PSG
Messi coloca o PSG em outro nível no futebol europeu PSG

Messi coloca o PSG em outro nível no futebol europeu PSG

Obcecado por construir um PSG hegemônico, magnata catariano investiu quase R$ 9 bilhões em reforços

Nasser Al-Khelaifi, dono do fundo de investimentos que controla o clube francês, é o responsável por trazer Messi e tantos outros craques para buscar o título da Liga dos Campeões

Ricardo Magatti , O Estado de S.Paulo

Atualizado

Messi coloca o PSG em outro nível no futebol europeu PSG

O desejo de se transformar numa potência esportiva mundial, com planos de dominar o futebol francês e o europeu, fez com que o Paris Saint-Germain, desde que se tornou bilionário ao ser adquirido pela Qatar Sports Investments, investisse uma quantia faraônica em grandes estrelas. Lionel Messi, eleito seis vezes o melhor do mundo, chegou nesta temporada para ser a "cereja do bolo", mudar o patamar da equipe e liderá-la na perseguição a tão sonhada conquista inédita da Liga dos Campeões.

A Qatar Sports Investments tem o controle financeiro do clube e é subsidiária da Qatar Investment Authority, fundo soberano catariano avaliado em US$ 355 bilhões (R$ 1,9 trilhão). O conglomerado também possui a BeIN, emissora que é uma das que detém os direitos de transmissão do Campeonato Francês.

Sob o controle do magnata Nasser Al-Khelaifi, o clube da capital francesa passou de coadjuvante à protagonista em campo, ao menos na França, onde se tornou hegemônico, e nas janelas de transferências, acumulando contratações que mudaram a lógica de mercado na Europa. Messi, Sergio Ramos, o goleiro italiano Gianluigi Donnarumma, o lateral-direito marroquino Achraf Hakimi e o meio-campista holandês Georginio Wijnaldum vieram nesta última janela de transferência e tornaram o PSG o clube com o segundo elenco mais valioso do mundo, atrás somente do também bilionário Manchester City.

Considerado um dos homens mais ricos do mundo, Nasser Al-Khelaifi, de 47 anos, é o homem responsável por trazer Messi e tantos outros craques com o pensamento de transformar o PSG em um clube soberano. Ex-tenista profissional e membro da família real do Catar, o dono da Qatar Sports Investments está à frente da equipe há uma década e não se importa em gastar quantias estratosféricas para fazer com que o clube domine o futebol mundial. Ele confia a missão de garimpar o mercado ao brasileiro Leonardo, diretor de futebol. Desde 2011, foram mais de 50 atletas contratados de diferentes nacionalidades, incluindo oito brasileiros.

Ninguém no mundo do futebol gastou mais do que o PSG nos últimos dez anos. Nesse período, o clube desembolsou quase R$ 9 bilhões para montar um elenco estrelado e capaz de ganhar a Liga dos Campeões. Ainda não conseguiu, mas espera que, com Messi, isso seja possível. Vale lembrar que o clube de Paris não teve que pagar qualquer valor ao Barcelona para ter Messi. No entanto, segundo a imprensa francesa, o astro argentino ganhará 122 milhões de euros (R$ 767 milhões), durante os dois anos de seu contrato. Isto porque vai receber um salário anual de cerca de 35 milhões de euros (R$ 220 milhões) por temporada, além de luvas e outras bonificações. 

Embora tenha sido acusado em diversas ocasiões de ter violado as regras do fair-play financeiro, sem nunca ter sido condenado, Al-Khelaifi assegurou na coletiva de imprensa de apresentação de Messi que o clube cumpre as regras da Uefa. "Em relação ao aspecto financeiro, vou deixar claro: conhecemos as regras do fair play financeiro e seguiremos sempre os regulamentos. Antes de fazer alguma coisa, reunimo-nos com os nossos departamentos comercial, jurídico e financeiro. Se contratamos Messi é porque temos capacidade para tal. Caso contrário, não o teríamos feito", afirmou.

As principais contratações da era bilionária do PSG

Messi é o grande nome desse nababesco e ambicioso PSG. Mas, antes dele, vários outros jogadores de renome internacional vieram para mudar o panorama do time francês.

Em 2011, Javier Pastore foi a primeira grande contratação dessa era rica do PSG por 42 milhões de euros, proveniente do Parma. Naquela altura, a transferência do argentino foi a maior da história do Campeonato Francês.

No ano seguinte, Ibrahimovic saiu do Milan para o PSG por 21 milhões de euros e entregou o que dele se esperava: gols em profusão, títulos, prêmios e declarações polêmicas. No mesmo ano e também comprado do Milan, Thiago Silva foi um dos pilares para a consolidação do time parisiense como potência esportiva. Ficou até 2020 e cansou de levantar taças. A da Liga dos Campeões, curiosamente, o zagueiro só ergueu quando se transferiu ao Chelsea. 

Na temporada 2012/2013, David Beckham chegou sem custos para atrair mais holofotes. O astro inglês ficou apenas um ano, mas, conhecido mundialmente, ajudou a alavancar a marca do PSG e dar mais visibilidade à equipe.

Um ano depois, foi a vez de Cavani chegar a Paris, vindo do Napoli por 64,5 milhões de euros. Foi um novo recorde para a liga francesa. O uruguaio correspondeu às expectativas e se tornou o maior artilheiro da história do clube francês, com 200 gols. No mesmo ano, 49,5 milhões de euros foi o valor pago ao Chelsea pelo brasileiro David Luiz, que não teve uma passagem de tanto destaque por lá. 

Também em 2013, Marquinhos, hoje ídolo, foi anunciado com status de promessa. Pelo ex-jogador do Corinthians, o PSG pagou à Roma à época cerca de R$ 100 milhões. Valeu a grana, já que o hoje titular da seleção brasileira tornou-se um dos zagueiros mais completos do futebol mundial, capaz de jogar no miolo de zaga e até como volante. Pode superar até mesmo Thiago Silva em sua trajetória no clube.

Na temporada seguinte, o dinheiro aparentemente infinito do magnata catariano custeou a vinda de Ángel Di Maria, que juntou-se ao trio de ataque já então constituído por Ibrahimovic e Cavani, comprado do Manchester United por 63 milhões de euros.

O PSG voltou a ser protagonista no mercado de transferências em 2017, com a contratação de Kylian Mbappé, emprestado pelo Monaco, mas com a transferência em definitivo na temporada seguinte por 180 milhões de euros. Valeu a pena o investimento, já que o jovem francês se tornou ídolo e referência do time, tendo que assumir, em alguns momentos, o protagonismo de que se esperava de Neymar. Mas agora, Mbappé pode sair para  o Real Madrid.

Mas nenhum daqueles reforços chegou perto da dimensão de Neymar, a contratação mais cara da história do futebol mundial até hoje. Em 2017, o craque brasileiro custou ao PSG 222 milhões de euros (R$ 1,4 bilhão, na cotação atual).

Em 2018, o já veterano Gianluigi Buffon quis se aventurar em Paris depois de 17 anos de serviços prestados à Juventus. O experiente goleiro veio de graça, mas recebia um salário de 5 milhões de euros anuais. Ficou por apenas uma temporada.

E nesta janela de transferências, Achraf Hakimi deixou a Inter Milão e foi comprado por 70 milhões de euros, sendo o defensor mais caro da gestão de Al-Khelaifi. Ele foi o único dos cinco reforços de peso pelo qual o PSG pagou. Os outros - Messi, Sergio Ramos, Donnarumma e Wijnaldum - vieram de graça. Estima-se que a folha salarial do atual elenco chegue a 300 milhões de euros (R$ 1,8 bilhão)

Nos últimos dez anos, sob a presidência de Al-Khelaifi, o PSG já ganhou sete vezes o Campeonato Francês, seis Copas da França, seis Copas da Liga Francesa e oito Supercopas da França. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Discreto, explosivo e sincero: como age Leonardo, o diretor do PSG com carta branca

Homem forte do futebol, brasileiro foi responsável por atrair grandes craques, mas é afeito às polêmicas e colecionou desentendimentos com jogadores

Ricardo Magatti, O Estado de S.Paulo

28 de agosto de 2021 | 14h00

Os milhões que financiam as contratações que mudaram a lógica do mercado do futebol mundial e transformaram o Paris Saint-Germain em uma potência esportiva saem do bolso do empresário catariano Nasser Al-Khelaifi, dono do fundo de investimentos que controla o clube francês. Mas o homem forte do futebol é o brasileiro Leonardo, que tem autonomia para buscar craques como Neymar e Messi.

Leonardo está em sua segunda passagem como diretor de futebol em Paris. Ele fez parte do início do projeto ambicioso e endinheirado em 2011 e ficou até 2013. Depois treinou o Antalyaspor por apenas 13 jogos na temporada 2017/2018 e foi diretor do Milan até 2019, quando recebeu o convite para retomar o seu trabalho no PSG. O brasileiro voltou porque seu perfil linha dura era visto como essencial para os jogadores, especialmente Neymar, mudarem de postura. Naquela época, o presidente do PSG reclamou que não queria mais atletas com “comportamento de popstars.”

Tetracampeão do mundo pela seleção brasileira em 1994 e jogador vencedor que deixou boas lembranças em Flamengo, São Paulo, Valencia, Kashima Antlers, Milan e no próprio PSG, Leonardo tem uma história na equipe de Paris. Jogou no time francês entre 1996 e 1997 e em seu primeiro trabalho como diretor esportivo foi capaz de atrair jogadores como Marquinhos e Verratti, e estrelas do calibre de Ibrahimovic, Thiago Silva e Cavani. Também convenceu o técnico Carlo Ancelotti a assinar.

O presidente do PSG, Nasser Al-Khelaifi, já falou mais de uma vez que Leonardo “marcou história” no clube e que o “dinamismo e o talento” do brasileiro colocaram “o clube em um novo ciclo com objetivos ambiciosos”. Além disso, na apresentação de Lionel Messi, elogiou o “trabalho fantástico” que ele faz “para os torcedores e para a história do clube”. Ele também tem carta branca do emir do Catar, Tamim bin Hamad Al-Thani.

“A maioria das pessoas não sabem, mas estou muito orgulhoso de você. Falo do fundo do meu coração. Não tenho aqui um discurso pronto”, disse o empresário catariano, separado de Leonardo por Messi na apresentação do craque argentino.

Mas a relação, segundo a imprensa francesa, nem sempre foi boa entre eles e também entre Leonardo e parte do elenco, incluindo Neymar, que evitou por um tempo dar até bom dia ao compatriota. E isso se deve, em alguns casos, à personalidade complexa do executivo. No caso de Neymar, a tensão ocorreu principalmente pela forma como o diretor atuou, com mão de ferro, para impedir o retorno do astro ao Barcelona. Críticas a festas organizadas pelo jogador também teriam sido determinantes para o desentendimento. Considerado centralizador, Leonardo teve trabalho para contornar crises envolvendo Neymar e mantê-lo no elenco.

O dirigente é discreto, elegante e polido, mas, ao mesmo tempo, afeito às polêmicas e impetuoso, dono de um temperamento explosivo e determinado a conseguir o que almeja. Essa dicotomia que apresenta extremos em sua personalidade o acompanha desde a época de jogador.  A sua gestão também foi marcada por brigas com outros jogadores além de Neymar. Na França, foi dito que o executivo virou inimigo comum contra o qual parte do elenco se uniu na temporada passada. A opção por não renovar os contratos de Thiago Silva e Cavani, considerados ídolos do PSG, faz Leonardo ser criticado até hoje em Paris.

No entanto, as desavenças parecem ter ficado para trás, até com Neymar, que passou a ser elogiado por Leonardo depois que o atacante assumiu a postura de “líder” da equipe. “Sinceramente, não temos nada a dizer sobre o Neymar em relação ao seu comprometimento e comportamento. Não é justo hoje falar dele dessa forma. Ele é irrepreensível. Ele está lá, está comprometido, é o líder. Ele é um grande jogador, é indiscutível”, declarou o dirigente em entrevista recente à emissora de rádio e TV francesa RMC Sport. “Quando tínhamos que falar alguma coisa, nós dizíamos. Agora, se alguém falar do Neymar, eu vou defendê-lo. É a verdade”.

Embora tenha causado poucos problemas em campo e fosse um atleta refinado, na Copa do Mundo de 1994, Leonardo ficou marcado pela cotovelada que acertou em Tab Ramos, jogador dos Estados Unidos, em pleno 4 de julho. É uma cena tão popular que talvez só fique atrás na memória dos fãs de futebol do pênalti perdido por Roberto Baggio e das imagens do capitão Dunga levantando a taça.

Na Itália, em 2009, Leonardo iniciou sua trajetória como treinador no Milan, clube do qual se despediu às lágrimas para meses depois aceitar o convite para ser técnico da arquirrival Internazionale. E anos depois, em 2018, retornou ao clube rossonero com festa, como diretor.

Como diretor, além dos desentendimentos com atletas, o brasileiro foi suspenso por nove meses pela Comissão de Disciplina do futebol francês por ter empurrado um árbitro após um jogo do PSG contra o Valenciennes. A pena acabou sendo reduzida e ele moveu um processo contra a Federação Francesa por danos morais.

Para Ricardo Gomes, que treinou brasileiro no PSG durante uma temporada, entre 1996 e 1997, em que pese alguns problemas, Leonardo é “um cara de uma cabeça aberta, extremamente inteligente, muito determinado”. “Quando tem um objetivo, vai atrás dele. Quando ele começou a trabalhar comigo, no ano seguinte veio a proposta do Milan e ele resolveu ir. Tinha mais dois ou três anos de contrato, mas conseguiu, no argumento, convencer os dirigentes a liberá-lo”, exemplifica o ex-zagueiro ao Estadão.

“É bem preparado, inteligente, se encaixa em qualquer lugar. Veio do futebol, não veio do nada. Fez uma carreira, foi jogador, técnico e diretor. Não chegou para aprender”, acrescenta.

No entendimento de Raí, Leonardo é “inteligente, articulado, determinado e estratégico”. Os dois foram companheiros no PSG na temporada 1996/1997 e, juntos, criaram a Fundação Gol de Letra, projeto que há 23 anos ajuda jovens em situação de vulnerabilidade social a ter acesso à educação. Segundo o ídolo do São Paulo, o amigo, fora de campo, sempre foi  “discreto e dedicado à família."

Tudo o que sabemos sobre:
Paris Saint-GermainNeymarMessifutebol

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Com o amigo Messi, Neymar deve ter papel diferente no elenco do PSG

Presença do astro argentino pode ofuscar o brasileiro, acostumado a ser o líder da equipe, mas também melhorar o seu rendimento

Ricardo Magatti, O Estado de S.Paulo

28 de agosto de 2021 | 14h00

Amigos fora de campo e dentro dele protagonistas de um dos maiores times que o Barcelona já teve, Neymar e Messi se reencontraram no Paris Saint-Germain. O craque brasileiro foi determinante para a chegada do astro argentino à França. A ideia é que, juntos, os dois repitam por lá o sucesso que alcançaram no clube catalão, pelo qual conquistaram a Liga dos Campeões na temporada 2014/2015.

A vinda de Messi ao PSG suscita algumas dúvidas. Uma delas diz respeito ao rendimento de Neymar. Existe a expectativa de que o camisa 10, depois de uma temporada oscilante, com novas lesões, volte a ser decisivo e que sua performance cresça ao lado do companheiro com o qual brilhou no Barcelona.

É muito provável que eles se entendam bem em campo, como dois jogadores com predicados que poucos têm e capazes de decidir partidas. Mas e a liderança? No Barcelona, ainda que Neymar tivesse autonomia, cobrando faltas e pênaltis e tomando decisões importantes, Messi, naturalmente, era o "dono" do time, já que estava lá desde os 13 anos. E no PSG?

“Creio que não vai haver problema, não só porque se dão bem, mas também porque com todos estes jogadores de excelente qualidade, eles irão se divertir juntos. O risco seria bem maior se não houvesse conhecimento anterior entre eles”, opina Raí, em entrevista ao Estadão

O ídolo do São Paulo fala com a bagagem de quem jogou no PSG de 1993 a 1998 e foi eleito no ano passado o melhor jogador da história do clube por um júri formado por torcedores, jornalistas e ex-jogadores. Na época, o time tinha pouco mais de 20 anos de fundação e, embora contasse com atletas talentosos, como Raí, não havia esse plano ambicioso dos dias atuais.

“O projeto era outro, estávamos em outro momento da história, e até acredito que alguns valores também mudaram”, recorda-se o ex-dirigente do São Paulo. “A coisa ficou tão longe e com tantas transformações, que me sinto parte de um período que hoje pode se definir como romântico, como os anos 50/60 representavam para minha época. A reação dos torcedores quando me encontram, transmite um saudosismo ainda intenso e gostoso de compartilhar”, explica.

Ele faz a ressalva de que “em um elenco com tantas estrelas fazer a gestão das vaidades e egos é parte do trabalho” do técnico Mauricio Pochettino. O ex-zagueiro Diego Lugano, que atuou no PSG em 2011, logo no início da era milionária, endossa a opinião de Raí e vai além ao analisar a reunião de tantos talentos.  “Essa é a verdadeira questão. Como vão se comportar esses craques, esses egos. Cada um deles por si só é quase uma empresa multinacional com seus próprios interesses gigantes e milionários dentro de um coletivo”, pontua o comentarista dos canais esportivos da Disney.

“Lidar com os egos e com essas individualidades vai ser o maior desafio do Pochettino e é o que todos os fãs de futebol querem ver. No começo, nas primeiras fotos é tudo lindo, mas no decorrer do ano vamos ver como vão responder a diferentes situações. É algo que levanta muitas dúvidas porque são ‘machos alfa’ no mesmo time em busca dos mesmos objetivos”, acrescenta.

O uruguaio entende que Messi vai melhorar o desempenho de Neymar, mas “também, de certa forma, tampa um pouco esse brilho enorme” que o brasileiro tem. O atacante ainda busca, além do título da Liga dos Campeões, ser o melhor do mundo. “Nas últimas temporadas teve um pouco de azar por conta das contusões, mas o nível dele é espetacular, o que ele jogou na Copa América foi espetacular, inclusive na final. Tem tudo para ser o melhor do mundo e o que o Brasil quer que ele venha a ser”, salienta Lugano.

Com a visão de quem foi jogador e técnico do PSG, Ricardo Gomes considera que o excesso de estrelas no elenco não será um problema.  “Acho que não há concorrência interna para ser a maior estrela. Já estão em outra fase. Não creio que seja uma preocupação deles. Eles se preocupam, eu acho, com a pressão de ganhar a Liga dos Campeões. Todo o resto fica para trás. Se não ganharem o título, aí a pressão vai ser maior ainda”, avalia.

Há, no entanto, quem não se empolgue com esse estrelado PSG, que além de Messi e Neymar, conta com Sergio Ramos e Marquinhos na zaga, Donnarumma no gol e Hakimi na lateral direita. Isso sem citar outros jogadores importantes, como Di Maria, Paredes e Verratti.

Lenda do futebol francês, Thierry Henry apontou que o PSG dos últimos anos sofre muitos gols e precisa encontrar um equilíbrio. “Quando você tem jogadores super-humanos, é mais fácil. Mas quando eu vejo como o Paris está evoluindo neste momento... Eles levam gols demais para o meu gosto se quiserem ir mais longe. O equilíbrio é o mais importante”, argumentou ex-jogador, em declaração no programa Dimanche Soir Football, do Prime Video.

“Sempre falamos de grandes jogadores indo para frente. Mas é preciso equilíbrio. Conversamos sobre o time que eu joguei (com Messi e Eto'o) no Barcelona, mas as pessoas esquecem de apontar que nós não levávamos muitos gols”, lembrou. “No geral, os times que não levam muitos gols não estão longe do título, mesmo da Champions League."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Nas escolinhas do PSG, Messi é idolatrado e traz mais alunos, mas Neymar ainda reina

PSG Academy tem 20 unidades no Brasil com cerca de quatro mil alunos e planeja abrir mais 100 em três anos

Ricardo Magatti, O Estado de S.Paulo

28 de agosto de 2021 | 14h00

Lionel Messi não impactou somente os cofres do Paris Saint-Germain, mais cheios com as vendas de camisas, e as redes sociais, com fãs de vários países que passaram a acompanhar os conteúdos digitais do clube graças ao craque argentino. A chegada do jogador eleito seis vezes o melhor do mundo afetou também as escolinhas de futebol do PSG. Elas ganharam novos alunos, de 4 a 19 anos, que jogam no mesmo “time” que o camisa 30.

A PSG Academy registrou em agosto um aumento de 25% de matrículas nas três unidades de São Paulo - Pompeia, Pinheiros e Laguna. Os números ainda serão consolidados e é provável que essa procura seja maior, ressalta a diretora de marketing da PSG Academy, Marion Conseil.

“Obviamente, já estamos observando um efeito direto, muito concreto, tanto para o PSG quanto para a PSG Academy no Brasil”, resume Marion ao Estadão. Ela conta que os alunos sentem-se motivados por fazer parte, de algum modo, do clube em que joga o astro argentino. “Messi representa a excelência, um dos valores principais da nossa escola”.

As escolinhas de futebol do PSG estão espalhadas em 15 países. São 105 unidades em 65 cidades ao redor do mundo e cerca de 20 mil alunos. No Brasil, 4 mil crianças e jovens matriculados jogam em 20 unidades distribuídas em 13 cidades. O País foi o primeiro fora da França a abrir uma unidade da PSG Academy, no Rio de Janeiro. 

Contratação mais cara da história do futebol mundial, Neymar chegou a Paris em 2017 e sua vinda impulsionou a abertura de mais unidades no Brasil. Em setembro, será inaugurada a 21ª, em Salvador. Agora, com Messi, existe um plano ambicioso de expansão. “Esperamos um ciclo virtuoso para os próximos meses e anos”, diz Marion.

O objetivo é abrir mais 100 unidades em 3 anos no Brasil, “com a ambição de ser referência no mercado de escolas de futebol no País”.

O Estadão visitou uma das unidades, a de Pinheiros, inaugurada no fim de maio. Para jogar lá duas vezes por semana, os alunos pagam R$ 350 por mês, além do material esportivo. A metodologia utilizada é a mesma implementada nas categorias de base do clube francês. A ideia, dizem os treinadores, é “desenvolver atletas inteligentes” e o ensino é voltado para que os jogadores entendam o jogo e saibam analisar as informações mais importantes para tomar as melhores decisões dentro de campo.

Em Pinheiros, entre os técnicos, há duas mulheres. E a reportagem também notou a presença feminina nas aulas. Na Pompeia, a unidade mais antiga na capital paulista, aberta desde 2017, existe, inclusive, um time inteiro formado por meninas, que faz parte do “Juntas, Somos Futebol”, projeto voltado para o futebol feminino. Embora o objetivo das escolinhas não seja revelar jogadores e jogadoras, alguns se destacam a ponto de ganharem chance nos clubes. E há até atletas chamadas para as seleções de base, casos de Iara Dantas, Ana Júlia e Luana Gusmão. As três são ex-alunas da PSG Academy e recentemente foram convocadas para a seleção brasileira feminina sub-17.

As meninas e os meninos são fãs de Messi, mas ainda mais de Neymar. A reportagem constatou, ao falar com eles, que o brasileiro é o ídolo da maior parte dos garotos e garotas das escolinhas do PSG no Brasil.

As poucas exceções são Cauê e Pedro, que treinam na unidade da Pompeia. Os dois são filhos do meia-atacante Dudu, do Palmeiras, e têm, obviamente, o pai como ídolo. “O Pedro dá show. Tem 7 anos, mas joga com os mais velhos”, conta Paulo Pinto, gerente da PSG Academy. 

Paulo, 57 anos, cuida das operações das franquias em São Paulo. Após as dificuldades provocadas pela pandemia, ele é otimista quanto ao futuro das escolas. Parte da de Pinheiros está em reforma e ainda vai ganhar a identidade visual do PSG. 

Tudo o que sabemos sobre:
MessiParis Saint-GermainNeymarfutebol

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.