Cesar Greco/Palmeiras
Cesar Greco/Palmeiras

O 'vizinho chato' de Abel Ferreira existe? O assunto mobiliza o pessoal do prédio dele

Treinador enviou recado a suposto morador de seu condomínio em tom de desabafo após classificação do Palmeiras à final da Libertadores

Ricardo Magatti, O Estado de S.Paulo

29 de setembro de 2021 | 18h20

Abel Ferreira deu uma de suas entrevistas mais curiosas depois de conduzir o Palmeiras à final da Libertadores. Incomodado com questionamentos a respeito de seu trabalho, o técnico português enviou um recado a um suposto vizinho "chato", em tom de desabafo. Mas quem seria esse indivíduo tão irritante que incomoda o comandante palmeirense dessa maneira? O episódio mobilizou o condomínio onde mora Abel.

O Estadão conversou com pessoas ligadas a Abel e com moradores do prédio onde o português reside na zona oeste de São Paulo, próximo ao CT do Palmeiras, para entender a questão. A reportagem descobriu que, na verdade, o suposto vizinho seria uma metáfora criada pelo treinador para rebater os críticos de seu trabalho. O recado seria direcionado à imprensa e parte da torcida que criticam suas escolhas e estratégias no comando da equipe.

O português se exaltou muito quando Dudu marcou o gol de empate com o Atlético Mineiro que garantiu o Palmeiras em mais uma decisão do torneio continental, a sexta na história do clube, e teve de ser contido pelo gerente de futebol, Cícero Souza, e o auxiliar Vitor Castanheira, quando gritava em direção a uma das câmeras da transmissão da partida no Mineirão. 

"Quando apontei pra câmera, não foi pra nenhum jogador ou o treinador do Atlético-MG. Tenho um vizinho que mora no meu prédio que é um chato. Foi diretamente ao meu vizinho, porque quem manda na minha casa sou eu. Está calado! Quem trabalha dentro do CT sou eu e meus jogadores. Defendo meus jogadores porque são meus nas vitórias e derrotas. Ao meu vizinho, xiu", esbravejou o técnico. 

A reportagem consultou pessoas que moram no mesmo condomínio de Abel. Segundo os vizinhos, o português é discreto, comedido, introspectivo e não frequenta tanto o local, visto que dedica boa parte de seus dias ao trabalho, nos treinos na Academia de Futebol ou em jogos com o Palmeiras. Em suas primeiras semanas de Palmeiras, quis morar no CT para se ambientar. Está perto de completar 11 meses no comando palmeirense e é o segundo técnico mais longevo do futebol brasileiro.

Nesta quarta, dia seguinte à classificação palmeirense, o técnico ganhou folga, bem como o elenco. Foi visto saindo de seu carro da garagem de seu prédio e acenou rapidamente para quem passava por ali. 

Um dos vizinhos de Abel no condomínio na capital paulista exerceu por muito tempo a mesma profissão do português e também trabalhou no Palmeiras. É Candinho, ex-jogador, técnico e dirigente do time alviverde. "Eu me dou muito bem com ele. Já almoçou e jantou em casa. Conheci a família dele quando veio de Portugal. Já jantamos juntos algumas vezes", conta ao Estadão o ex-treinador, de 76 anos.

Candinho diz nunca ter ouvido alguma reclamação sobre Abel no condomínio, nem o contrário. "É simpático e uma pessoa até difícil de encontrar. O pessoal do prédio sempre diz que ele sai cedo e volta muito tarde. É um cara que trabalha demais no Palmeiras. Ninguém reclama dele aqui", descreve.

A menção de Abel ao suposto vizinho desagradável repercutiu no conjunto residencial, onde também mora o técnico do São Paulo, Hernán Crespo. Alguns jogadores de Palmeiras e São Paulo moram em prédios no mesmo bairro. O assunto dominou as discussões em grupos de mensagens de moradores do local. "Falou-se muito sobre isso", resume um morador, em referência à insólita entrevista. O síndico deve conversar com o treinador para discutir a questão.  Fato é que o "vizinho chato" serviu de combustível para o Palmeiras ir à sua segunda final de Libertadores consecutiva.

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