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O troféu de Guardiola

Técnico espanhol se emociona ao saber que geração do Brasil de 82 se vê reconhecida nele

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

17 de janeiro de 2017 | 04h00

Vira e mexe, a seleção brasileira que disputou o Mundial de 1982 é lembrada. Pelos mais variados motivos – de efemérides (logo mais serão festejados 35 anos da competição na Espanha) a comparações com grandes equipes e, salvo exceções, as referências que lhes são feitas esbanjam carinho e respeito. Reconhecimento ao valor de uma formação que virou clássica.

Pep Guardiola faz parte do grupo dos que sempre exaltaram as proezas da então rapaziada sob comando de Telê Santana. Em diversas ocasiões, admitiu que o estilo dos times que dirige apresenta traços intensos da maneira de jogar do Brasil de Zico, Falcão, Cerezo, Sócrates, Júnior e outros craques. Até aí, não há nenhuma novidade; saiu em todo lugar.

A diferença veio dias atrás, em entrevista ao jornalista João Castelo Branco, da emissora de tevê ESPN. O treinador do Manchester City, sujeito famoso e dos mais premiados do futebol, emocionou-se quando o repórter (excelente, por sinal) lhe disse que diversos integrantes daquela expedição da Amarelinha o tomam como sucessor deles. Astros de décadas atrás, hoje técnicos também, ou comentaristas, ou dirigentes, ou simples observadores, se reconhecem na filosofia de Guardiola.

"Não sabia disso”, espantou-se. “O que você (o entrevistador) acaba de me dizer é o título mais importante que um treinador poderia conquistar”, afirmou. “As pessoas estão equivocadas quando pensam que títulos vêm só no momento em que se levanta uma taça”, ponderou. “Não há coisa mais bonita do que uma geração como essa, do Brasil de 82, fazer elogios a uma pessoa ou às equipes que ela treinou.”

Nesse trecho da conversa, Guardiola revelou desprendimento, sensibilidade, humildade. E uma admiração por um grupo de profissionais que muitas e muitas vezes nós desprezamos, colocamos em segundo plano ou para o qual reservamos mágoa. Além de resumir o que pensa sobre sucesso e grandeza. “Futebol não são números, nem títulos. Futebol é a emoção que se pode passar pro público. E aquela seleção foi a mais maravilhosa que existiu.”

Por que é importante o que disse Guardiola? Em primeiro lugar, pelo peso que têm suas análises. Com pouco mais de 46 anos – tinha, portanto, 11 na época da Copa da Espanha –, ganhou quase tudo o que é possível, faz parte da história do Barcelona, além de passagem marcante pelo Bayern e agora em plena aventura no City inglês. 

Em segundo lugar, e não menos relevante, fica a demonstração de alguém aberto a aprender, a absorver o que há de melhor na história do esporte. Indício de quem não se considera perfeito o suficiente para estagnar no patamar – alto, é verdade – que atingiu. 

Guardiola poderia servir de parâmetro para a jovem geração de técnicos brasileiros. Talvez até seja modelo para alguns, vai saber. Gostaria muito, por exemplo, de ver Rogério Ceni com postura semelhante à do catalão. No entanto, a cada escorregada do São Paulo, escora-se em estatísticas discutíveis, minúcias nem sempre relevantes, para provar, por A + B, que o caminho pelo qual enveredou é o correto. Mesmo que os resultados supliquem por correções de rota.

Agora, surgem revelações de atitudes iradas do treinador, em intervalo de partida, em que teria se exaltado com a trupe. Ok, chefes perdem a paciência em certos momentos e se excedem. Não é agradável, mas passa, dependendo da situação. Para alguém que inicia trajetória em nova função, não pega bem. E é preciso avaliar o impacto que há sobre o grupo. Rogério tem o que aprender.

DESAFIO COLORADO

Cuca regressou cheio de prosa ao Palmeiras, estreou com goleada e agora tem nos duelos com o Inter, pela Copa do Brasil, chance de provar que o time é favorito nos grandes campeonatos. 

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