Lucas Baptista
Lucas Baptista

'O São Paulo está pronto, mas o Santos joga em casa. Isso equilibra'

Técnico do Santos conta como conseguiu levar o time da Vila da zona de rebaixamento ao sonho da Libertadores

Entrevista com

Cuca, técnico do Santos

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

15 Setembro 2018 | 05h00

Para levar o Santos da zona do rebaixamento ao sonho de uma vaga na Libertadores, o técnico Cuca explicou o que queria para cada jogador. Conversas individuais. O desafio agora é blindar a equipe da crise política. Mesmo assim, ele acha que o planejamento de 2019 está em risco. “A gente não começa a montar o time em dezembro. Começa já”, disse ao Estado.

Como tirar um time da zona de rebaixamento e levá-lo a sonhar com a Libertadores?

Não é um ingrediente só. Fomos repetindo o time, a maneira de jogar e eles foram pegando corpo. Falei com quase todos. A torcida ajudou. Deu banho de sal grosso e apoiou.

Como recuperou o Gabriel?

Eu o deixei fora para que assistisse à partida junto comigo no banco. Eu falei que o time não estava jogando bem e que não era culpa dele. Isso fez bem para ele. Também teve uma mudança de posição. Ele tem a presença de área.

Quem é favorito hoje?

O São Paulo está mais pronto. Tem um elenco fortíssimo, já está estabilizado. Estamos em ascensão, mas jogamos em nossa casa, o que faz o jogo ter uma igualdade.

A crise política atrapalha?

O presidente falou para eu cuidar do campo que ele cuidaria da parte de lá. Para mim, está ótimo. Vou cuidar do campo. O vestiário está blindado.

E as contratações?

O que atrasa um pouco é que você não faz a montagem do elenco em dezembro. Você começa a fazer já. Quem chega primeiro é quem pega as coisas melhores. Isso faz falta.

O fato de você ter dito que o time precisa se profissionalizar deixou sua relação com o presidente estremecida?

Eu não falei isso.

Não falou?

Vocês me perguntaram. Eu não fui falar do nada. Vê como as coisas são diferentes. Eu podia ficar em cima do muro, mas disse o que achava. Não era uma crítica, era uma resposta sincera. Estou sentindo que as coisas começaram a melhorar aqui.

O clube melhorou após suas críticas?

Sim, o efeito foi imediato. Estou sentindo que as coisas estão andando de maneira mais rápida aqui. Até eu, sinto que estou trabalhando mais. Já houve um efeito. E vão ocorrer outros. O Santos é o time que mais cria jogadores. O trabalho da base é bom. Quando não temos uma peça, estamos correndo para a base. Eles são o remédio.

Como você se sente ao retomar sua carreira?

Todo mundo fala que minha segunda passagem pelo Palmeiras não foi boa. Eu acho que foi boa. Na primeira passagem, nós fomos campeões; na segunda, fomos vice. Quando eu saí, o time estava em quarto. O Alberto entrou e ficou em segundo. O saldo final, em cima de montagem do time e conquistas, foi bom. Dei uma paradinha para mim mesmo e estou renovado.

Quem é o Cuca hoje?

Sou um cara mais tranquilo. O tempo passa e vai acalmando a gente. A gente vai ficando mais experiente e pode passar o aprendizado para a molecada.

Está satisfeito com os árbitros?

São os mesmos erros. A paciência está curta com tudo. O cara cometeu um erro pequeno e todos já estão com o dedo no rosto dele. Não sei se é o momento de crise do Brasil...

Você está preocupado com o Brasil?

Preocupadíssimo. Eu queria eleger um cara que me representa, um de minha confiança. Eu só queria ter um que vai fazer o bem para o povo. Não sinto que a gente alguém para colocar. Isso dói muito. A gente tinha de ter mais confiança. O Brasil só vai ser bom se a gente colocar as crianças na escola e, dentro de 15 anos, elas serão formadas. Esse é o tempo para o País melhorar. É a fundação.

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