Hélvio Romero/Estadão
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O tempo de Cuca

Há anos sem títulos, tudo o que o São Paulo e a torcida não têm é tempo

Mauro Cezar Pereira, O Estado de S.Paulo

10 de junho de 2019 | 04h30

Tempo, palavra-chave para técnicos de futebol que, após algumas semanas, meses de trabalho, não conseguem fazer o time jogar futebol como se espera. Nesses momentos, clamam por mais períodos de treinamento, mais jogos, mais tempo. Contudo, não existe uma receita de sucesso e é mera teoria a defesa incondicional da permanência de um treinador para que, depois de sabe-se lá quantos jogos, quantos empates, quantas derrotas, se chegue a alguma conclusão sobre o que fez.

No entanto, no futebol não existe esse tempo. A maior paciência, a espera por algo mais bem jogado e com resultados tem limite, prazo, muitas vezes curto. Em suma, o tão decantado e solicitado tempo é uma fantasia, ele só surge quando o campo o justifica, algo que acontece quando há placares que dão fôlego ou jogo bem jogado, capaz de gerar esperança. Falta ambos ao São Paulo do técnico Cuca, que sábado chego ao 13.º compromisso à frente da equipe, com um desanimador empate sem gols com o Avaí, na Ressacada.

O cotejo em Florianópolis reforçou a sensação de que se trata de um time que ruma para lugar nenhum. E a inexistência de uma bússola fica evidente quando o próprio técnico diz que seu time não jogou mal. Contra um dos mais modestos elencos da Série A do Campeonato Brasileiro, os são-paulinos empataram em finalizações (sete sem direção e duas no alvo para cada lado), mesmo ficando com a bola por 63% do tempo. Os mais de 400 passes trocados contra menos de 200 dos ‘avaianos’ no sábado pouco significaram ante tal ineficiência.

Diante disso, o que fazer? Trocar novamente de treinador? Cuca já é o terceiro a ocupar o cargo neste ano e quando assumiu o comando se transformou no quarto técnico do São Paulo em período pouco superior a cinco meses. Sim, entre o uruguaio Diego Aguirre, demitido em novembro, até o atual ocupante do cargo no Morumbi passaram por ele André Jardine, interino e depois efetivado; além de Wagner Mancini, que esquentou lugar para Cuca, enquanto este, já contratado, se recuperava de cirurgia cardíaca.

Insistir com quem está na função é o jeito, mas não apenas para ver no que dará. É preciso conversar, discutir, dialogar em busca de explicações para a interminável fase ruim da equipe. Mas será que os chefes de Cuca têm capacidade para tanto? O presidente Carlos Augusto Barros e Silva, o Leco, se transformou na figura mais detestada pela torcida e suas intervenções no futebol costumam ser desastrosas.

Quanto a Raí, foi responsável por contratações fracassadas e caras e faz um trabalho bem questionável.

Diego Souza saiu, de graça, para o Botafogo, Nenê é reserva de luxo, Jean, causou polêmicas e quando entrou no time e não inspirou confiança, a ponto de o clube buscar outro goleiro, Thiago Volpi; enquanto Everton coleciona lesões. Mas ele é assim desde os tempos de Flamengo! Os dirigentes não sabiam? Sábado se machucou novamente. Será que o ex-craque Raí domina o assunto o bastante?

Já Cuca parece perdido sem saber como resolver os problemas, e quem está acima dele na hierarquia do clube tricolor ainda mais.

Como não há receita de sucesso no futebol, em tese o que parece mais razoável é manter o técnico cujo trabalho sinaliza progresso, mesmo que oscile um pouco. Mas e quando não há qualquer sintoma de que as coisas vão melhorar?

E é exatamente esse o caso são-paulino – o time não vence há seis partidas. Diante da constatação de que uma eventual saída de Cuca não levaria seus chefes embora, o problema tricolor parece sem solução a curto prazo. Ainda mais porque, há anos sem títulos, tudo o que o clube e sua torcida não têm é tempo. Muito menos paciência.

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