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O tamanho do abacaxi

Juan Carlos Osorio não tinha ideia do tamanho da encrenca

Paulo Calçade, O Estado de S. Paulo

27 de julho de 2015 | 03h00

Juan Carlos Osorio não tinha noção do tamanho da encrenca. Referência de trabalhos bem-feitos e de infraestrutura quase que perfeita, hoje o São Paulo é apenas mais um personagem da crise técnica e financeira que absorveu o futebol brasileiro.

O colombiano gente boa, educado e bem formado academicamente, não precisou de muito tempo para perceber que, dentro de campo, o jogo poderia ser mais rico, desde que preparado e pensado para melhorar algumas das nossas mais nobres virtudes e características.

De vez em quando escrevo alguns palavrões aqui na coluna. Metodologia é um dos meus preferidos. Num futebol fortemente baseado no empirismo, construí-lo pelo método parece mesmo absurdo. Mas explica o atraso, a falta de informação e de conhecimento. E também porque a CBF necessita de um conselho de notáveis para explicar a origem do caos.

Tomara que Osorio consiga provar, no campo, a existência de uma segunda via. Mas primeiro terá que se acostumar às instabilidades. Provavelmente tenha que montar um time e talvez outro até dar certo.

Difícil apontar, atualmente, quem deseja ficar no clube. Luís Fabiano ainda está com a cabeça na proposta do Cruz Azul; Ganso, no vigor dos seus 25 anos, acredita que seu futuro mora na liga norte-americana. O que acontece com o Soberano?

Ontem, com ambos suspensos, pode-se até discutir a perda técnica, mas a equipe foi valente num confronto completamente diferente daquele de setembro do ano passado, quando a vitória são-paulina deixava a impressão de que aquele grupo poderia lutar pelo título. Foi só impressão.

Não será tão simples jogar como pretende o novo treinador. Pelo rompimento de velhas manias do futebol brasileiro e porque boa parte de seus jogadores parecem distantes dos propósitos coletivos. Vai dar trabalho.

Com o fechamento do período de contratações do exterior, agora o time só poderá se reforçar nas demais séries do futebol nacional. Mas ainda corre o risco de perder titulares e reservas se vier alguma proposta. Na atual conjuntura, todas serão analisadas. Se a grana for boa, tchau!

Jogador vinculado a um clube de fora não entra mais, mas os daqui podem sair. Isso significa que até o fim de agosto todos os times correm o risco de perder gente importante. Na prática, é impossível definir como ficará o campeonato. Osorio vai aprender durante a competição.

COPA DO MUNDO

Fácil não será. O momento do futebol brasileiro não permite sonhar. Depois de três eliminatórias consecutivas enfrentando a Venezuela em casa na última rodada, a seleção agora receberá o Chile, o campeão da Copa América, no fechamento da classificação, em 2017.

Acabou o pacote de bondades, coincidências e acertos entre compadres. A exemplo da CBF, a Conmebol possui problemas demais para resolver. Em crise técnica e institucional, o time nacional terá pela frente uma de suas mais difíceis missões rumo ao Mundial.

O problema não é a tabela. Apesar de incomum entre seleções, na América do Sul as vagas são decididas no sistema de pontos corridos. São 18 partidas, geradoras de sofrimento e de oportunidade. Cabe a Dunga desenvolver uma equipe e dar-lhe confiança com a bola rolando em partidas decisivas.

Com nível técnico mais equilibrado, a corrida pelas quatro vagas diretas e uma quinta possivelmente oriunda da repescagem da Oceania tende a transformar os pontos corridos das eliminatórias num mata-mata cruel.

Esta geração de jogadores não é tão ruim quanto parece, mas precisa de ambiente tranquilo e de maior complexidade técnica para evoluir. Valores que, por ora, a Confederação Brasileira de Futebol não pode oferecer. Pior, os cartolas não têm a menor ideia do tamanho do abacaxi.


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