO

O ex-jogador aposta que São Paulo e Ganso formarão uma ótima parceria. "Todo mundo já sabe das suas virtudes. É um jogador que caiu num clube que tem total condição de fazer uma grande reabilitação do nível que ele jogava no Santos. O São Paulo tem muito a ganhar", diz o ex-atleta, que hoje promove o time de futsal Wizard/Pulo do Gato, de Campinas, sua terra natal, que disputa a Liga Paulista e almeja uma vaga na liga nacional.

RIVALDO, LUÍS FABIANO E ADRIANO

Rivaldo foi outro jogador renomado a estrear em grande estilo pelo São Paulo, em 3 de fevereiro de 2011, no Campeonato Paulista, contra o Linense. O pentacampeão marcou um golaço, com direito a chapéu no marcador, e abriu caminho para a vitória de virada por 3 a 2. O público foi enxuto - 14.483 pagantes - naquela noite de quinta-feira, com jogo disputado às 19h30.

Frustração, apenas no retorno de Luís Fabiano. O atacante, que brilhou no clube entre 2001 e 2004, reestreou em 2 de outubro de 2011 com derrota para o Flamengo, por 2 a 1, calando um Morumbi com 63.871 pagantes por sua causa. Foi uma derrota, é verdade, mas ela não tirou do São Paulo a certeza de ter feito a coisa certa mais uma vez ao buscar o atacante na Espanha. Hoje, Luis Fabiano é o principal jogador do time, ao lado de Lucas e Rogério Ceni.

Dos últimos grandes recomeços no São Paulo, apenas o do atacante Adriano teve um palco diferente. Em vez do Morumbi, o Estádio Dario Rodrigues Leite, em Guaratinguetá. No entanto, os 13.777 pagantes viram o atacante fazer valer a fama de Imperador - ainda não perdida em problemas pessoais. Após um primeiro tempo perdendo por 1 a 0, Adriano marcou duas vezes e garantiu a vitória de virada por 2 a 1.

REESTREIAS NO SÃO PAULO

02/10/2011 - São Paulo 1 x 2 Flamengo - Luís Fabiano estreou

03/02/2011 - São Paulo 3 x 2 Linense - Rivaldo estreou e marcou um gol

17/01/2008 - Guaratinguetá 1 x 2 São Paulo - Adriano estreou e marcou dois gols

22/06/2005 - São Paulo 2 x 0 River Plate - Amoroso estreou

10/05/1998 - São Paulo 3 x 1 Corinthians - Raí reestreou e marcou um gol

30/01/1983 - São Paulo 4x0 América-RN - Careca estreou e marcou um gol

24/05/1942 - São Paulo 3x3 Corinthians - Leônidas estreou e não marcou gol

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